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terça-feira, 26 de julho de 2022

Nas terras do Arrumação... Assunta Brasil!

 

Fonte: http://www7.fiemg.com.br/noticias/detalhe/nova-temporada-do-programa-arrumacao

O “Arrumação” estreou na TV em dezembro 1987, e desde então, mantém o objetivo de apresentar os valores da cultura brasileira abrindo espaços para as diversas manifestações da música, poesia, prosa, teatro, dança, folclore e o bom humor. O apresentador e idealizador Saulo Laranjeira define que o programa é território do autêntico e das diversidades, espaço da dimensão universal da arte nacional e suas linguagens atuais. “As Terras do Arrumação” aproxima as pessoas e toca a alma, e identifica o jeito de ser do povo brasileiro.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=X4lEL5iVsHc

O Programa Arrumação é uma odisséia, uma cruzada, uma história de muitas alegrias, que enche de orgulho a alma brasileira. Ficou marcadamente conhecido pelo público como As terras do Arrumação, lugar mágico que emociona, revela, projeta, registra, denuncia, resiste, homenageia e reverencia incondicionalmente a alma artística brasileira.

Fonte: http://cyberspaceandtime.com/?4qSoVTsWlMM.video

Ao longo destes quase quinze anos no ar, ora pela Rede Minas, ora pela TV Alterosa/SBT, o Arrumação formou gerações, virou tradição e bateu recordes com mais de 2000 artistas, em mais de 300 programas. De volta novamente a Rede Minas, o Arrumação tem o poder de unir anônimos e consagrados da MPB, do teatro, da dança, da poesia e do humor brasileiro dividindo o mesmo palco. Tudo isso sob a batuta de Saulo Laranjeira. Que na verdade é o sinônimo do programa.

Fonte: http://www.revistamais.com/materias/de-volta-as-terras-do-arrumacao 

O Arrumação é responsável pela manutenção de um espaço aberto para a divulgação e o registro de todas as manifestações culturais do Brasil.
O programa já demonstrou sua coragem e sensibilidade ao veicular os caminhos da musicalidade e do jeito de ser do povo brasileiro. Tornou-se, assim, referência e uma iniciativa pioneira que logo conquistou o interesse da classe artística e o carinho do público de Minas e do Brasil. Jornada rara dentro da programação da televisão brasileira, o Arrumação é um programa de auditório que aproxima o telespectador de sua identidade cultural em busca da verdadeira brasilidade. Sem preconceitos e sem receitas pré-fabricadas para obter sucesso duvidoso, o Arrumação provou por sua grande audiência, em vários momentos, que existe uma enorme demanda pelo reencontro de nossa identidade. 

Fonte: http://www.silmaradefreitas.com.br/banda-faca-amolada-uma-grande-atracao-da-happy-sunday-do-shopping-vale-do-aco/ 


O UNIVERSO DOS PERSONAGENS DE SAULO LARANJEIRA

Fonte: http://cantosagradodaterra2.blogspot.com.br/2014/06/saulo-laranjeira.html

O envolvimento de Saulo com a cultura popular do Vale do Jequitinhonha — onde nasceu — surgiu espontaneamente na infância e adolescência, por vivenciar, identificar-se e absorver as manifestações culturais e folclóricas da sua região. 

No começo da década de setenta foi morar no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, sempre desenvolvendo um trabalho em favor da cultura brasileira em geral, principalmente na casa de cultura Fulô da Laranjeira, que inspirou o seu nome artístico. 

— A Fulô era um sobradinho que tive perto da Avenida Paulista, onde eu divulgava a cultura do Vale, na área do artesanato, da música, e de todo o Brasil. Além de apresentar-me, mostrava outros artistas, "batia papo" com eles no palco, porque sempre gostei de promover esse encontro e proporcionar ao público conhecê-los. Era inclusive um reduto de músicos emergentes da época, final da década de 70, que desenvolvia um trabalho na cultura regional, como o Renato Teixeira, Diana Pequeno, Dércio Marques, Elomar, Vandré, Xangai e muitos outros — conta Saulo. 

No Rio, Saulo trabalhou com crianças, surgindo nesse momento seu primeiro personagem: Véia Messina, uma velhinha de noventa anos, que servia para ilustrar historinhas que contava, levando-as ao máximo da imaginação sobre o ambiente do mundo regional.

— É uma camponesa, que vive nos boqueirões de serra, distante dos grandes centros, mas que fala coisas que mexem com as pessoas da capital, por causa de sua sabedoria, que se assemelha a uma filosofia intelectualizada, e seu linguajar extremamente simples, mas com um discurso poderoso de sabedoria natural, popular, fruto de observação — expõe.

Saulo conta que o personagem foi inspirado em uma velhinha que fez parte do seu convívio até os dezesseis anos de idade. 

— Os trejeitos e a personalidade da minha velhinha tem muito a ver com ela, que foi uma das responsáveis por eu ter ficado tão absorvido pela beleza da cultura popular e ter seguido esse caminho como uma meta. Com o tempo me preocupei que o personagem não fosse somente uma cópia dessa velhinha, mas que pudesse representar o poder do idoso que conseguiu potencializar sua consciência e seu conhecimento da vida. Hoje, ela tem características de muitas outras que fui "esbarrando" na vida ou que vi em filmes, no teatro — diz. 

Fonte: http://www.revistaipe.com.br/blog/?p=156

Saulo foi percebendo que o humor estava sempre presente em seu trabalho artístico e que deveria colocá-lo a favor de uma crítica social, com um compromisso de fazer o povo refletir sobre as questões culturais, sociais, ambientais. Assim foram surgindo personagens e amadurecendo com a prática, procurando absorver o máximo da psicologia e filosofia de cada um. 

— A pessoa se vê na condição do ridículo, frágil diante de um mundo globalizado, onde o consumismo é muito presente, fazendo com que se perca a noção da importância da solidariedade, do amor, da amizade, de preservar a natureza, e outros conceitos nobres da vida. Por mais que os personagens em alguns momentos tenham a pretensão de fazer rir somente, em outros mostram um lado de emoção, de reflexão, mais dramática, procurando levantar polêmica, questionar a sociedade, e isso é o que mais me interessa — confessa. 

— Assim surgiu o Zé da Silva Pereira, inspirado em um vaqueiro, filósofo popular por sua sabedoria natural do mundo, ajustado dentro de um universo do Guimarães Rosa, vivenciando um pouco o seu sertão místico. Depois vieram Kelé metaleiro, uma crítica a jovens culturalmente alienados; o bebum, crítica a respeito da pessoa totalmente fragilizada diante da bebida; o deputado João Plenário, inspirado na classe política brasileira em geral, com postura inconsequente e insensível; o João Macambira, um poeta popular que declama poemas fortes do sertanejo, utilizando-me de poesias minhas e de grandes poetas populares como Catulo da Paixão Cearense, Patativa do Assaré, Zé da Luz, Ademar de Paiva e Camilo Jesus de Lima — diz. 

— E o tema do meu trabalho sempre foi a cultura popular de Minas Gerais, por mais que eu ampliasse o leque mostrando, por exemplo, o caipira Geraldinho, inspirado em um matuto de Goiás, ou o sambista Juriti, inspirado no sambista carioca do morro — declara.

O Arrumação é fruto do Som Brasil, da década de 1980, apresentado pelo Rolando Boldrin, que me fez ficar conhecido nacionalmente como um artista envolvido com a cultura regional, tamanha a minha frequência no programa. E fui convidado para apresentar um no mesmo modelo, aqui em Minas, com artistas daqui, o que topei imediatamente. O nome e trilha sonora foram escolhidos por eu gostar de cantar a música Arrumação, do Elomar — conta. 

E segue o artista Saulo carregando todos os seus personagens dentro de si... 


GALERIA







Fonte: 
http://redeminas.tv/programa-arrumacao-inicia-nova-temporada/
http://www.arrumacao.com.br/principal.html 
http://anovademocracia.com.br/no-47/1858-a-arte-de-levar-a-cultura-ao-povo

Fonte do Espaço Galeria na ordem sequencial da apresentação:
(01) http://redeminas.tv/arrumacao/
(02) http://extra.globo.com/tv-e-lazer/prefeito-corrupto-em-velho-chico-saulo-laranjeira-secretario-de-cultura-em-minas-19296313.html
(03) - 
(04) https://radioloandafm.wordpress.com/2008/06/13/13-de-junho-show-em-loanda-saulo-laranjeira/
(05) http://www.elomar.com.br/vivendi/fotoc08.html


segunda-feira, 20 de junho de 2022

Ronaldo Fraga põe vereda e sertão no figurino da última turnê de Milton

Estilista buscou referências em Guimarães Rosa e Arthur Bispo do Rosário para criar fardão azul que remete a Minas e o manto da despedida do cantor


Milton Nascimento veste o figurino que remete ao "Manto da apresentação", com o qual Arthur Bispo do Rosário queria se apresentar para Deus no Juízo Final

Adolescente nos anos 1980, o estilista Ronaldo Fraga se incomodava ao ver os artistas do Rock Brasil explorando a moda da época e os mineiros sem preocupação nenhuma com o figurino. “Nunca falei isso com ninguém, pois pegava mal. Como vou falar mal dos meus ídolos?”, comenta ele hoje.

Em meados de 2021, quando recebeu o contato de Augusto, filho e empresário de Milton Nascimento, chamando-o para fazer o figurino da última turnê do cantor e compositor, Ronaldo se lembrou disso. Mas recordou também o impacto que sentiu ao ver Milton, 25 anos atrás, na celebrada temporada de “Tambores de Minas”, dirigido por Gabriel Villela.
 
“Com aquele figurino, Milton realmente estava no lugar de nobreza que merece. Obviamente, figurinos e cenários não constroem um artista, e nomes como Milton Nascimento, em silêncio, já fazem música. Mas tais elementos são mais um canal de comunicação do artista”, acrescenta.
 

ÚLTIMA SESSÃO 


Para criar o figurino de “A última sessão de música”, nova e última turnê de Milton, com 23 apresentações – a estreia será em 11 de junho, no Rio de Janeiro, e o encerramento em 13 de novembro no Mineirão, em Belo Horizonte –, as inspirações foram Arthur Bispo do Rosário e Guimarães Rosa.
 
A partir da obra do artista sergipano e do escritor mineiro, Ronaldo inclui temas que se relacionam com a própria trajetória do compositor e cantor, que chega aos 80 anos em 26 de outubro.
 
“Milton tem que ser colocado como uma divindade, como ele realmente é, um orixá da música brasileira”, afirma Ronaldo. Em 1995, seis anos após sua morte, Bispo ganhou o reconhecimento internacional quando suas criações foram apresentadas na Bienal de Veneza. Ali foi exibido o “Manto da apresentação”. Considerada sua obra máxima, representava a passagem de Deus na Terra. Bispo deveria vesti-la no dia do Juízo Final.

Ronaldo falou da intenção de vestir Milton com um manto e lhe mandou, em Juiz de Fora, um livro de Bispo. A aprovação foi imediata e o estilista viajou para tirar as medidas. “Disse que tinha pensado numa capa vermelha. Ele disse que adorava vermelho. Falei de um fardão interno, representando os mistérios das noites do sertão, em azul profundo. Ele adorou, assim como os desenhos.”

Fardão em azul profundo homenageia as noites do sertão de Guimarães Rosa

O manto, de linho puro, forrado em seda dourada, foi bordado a mão por Stella Guimarães, bordadeira do Vale do Jequitinhonha que vive em Itabira. “O vermelho representa o nascer na vereda, enquanto o azul do fardão evoca o anoitecer no sertão”, explica o estilista. Ele desenhou elementos que são alicerces da trajetória de Milton, como as montanhas, o violão que se transforma em tecla de piano, além de palavras de diferentes letras de canções.

 
Croqui do manto vermelho que fez Milton chorar

Letras de canções foram bordadas à mão


CHORO 


Milton e Ronaldo se reencontraram em dezembro, no Rio de Janeiro. “Ele é uma figura que fala com os olhos, de pouquíssimas palavras, o que nos reforça a máxima de que a pretensão da música é ser silêncio.” Antes disso, o estilista havia sido surpreendido com a foto de Milton chorando vestindo a capa.

“Se nasci e segui a profissão até hoje foi para isso, por todo o significado que o projeto traz. Não é só a luz sobre a carreira de um músico grandioso, de um poeta da música brasileira, mas também pelo momento por que a nossa cultura passa, tão demonizada nestes tempos”, finaliza Ronaldo Fraga.




Texto extraído de: https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/05/23/interna_cultura,1368272/ronaldo-fraga-poe-vereda-e-sertao-no-figurino-da-ultima-turne-de-milton.shtml
Fonte Imagem:
https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/05/23/interna_cultura,1368272/ronaldo-fraga-poe-vereda-e-sertao-no-figurino-da-ultima-turne-de-milton.shtml
https://elle.com.br/amp/milton-nascimento-ronaldo-fraga-2657357457

O figurino da Última Sessão de Música de Milton Nascimento

Ronaldo Fraga mostra detalhes de figurino de última turnê de Milton Nascimento




Estilista revelou a inspiração por trás de sua criação. 'Nem de longe sonhei que um dia vestiria o xamã, o Deus da musica brasileira e meu maior ídolo de todos os tempos. Ele pode tudo, inclusive decidir a hora de fazer seu último show'.

Ronaldo Fraga usou suas redes sociais para mostrar detalhes do figurino de Milton Nascimento. O cantor pegou os fãs de surpresa ao anunciar que esta será a última turnê de sua carreira.

O estilista, por sua vez, compartilhou imagens dos looks que tem desenvolvido para o mineiro. Nas imagens é possível reparar que ele abusa de cores, bordados e formas geométricas nos "mantos" idealizados. Ronaldo também revelou sua inspiração para as roupas.

“O manto da apresentação para prestar conta a Deus no dia do juízo final", obra do sergipano Artur Bispo do Rosário, foi a minha inspiração para a criação do figurino da entidade @miltonbitucanascimento para o show de encerramento da carreira do mestre nos palcos", escreveu. "O “manto” do Bituca traz fragmentos da sua carreira e universo bordados num nascer do sol no grande sertão-veredas, e por baixo, um “fardão” para um imortal com os mistérios da noite no sertão. Peças em linho bordadas pela mestra @stella_guimaraes123".

Milton anunciou shows em alguma cidades do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e também no exterior, como em Portugal, Estados Unidos, Itália e no Reino Unido.




Texto extraído de: 
https://revistamarieclaire.globo.com/Moda/noticia/2022/05/ronaldo-fraga-mostra-detalhes-de-figurino-de-ultima-turne-de-milton-nascimento.html

Fonte Imagem: 
https://revistamarieclaire.globo.com/Moda/noticia/2022/05/ronaldo-fraga-mostra-detalhes-de-figurino-de-ultima-turne-de-milton-nascimento.html


Milton Nascimento - A Última Sessão de Música

Milton Nascimento se despede dos palcos

Última Sessão de Música: Milton Nascimento inicia 'adeus' aos palcos


Assistir no Youtube




domingo, 11 de julho de 2021

Minas e Geraes - Um recorte na cultura e na história através de Milton Nascimento

 

O livro traz um panorama histórico da música popular brasileira no século XX, com enfoque específico nas décadas de 60 a 80. Em um texto de raro conteúdo, a obra compõe a análise partindo do acontecimento dos discos “Minas” e “Geraes” de Milton Nascimento, que retrataram a efervescência social e cultural vivenciadas naquela época.




Você sabe quem é Manoel o Audaz?

 

A turma do Clube da Esquina a bordo de Manuel, o Audaz, em lindo clique de Cafi. A foto é apresentada na seção de ilustrações ao final de Os sonhos não envelhecem.


É esse jipe ai de cima. Um Land Rover ano 1951.

Toninho Horta e Fernando Brant, fizeram esta música em homenagem a Manuelzão, personagem de Guimarães Rosa, em Grandes Sertões Veredas.

Só que o Audaz, no caso, era um jipe amarelo, que enfrentava os sertões de Minas Gerais, com voracidade e levava a turma do Clube da Esquina para todos os lugares. A música pode ser encontrada no segundo disco de Toninho Horta em 1981.


Texto extraído de: https://bardomuseuclubedaesquina.com.br/voce-sabe-quem-e-manoel-o-audaz/

Música e Teatro (Parte 5): Milton Nascimento Nada será como antes

 





Música e Dança (Parte 4): Maria Maria / O Último Trem - Milton Nascimento e Grupo Corpo (2002)

 




Entre o êxtase e a estase: a música de Milton Nascimento

 


O trabalho traz como tema a música de Milton Nascimento, sob a perspectiva da mística, tendo como norte os conceitos de êxtase e estase. Em primeiro lugar buscou-se fazer um breve estudo sobre as conexões entre música e mística. A partir daí foi realizado um estudo sobre o músico e sua obra, com a canção Ponta de Areia servindo de eixo. Com o intuito de ampliar a discussão e fornecer novos apontamentos, travou-se a iniciativa de desnudar a relação entre pesquisador e o tema em análise, trazendo à tona aspectos pessoais, fundamentando-se em DAMÁSIO. Paralelo a isso houve um empenho em dialogar com a música de Milton e a mística por meio da criação de uma composição, amparado em LOPEZ-CANO e OPAZO.



Fonte Figura: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2015/08/02/internas_economia,674427/ferrovia-bahia-minas-em-refaz-o-trajeto-da-linha-ferrea.shtml

sábado, 10 de julho de 2021

Coração Americano

 

Nada Será Como Antes, Cais, Nuvem Cigana, Trem Azul, Saídas e Bandeiras, Um Girassol da Cor de seus Cabelos, San Vicente, Cravo e Canela, Tudo que Você Podia Ser, eis algumas das obras-primas deste disco antológico, o Clube da Esquina, disco de Milton Nascimento e Lô Borges, de 1972.  Um grupo de músicos e compositores, encabeçado espontaneamente por Milton, realiza naquele ano um trabalho assombroso, que mexe com todos os parâmetros da cultura musical do país. É difícil, até hoje, apontar as origens daquelas composições. De onde saiu uma música como Cais, por exemplo? A melodia era nova, jamais sonhada antes. Não estava no samba, nem na bossa nova. E não apenas a melodia, mas também a rítmica, a harmonia, o arranjo (ouça o tema do piano no final da música) e a letra. Cada faixa apresenta o mesmo grau inacreditável de originalidade.

Pode-se imaginar algumas linhas de influência deste trabalho.Talvez Dos Cruces seja uma visita ao Sketches of Spain, da dupla Miles Davis e Gil Evans. É também a América Espanhola, que sempre esteve na cabeça musical de Milton. Daí temos ainda San Vicente. Quem nunca ouviu o bolero Dos Cruces em sua versão original, não imagina a transformação que Milton ali operou.
Em Me Deixa em Paz, do grande sambista Monsueto, temos, além da voz de Alaíde Costa, um violão espetacular do próprio Milton, recriando o samba de uma maneira inédita. Penso que esta gravação seja uma das maiores da história do samba. Há algo de Jorge Ben nela. No violão e no falsete com que Milton acompanha Alaíde. Temos aqui, em tudo isso, o atavismo do samba, o samba do quilombo, o ouro negro.
A balada Trem Azul, bem como as demais composições de Lô, mostram, com clareza, que havia mais do que a influência dos Beatles, em seu trabalho. Ele havia alcançado, antes dos vinte anos, o patamar dos grandes compositores. Suas músicas (nenhuma se parecendo com a dos Beatles) traziam novidade melódica e harmônica, dentro de uma forma impecável. Talvez Lô seja o maior compositor de sua geração, no mundo todo. Trem Azul tem uma certa atmosfera do Pink Floyd, mas sua construção é inédita. Poderia estar em Eric Satie, ou Debussy! No entanto, ele nos diz nesse livro, com o despojamento de sempre, que sua contribuição para a música de Milton foi o violão tocado com  palheta.
Algumas questões merecem atenção, quando falamos do Clube da Esquina, o grupo de músicos. Muitas vezes a crítica do eixo Rio-São Paulo o coloca como menos importante que o Tropicalismo. Este parecia, de fato, um movimento. “Eu organizo o movimento/ eu oriento o carnaval”, cantava esse poeta solar que é Caetano Veloso. Os tropicalistas lidaram com a música e com questões várias da cultura brasileira. O Clube da Esquina partiu da música para chegar na música. Não estava preocupado com as contradições musicais, tipo jovem guarda versus bossa nova. As contradições sociais e culturais – a bossa e a palhoça, o culto e o inculto, o preto e o branco, o erudito e o pop, a vanguarda e a massa, o nacional e o internacional - Milton as resolvia à sua maneira, em sua pessoa singular e com seus amigos.  O grupo portava, talvez mais que o tropicalismo, uma mirada planetária, onde cabiam grupos ingleses de rock, Miles Davis, música clássica francesa, polirritmia africana, a música brasileira de então (Tamba, Baden, Edu...) e sabe-se lá o que mais. Não foi um movimento, e sim um momento, em que as experiências musicais daqueles jovens se entrelaçaram.
Chico Amaral


Texto extraído de: http://www.chicoamaral.com.br/textos-prefacio.php?c=92

Os sonhos não envelhecem


Do começo ao fim é um livro que literalmente fala com o leitor, seja pelo depoimento voraz e arrebatador de Márcio Borges sobre a vida, a música, os relacionamentos e os sentimentos de milhares de jovens que, como ele, viram a brutalidade e a imbecilidade da opressão tomar conta do país entre os anos de 1960 e 1970. O livro traz uma curiosidade que não foi notada em seu lançamento, no início dos anos 90: uma personagem chamada Dilma, que veio a ser presidente da República. Por outro lado, Borges narra o surgimento de um gênio brasileiro, Bituca para os íntimos e Milton Nascimento para os brasileiros – o personagem central da obra. Nas entrelinhas, o autor também conta, com extrema habilidade, a história daquele movimento musical de jovens mineiros que correu o mundo. Os Sonhos Não Envelhecem está dividido em três partes: a Pré-História, seguido de História e a última Outra História, subdivididas em capítulos curtos e arrasadores. Para ilustrar, Os Sonhos conta com dezenas de fotos da turma, feitas nos bastidores do show bizz ou ainda na inocência de meninos e meninas que fizeram deste país um lugar melhor para se viver, pelo menos culturalmente. Segundo o editor da Geração Editorial, Luiz Fernando Emediato, a obra é comovente, sensível, capaz de fazer vibrar e chorar. “Márcio Borges nos surpreende com um livro extraordinário, misto de romance de geração e memórias de um Brasil conturbado e trágico, mas culturalmente muito rico”, conta Emediato. “Milton Nascimento é, sem dúvida, o personagem central deste depoimento maravilhoso de Márcio Borges, seu primeiro amigo, seu primeiro parceiro, a quem deve muito, talvez bem mais do que imagina – o menino-poeta que sabia fazer letras e aqui se revela escritor delicado e arrebatador, capaz de reconstruir com paixão e serenidade uma história alegre e triste da qual fizemos parte. Vale a pena ler, ouvir e emocionar-se”, completa. Além de Milton Nascimento, também há histórias de outros ícones da MPB como Lô Borges, Beto Guedes, Wagner Tiso e outros brasileiros, nesta obra de memórias de um tempo não muito distante. É um livro para quem gosta de história, de ler, sonhar e ouvir belas canções.


Dois lados da mesma viagem: a mineiridade e o Clube da Esquina



A obra de Milton Nascimento e do Clube da Esquina se tornaram, ao longo do tempo, referências estéticas essenciais para a compreensão da identidade do estado de Minas Gerais. Neste trabalho, procuramos inicialmente identificar alguns dos principais traços da história mineira e da formação de sua identidade, ou "mineiridade", e em que medida isso influenciou os integrantes do movimento. Para tanto, utilizamos teorias, sobretudo, de Zygmunt Bauman e de Stuart Hall, buscando as noções básicas sobre identidade, e aprofundando em estudiosos como Helena Bomeny e João Antônio de Paula a questão da identidade mineira. Em seguida, buscamos salientar quais elementos dessa mineiridade foram abordados por esse grupo de músicos, na forma e no conteúdo das canções estudadas. Também partimos do pressuposto que a evocação da memória de Minas feita pelo Clube da Esquina se deve, principalmente, a um esforço de se posicionar contra o projeto da ditadura militar. Para isso, utilizamos idéias de teóricos que abordam a questão da memória, como Walter Benjamin e Ecléa Bosi. Dessa forma, não só tentamos distinguir os principais questionamentos que emergiram desse corpus e das teorias utilizadas, mas também buscamos as respostas que nos parecessem mais elucidativas acerca do desenvolvimento e presença da mineiridade na obra do Clube da Esquina.

“Nuvem no céu e raiz” - Romantismo Revolucionário e Mineiridade em Milton Nascimento e no Clube da Esquina (1970 – 1983)


“Clube da Esquina” é como ficou conhecido um grupo de artistas, em sua maioria mineiros, dentre eles: Milton Nascimento, Wagner Tiso, os irmãos Márcio e Lô Borges, Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Toninho Horta, etc. Na década de 1970, o Clube ganhou reconhecimento nacional e internacional ao trazer, para o grande público, conteúdos estético-ideológicos que, por meio de novos processos de hibridação, combinavam música brasileira e estrangeira. Herdeiros do romantismo revolucionário da década de1960 e seu movimento de “ida ao povo”, Milton e o Clube fizeram da mineiridade uma personificação do romantismo. No entanto, ao mesmo tempo em que questionavam a modernidade capitalista, eles não deixavam de dialogar com alguns de seus elementos, propondo uma nova articulação entre o local e o global, o que lhes permitiria afirmar: “Sou do mundo, sou Minas Gerais”.


Fonte Figura: https://www.pipaprize.com/pag/artists/armando-queiroz/2017-nuvem-cigana-armando-queiroz/

A Sonoridade Específica do Clube da Esquina


 A expressão Clube da Esquina tem sido utilizada para se referir a um grupo de compositores, sobretudo cancionistas, na sua maioria mineiros, e instrumentistas que produziram um vasto repertório musical, principalmente na década de 1970 no Brasil. Tendo Milton Nascimento como personagem centralizadora, o grupo reúne dentre outros, Wagner Tiso, Márcio Borges, Lô Borges, Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Toninho Horta. Ligados por afinidades musicais e poéticas, tiveram a cidade de Belo Horizonte-MG como local de formação inicial, encontros e fomentação da criatividade. Apoiando-se no contexto de transformações que permitiram marcar épocas, grupos, lugares e/ou personagens no cenário musical brasileiro do século XX, propôs-se um estudo sobre o Clube da Esquina. Por mais que a sua produção venha sendo identificada, pela crítica, como um movimento musical, dizer que ela é identificável por apresentar uma sonoridade particular parece mais coerente. O objetivo desta pesquisa é promover uma reflexão estética acerca desta sonoridade, entendendo-a como resultante da combinação de elementos composicionais, de arranjo e interpretativos (características individuais dos instrumentistas, gravação e outros). Para isto, foi escolhido o disco Clube da Esquina, de 1972 (com suas 21 canções), como material sonoro por entender que ele é um dos trabalhos que melhor sintetiza as características específicas do grupo. 


Em busca do consenso: Milton Nascimento e a perda dos laços comunitários

  





Quatro décadas de “Minas” e “Geraes”. A dimensão política da obra de Milton Nascimento

 

O  objeto  deste  trabalho  é  a  produção  cultural  de  Milton  Nascimento  e  sua  dimensão  política nos álbuns “Minas” (1975) e “Geraes” (1976). O método utilizado é o da teoria crítica,  pelo  qual  essas  obras  serão  compreendidas  na  dinâmica  histórica  da  sociedade  capitalista brasileira na ditadura militar. As músicas serão analisadas, não só em suas características sonoras, mas também temáticas, com o objetivo de constatar uma complementaridade entre os discos. Pretende-se examinar se os sentimentos dos artistas, em canções como  “Fé  cega,  faca  amolada”,  “Saudades  dos  aviões  da  Panair  (conversando  no  bar)”,  “Menino” e “O que será (à flor da pele)”, estavam em sintonia com os dissabores e as esperanças do povo brasileiro de então.

Para acessar o artigo na íntegra: 
https://revistas.ufg.br/fcs/article/view/42382/21341


Minas e Geraes: Milton Nascimento, poesia e música na ditadura militar de 1964


Este trabalho pretende estabelecer os pontos pertinentes onde os traços da cultura produzida pelos mineiros do movimento musical conhecido como ‘Clube da Esquina’ dialogam com os aspectos da arte global e do momento histórico da ditadura militar no Brasil. Serão abordados aqui dois LPs: ‘Minas’ e ‘Geraes’.