Mostrando postagens com marcador Cultura Gaúcha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura Gaúcha. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de agosto de 2022

Os Gaúchos - cultura e identidade masculinas no Pampa

 

"Esta obra, traduzida para o português de seu formato de tese de doutorado defendida em inglês, tardou trinta anos a vir a lume – e só pôde fazê-lo graças à riqueza do acervo amealhado pela autora ao longo de seus dois anos de pesquisa de campo. O resultado é uma verdadeira caverna de Ali Babá aberta à visitação e reflexão, tantos são os tesouros que ali reluzem.
A riqueza do trabalho etnográfico conduzido na campanha gaúcha (...) sobre os gaúchos é notável, sobretudo se pensarmos o quanto envolveu de coragem e perseverança (...) a aventura de enfrentar e adentrar um mundo masculino de fronteiras rígidas ciosamente defendidas por seus membros."
LUIZ FERNANDO DIAS DUARTE (Prefácio)

"O livro da Ondina Fachel Leal se deixa ler de modo tão agradável, tão envolvente, tão fluente, que de nada necessita para fazer sentido, ou melhor, para fazer sentidos, salvo a presença de uma inteligência aberta para penetrar nos mistérios da vida humana, neste caso aquela vida que ela encontrou na fronteira sul do Brasil, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai pampeanos."
LUÍS AUGUSTO FISCHER (Apresentação)


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Galpão Nativo - Homenagem a Glênio Fagundes - | TVE RS (27/03/2016)

Milonga e Forró: dois bailes populares

 

Todas as sociedades têm ao menos uma dança como herança, como uma autêntica e original expressão de sua cultura, ou seja, cada dança é parte da identidade cultural de um corpo social. No universo particular das chamadas danças de salão, a Milonga e o Forró são dois gêneros musicais e/ou de danças sociais que bem representam, respectivamente, a Argentina e o Brasil. Além disso, tanto em um como em outro país, os dois termos também são utilizados como designativos dos bailes ou locais onde se executam e dançam os gêneros musicais que levam essas respectivas denominações. A milonga, além de ser uma marca característica da música/dança argentina e uruguaia, tem também uma vertente no sul do Brasil, em particular no Rio Grande do Sul, onde é bastante apreciada, com algumas características próprias além daquelas originarias de suas irmãs argentino-uruguaias. O forró, por sua vez, como expressão cultural musical brasileira, está presente em várias capitais do velho continente, bem como habita a capital argentina, com grupos forrozeiros que apreciam esse gênero brasileiro. Este artigo tem como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre a Milonga e o Forró, de modo a verificar que estas manifestações culturais sejam identificadas como um dos indicadores de aproximação territorial de países do cone sul latino-americano: comportamento cultural, social e musical únicos. Este indicador mostra que estes povos encontraram - na maneira de dançar, de criar suas músicas e de formular encontros sociais - suas próprias expressões populares e de caracterização da identidade nacional.

Para acessar o artigo na íntegra: 

Música, nativismo e regionalismo na literatura sul-rio-grandense

 


O presente trabalho pretende discutir questões relacionadas à produção poético-musical do Rio Grande do Sul, realizando uma reflexão sobre as contribuições dos movimentos culturais do Estado para a divulgação, preservação e propagação da cultura gaúcha, bem como analisar a importância desses movimentos enquanto espaço de produção poético-musical da cultura local. Para tal análise, a letra da canção é observada a partir de um conceito em que é considerada poesia e, portanto, manifestação literária. Ao longo do trabalho serão apresentadas várias teorias e visões distintas acerca do tema proposto buscando discutir a representatividade do homem do campo (e do contexto que o rodeia) nas manifestações culturais do Rio Grande do Sul, enfatizando as criações literárias relacionadas à poesia e à canção nativista. Pretende-se verificar a forma como são transpostos os traços característicos relativos à representação das personagens, tempo e espaço, e a organização do imaginário cultural que envolve a figura do gaúcho rural. A partir de então tenciona-se investigar como está representado, nos poemas e canções nativistas, o fator identidade local e/ou regional.



A historiografia da “música gauchesca”: apontamentos para uma História


Este trabalho propõe um olhar reflexivo e abrangente sobre a produção bibliográfica acerca da História da “música gauchesca”. No texto, tal historiografia é dividida em três fases de acordo com os preceitos estéticos e ideológicos que guiaram seu desenvolvimento nos últimos sessenta anos. Além disso, ainda são apresentados arquivos, desafios e possíveis alternativas para pesquisas futuras.



Canto Livre? O Nativismo gaúcho e os poemas da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul

 


 

Para acessar a dissertação na íntegra: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/93345

A música dos festivais nativistas do Rio grande do Sul como elemento fomentador da(s) à afirmação da(s) identidade(s) do povo gaúcho


A cultura do povo gaúcho se constitui a partir de elementos marcantes e determinantes na sua produção simbólica, seja na manifestação através da arte, seja no cotidiano dessas pessoas, que se distinguem pelo modo de falar, vestir, comer e na singularidade subjetiva da sua representação enquanto sujeito, agentes da construção de uma história cheia de dualidades que marcam as identidades características de um povo que se consolidou como derivado de uma miscigenação singular. Um dos elementos mais marcantes desse processo de identificação se materializa na música e na poesia produzidas pelos habitantes do sul do Brasil. Analisar com profundidade e atenção especial essa produção cultural como fenômeno social de relevada abrangência é o objeto desse estudo. Sobretudo a música e a poesia construída ao longo de mais de quatro décadas nos festivais de música nativista que preenchem os palcos do Rio Grande do Sul quase todos os finais de semana nos mais diversos rincões desse estado brasileiro. Estabelecer uma análise a partir da observação pela participação direta em alguns desses eventos, além de traçar um plano de trabalho para uma pesquisa social acerca da relação dessa produção cultural e artística com a afirmação cotidiana da(s) identidade(s) do gaúcho contemporâneo é o objetivo central desse trabalho. A pretensão aqui é demonstrar que a música nativista dos festivais do Rio Grande do Sul pode ser considerada como um elemento fomentador à afirmação da(s) identidade(s) do povo gaúcho e também se constitui como uma prática sociocultural relevante no contexto da cultura regional brasileira e latino-americana. Esse estudo também propõe pensar a música nativista dos festivais do Rio Grande do Sul como um importante instrumento para a construção de uma Epistemologia do pensamento produzido por um povo do sul e, a luz da interpretação psicanalítica, dialogando com outros campos do saber para estabelecer uma analogia entre o processo dessa construção artística e cultural com a afirmação do processo de identificação social e individual desse povo. Uma pesquisa social interdisciplinar que visa estabelecer um elo entre o saber da academia com a produção cultural dos palcos da música regional do sul do Brasil.



Música Nativista e Imaginários Gauchescos: sobre cantar opinando


De acordo com Lucas (1990), podemos entender a música nativista como um caso específico de regionalismo musical dentro das múltiplas expressões da música popular brasileira contemporânea; trata-se de um repertório de canções oriundo do Estado do Rio Grande do Sul, conhecido como “música nativista gaúcha”. Nota-se a presença de um trânsito musical entre os países do chamado Cone Sul latino-americano, apontando para a constituição de imaginários e audições de mundo acerca do que os sujeitos entendem como “cultura gaúcha”. Assim, o artigo pretende discutir a relação entre este tipo de produção musical no sul do Brasil e a constituição de imaginários gauchescos que perpassam diferentes territórios e  sonoridades.



quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Entre mates e guitarras - Nativismo e Tradicionalismo na cultura gaúcha

 


Quem quiser demonstrar a cultura gaúcha visualmente vai ter um retângulo cujas pontas ostentam cores diferentes com um dégradé em direção ao centro. No ponto mais eqüidistante das extremidades vai existir um matiz difícil de identificar a que lado pertence. Assim é a cultura do Rio Grande do Sul, composta por dois movimentos distintos, mas iguais. Há o tradicionalista que não compreende ou não gosta do nativismo e o nativista que não entende ou não aprecia os rituais do tradicionalismo. Porém há aqueles que, como no matiz central do quadro imaginário proposto, ora são interpretados como tradicionalistas, ora como nativistas. Transitam nos dois campos culturais com a mesma notoriedade e legitimidade. Luiz Carlos Barbosa Lessa, recentemente falecido, considerado o maior teórico do tradicionalismo, registra em seu livro Nativismo, que a cada trinta anos surge um novo "ismo". Menciona o gauchismo de Cezimbra Jacques em 1889, regionalismo por volta de 1920, o tradicionalismo em 1947 e o nativismo a partir da década de 70. Complementa o folclorista: em 2000 deve se cuidar para não haver o "barulhismo". Seu temor tem uma certa ponta de razão, mas ele não prevê o possível momento do centrismo na cultura gaúcha. 

Definir o tradicionalismo e o nativismo parece ser tarefa simples quando se lê as palavras num dicionário, contudo decifrar os movimentos representados por estes dois "ismos" é mais complexo. Saber quem são e o que pensam as pessoas que formam estes dois grupos que se complementam e às vezes se confundem requer uma análise mais profunda do que uma simples frase, muitas vezes preconceituosa. Entender o que pensam os membros destes dois grupos de indumentárias distintas e outras vezes tão semelhantes, é complexo. Decifrar estas duas tribos com guerreiros aquartelados nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) ou nos ginásios de esporte que viram cenários para os festivais, não é fácil. Conhecer as lideranças dos que ostentam cargos adquiridos através de eleições e dos que conquistam posições por meio de suas prestigiosas manifestações artísticas, é fundamental. É necessário recorrer à sociologia e à antropologia para tentar desvendar o mistério de uma divisão quase oculta e ao mesmo tempo tão declarada. 

O tradicionalismo gaúcho é um movimento organizado com uma estrutura hierárquica rígida e um mapeamento do Estado. É quase como um governo paralelo especificamente para o gerenciamento da tradição, mas não exclusivamente. Há uma questão humana intrínseca. Possui um presidente na capital, trinta coordenadores nas chamadas Regiões Tradicionalistas (RTs) e os patrões nos Centros de Tradições Gaúchas. Há cidades que possuem ainda uma associação das entidades, cujo presidente tem sua posição hierárquica estabelecida entre o patrão e o coordenador. Como primeiras-damas culturais existem as primeiras prendas em três modalidades e três níveis. As modalidades são mirim, juvenil e adulta e os níveis são as prendas das entidades, das regiões e do Estado. Um cargo surgido mais recentemente é o de Peão Farroupilha, nos mesmos níveis das prendas e nas modalidades de piá e adulto. Todos são uma espécie de relações públicas do tradicionalismo e conquistam seus cargos num verdadeiro vestibular cultural. Ao contrário do nativismo, há uma rigidez quase militar no tradicionalismo no que tange a indumentária. Chega em alguns casos no limite de que a imagem vale mais do que o conteúdo. 

O nativismo gaúcho não é uma entidade e sim um movimento cultural cuja união está na identificação pessoal e na semelhança de produção artística de seus membros. Os líderes são os artistas e os organizadores de festivais, mas não há uma hierarquia estabelecida entre eles. Ambos possuem associações independentes na expectativa de uma organização maior, porém não se pode comparar com as diretorias e patronagens do tradicionalismo. Os guerreiros desta tribo são os admiradores da música nativa, da poesia gaúcha e da pajada rio-grandense. Seguem seus ídolos, mas não lhes dão exclusividade. Aplaudem e consomem o produto cultural dos que mais se identificam. Vão aos festivais com o mesmo entusiasmo com que frequentam os CTGs. Há migrantes entre os grupos, contudo pode-se afirmar independente de qualquer pesquisa de que o tradicionalismo municia o nativismo com maior contingente de pessoas do que o contrário.

Se há diferença organizacional entre eles, há semelhança sentimental. Ambos sustentam seus discursos ideológicos no amor à Terra. Tradicionalismo e nativismo cantam as belezas da querência, envergam indumentária típica, demonstram, cada um à sua moda, amor pelo Rio Grande do Sul e são sustentados pelo concurso. Embora nesta demonstração de apego ao pago, o tradicionalismo dance mais do que cante e o nativismo quase que exclusivamente cante, este ano o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) cria um festival de música que abrange todas as RTs, o que significa uma mobilização estadual. 

Pela visão antropológica, ambos os segmentos são agregadores da família e do grupo local. Possuem a linguagem dos signos herdada de ancestrais. Falam do seu mundo com a dimensão de seu conhecimento. São responsáveis pelo crescimento da auto-estima do povo rio-grandense e grandes propulsores da economia estadual. Enquanto o tradicionalismo estuda o folclore e a tradição, o nativismo está mais voltado para a manifestação folclórica. O primeiro define o corpus de sua atuação dentro do que estabelece como tradicional e folclórico e o segundo busca universalizar estes dados com enfoque poético-musical mais abrangente e inovador. 

As pontas de cores distintas do quadro imaginário que define a cultura gaúcha se debatem nesta questão. Os mais entusiastas do tradicionalismo julgam que o nativismo está deturpando a cultura gaúcha e os vanguardistas do nativismo acusam os tradicionalistas de serem responsáveis pelo saudosismo cultural. Já os que são representados pelo matiz dégradé, visualizam o somatório do poder cultural que os dois movimentos proporcionam para o engrandecimento espiritual dos habitantes do Estado. Juntos, eles mobilizam mais de um milhão de pessoas. Isto só no Rio Grande do Sul, haja vista que a cultura gaúcha está presente em todos os estados brasileiros e fora do território nacional com grande representatividade. 

Barbosa Lessa, ao fundamentar o tradicionalismo afirma que "... as duas unidades sociais mais importantes como transmissoras de cultura são a família e o grupo local". Nos grandes centros populacionais urbanos os CTGs são os locais da fuga do individualismo das metrópoles. As pessoas buscam reencontrar o sentimento de grupo local, com os mesmos objetivos e atividades. 

A cultura gaúcha como um todo é provedora deste encontro familiar. A freqüência nos CTGs, rodeios e festivais normalmente é de três gerações. Estando os grupos de diferentes idades voltados ao mesmo objetivo, a herança cultural é legada com maior facilidade entre eles e o fortalecimento do regionalismo é mais pulsante. Encontrada no seio da cultura gaúcha, a família rio-grandense posiciona-se na defesa de seus mais íntimos anseios. Os pais acompanham o crescimento etário e cultural de seus filhos e os apóiam nos momentos de dificuldade como amigos da mesma entidade social, sem deixarem de ser exemplos e ídolos. Tanto que o rodeio crioulo, uma das atividades recreativas do tradicionalismo, institui o concurso de laço "pai e filho", incentivando a integração familiar. Da mesma forma acontece no nativismo quando um jovem sobe ao palco para defender sua música num determinado festival, toda a família oferece apoio à sua atuação. 

A sociabilidade familiar, um dos maiores problemas da comunidade mundial na atualidade, tem na cultura gaúcha um ponto de apoio importante. Seus exemplos estão presentes desde os CTGs dos mais remotos rincões até os da capital gaúcha. 

As lideranças de ambos os movimentos também mobilizam as famílias na questão organizacional. É comum encontrar casais participativos nos CTGs ou na organização de festivais de música ou poesia. Quando no grande grupo, em congressos do Movimento Tradicionalista Gaúcho ou nas reuniões da Associação das Comissões Organizadoras de Festivais de Música do Rio Grande do Sul, é uma grande família. Barbosa Lessa faz uma afirmação sociológica para o evento: "qualquer sociedade poderá evitar a dissolução enquanto for capaz de manter a integridade de seu núcleo cultural." Nestes encontros há o congraçamento de pessoas de todas as facções partidárias, todas as classes sociais, credos e cores. A cultura é o objetivo comum para o qual todos convergem suas dedicações. 

Embora isso aconteça na comunidade local, os comandos políticos, distantes do fato cultural, teorizam equivocadamente sobre a cultura gaúcha. Os da extrema direita e da extrema esquerda julgam que a estrutura das estâncias na cultura gaúcha, patrões e peões, seja ideologicamente a favor da primeira e contra a segunda. Ambos estão enganados, por que ela está acima disso. É uma característica atribuída ao meio de vida do rio-grandense. "O gaúcho é socialmente um produto do Pampa, como politicamente é um produto da guerra", afirma o pensador fluminense Oliveira Vianna em seu livro Populações Meridionais do Brasil. 

Nos festivais há uma comemoração da arte criada em relação aos temas, mais do que uma vinculação política que ela possa expressar, e normalmente as letras de música estão recheadas de defesa das questões humanas. O antropólogo rio-grandense Ruben Gorge Oliven registra em seu livro A Parte e o Todo - A Diversidade Cultural do Brasil-Nação-, algo comprobatório deste amor à arte acima de tudo. "... o que me chama atenção é o fato de o público aplaudir indistintamente músicas a favor ou contra a figura tradicional do gaúcho." E complementa: "Mas o público parece vibrar com todas; acho que, na realidade, as pessoas vibram com a celebração da identidade gaúcha."




Fonte:
http://www.mtg.org.br/public/libs/kcfinder/upload/files/EDITORIAIS/Tradicionalismo%20ou%20Nativismo.pdf

Expressões da cultura gaúcha

  

Este livro examina diferentes expressões da cultura gaúcha que ocorrem no Rio Grande do Sul, no resto do Brasil e na Argentina. Por meio de diferentes óticas, os autores examinam fenômenos como o tradicionalismo, a alimentação, o vestuário, as técnicas corporais, a literatura, a oralidade e a mídia nativa.


A Milonga e o Pampa: atravessamentos culturais entre Brasil, Argentina e Uruguai

 

Este artigo foi idealizado a partir de um seminário realizado na disciplina de Laboratório de Danças
Folclóricas do   Curso de   Dança –Licenciatura da   Universidade   Federal   de   Pelotas   (UFPel).   Este   estudo   propõe problematizar a Milonga dentro de uma perspectiva histórica e seus desdobramentos na cultura pampeana, mais especificamente nos contextos sul-rio-grandense (Brasil), uruguaio e argentino. Para essa pesquisa foi realizado um  levantamento inicial  em  Plataformas  Digitais com  o  objetivo  de  obter  trabalhos que  debatessem  a  temática proposta.  Foi  observada  uma  carência  de  estudos  que  abordassem  a Milonga,  principalmente  sob  a  perspectiva da  dança. No  âmbito  dos  materiais  encontrados, foi possível  perceber  a  significativa influência  do  Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) para a disseminação desta poética pelo Rio Grande do Sul. Por fim, é importante ressaltar  a  valiosa  experiência  proporcionada  pelo  seminário  realizado  na  disciplina  de  Laboratório  de  Danças Folclóricas,  pois  o mesmo  possibilitou  o  estudo  deum tema  relevante  para  a  discussão  de  temáticas  como cultura,   identidade   e folclore atentando,   neste   caso,   para   as   possibilidades   poéticas fronteiriças e   os atravessamentos culturais na Região do Pampa.

Para acessar o artigo na íntegra: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/1123/925


A história da milonga

 


A milonga também é chamada por ritmo rio-platense, porque é comum na área de Argentina, Uruguai e Rio Grande Sul. Embora o ritmo seja muito conhecido na Argentina, teve muita influência no Rio Grande do Sul, formando parte das tradições gaúchas.

O termo “milonga” vem de uma palavra africana que significa “palavra”, também fazem a relação às origens com alguns tipos de danças africanas que se dançavam entre um homem e uma mulher, o que também se tornou uma característica da milonga.

No início, a milonga era um tipo de poema cantado, onde as letras eram mais importantes do que a música. Quando este ritmo foi evoluindo, as músicas viraram mais complexas e um pouco mais rápidas.  Este ritmo surgiu no século XIX com os gaúchos argentinos e depois se introduziu ao Brasil pela fronteira com Argentina. Era uma música principalmente cantada pelos “payadores” acompanhados pela guitarra, logo depois se incorporaram instrumentos como a flauta, o piano e o violino.

A milonga foi influenciada por outros ritmos como o candombe, a mazurca e a valsa, e foi se formando o tango, ritmo que se tornou famoso mundialmente e foi evoluindo paralelamente à milonga. O termo milonga depois virou conhecido por ser uma dança, similar ao tango. Porém, o jeito de dançar milonga muda por regiões, por exemplo, a milonga rio-grandense gaúcha é uma dança calma.

Pelas influencias à dança, ela possui giros lentos entre outros cortantes, lembrando os ganchos e sacadas do tango. Em 1968 o conjunto Farroupilha gravou pela primeira vez uma milonga no Rio Grande do Sul, “A Milonga do Bem Querer”.

Na Argentina, o local onde as pessoas vão dançar tango, o salão de bailes, também é chamado de milonga. 


Texto extraído de: https://www.reporterriograndense.com.br/2019/04/a-historia-da-milonga.html


Milonga: o poema e a música na tradição gaúcha

 


Estilo musical e de dança tipicamente gaúcho, a Milonga é um dos ritmos mais apreciados no Rio Grande do Sul, tendo, desde seu surgimento até os dias atuais, se modificado, assumindo diversas variações. Conheça um pouco da história da Milonga no artigo de Andressa Zoi Nathanailidis!

Originária da Habanera, a Milonga é um estilo musical que nasce na Argentina, à segunda metade do século XIX, expandindo-se para Uruguai e Brasil, em função das proximidades fronteiriças.

No Brasil, o estilo integra a cultura gaúcha, tendo sido a primeira “milonga brasileira” gravada em 1968: a Milonga do Bem Querer, composição de Cláudio Pinto, cuja performance coube ao Trio Farroupilha, renomado difusor desse estilo musical no país. A composição serviu para inspirar muitas outras peças que atestam ser a Milonga, hoje, um dos ritmos favoritos no Rio Grande do Sul.


Tradicional execução em meio às “payadas“ – eventos de improvisação poética, nos quais a poesia oral é performada em conjunto com o acompanhamento de violão ou guitarra -, a Milonga é, geralmente, uma música escrita em compassos quaternários e desenvolvida por meio de tonalidades menores, com andamentos lentos.

Apesar disso, atualmente, a Milonga tem assumido diversas variações. Embora existentes em menor quantidade, tais variações chamam atenção por trazerem novas propostas, frutos dos hibridismos estabelecidos entre o modelo original e as múltiplas tradições conservadas no país.

Além da guitarra e do violão, hoje as performances integram também outros instrumentos, como, por exemplo, a flauta, o violino e a sanfona. Também já são conhecidas composições de ritmo um pouco mais acelerado, cuja inspiração parte de outros estilos, a exemplo do Candomblé, do Jazz e do Samba. Entre as variações há, inclusive, aquelas desenvolvidas em tonalidade maior que contam com escalas menores em sua estrutura, o que passa ao ouvinte a impressão dolente, de certa melancolia.

O termo “milonga“, cuja etimologia decorre do idioma bundo-congolense (presente em Angola e Congo, respectivamente), significa “palavra”. Além da canção popular regionalista, serve para designar a dança associada a tal estilo musical: geralmente instituída em passos lentos e largos, que se assemelham muito ao Tango argentino.


Texto extraído de: https://terradamusicablog.com.br/milonga-ritmo-gaucho-e-danca-2/


Botas de Garrão de Potro

 


É esse objeto rústico feito de couro das pernas de vacas, burros e éguas e sovado a mão em que o homem primitivo do campo  usava para proteger os pés.

Embora o nome seja bota de garrão de potro, na verdade, raramente eram feitas do couro de potros. 
Esse foi um dos primeiros calçados criado no século XVIII, fez parte da indumentária daquela época, eram usadas pelos índios (nossos nativos), pelos gaúchos camponeses, peões das fazendas, changadores (homens de negócios) e depois pelos tropeiros de mula, enfim, pelos povoadores do Pampa Gaúcho. Os ginetes costumavam usar esse tipo de botas que eram cômodas e baratas, facilitava a mobilidade dos dedos dos pés e adaptação da forquilha das esporas para se estribar. Também há botas desse tipo em que é costurado, fechado, na ponta do pé. 



Antes destas botas havia as “botas de vaca” onde a história comprova esta veracidade através da Ata do Cabildo de Montevidéu do mês de agosto do ano de 1785.


Sabemos que os animais cavalares sempre foram de enorme importância e valia, pois eles servem nas montarias para as tropeadas, nas lides de campo, nos rodeios, paras os transportes puxando carroças e charretes. Os cavalos foram úteis para os estafetas que eram os antigos entregadores de correspondências, também às parteiras. Os cavalos deram uma grande contribuição aos militares nos exércitos, nos patrulhamentos, nas guerras. A carne serve para o consumo humano e, por longa data, o couro desses animais foi matéria-prima que movimentou pequenas indústrias familiares dentre as quais as das botas.


Para a confecção desses objetos de meio pé, depois do animal morto,  tira-se um pedaço de pele  das patas através de um corte transversal na cocha e outro acima do casco onde na curva tem o talão que depois da bota pronta esse talão é aquela extensão da bota que fica junto ao calcanhar humano. Em termos práticos retira-se os restos de carne e as gorduras do couro e após secar é engraxado e sovado com paciência para as botas  ficarem macias e flexíveis e então já se pode calçar sem a necessidade de dar forma e, muitas vezes, sem o emprego da costura. A durabilidade dessas botas numa atividade constante gira, de acordo com o uso, num tempo compreendido de cerca de três meses. As botas garrão de potro, o pala bichará e o tirador eram indumentárias usadas pelos gaúchos de antigamente. 


Estribo de botão "pampa"

Os milhares de pares de botas de garrão de potro em sua difusão fizeram com que fosse aumentado o gado vacum e o número de animais cavalares o que impulsionou a própria economia destas plagas sulinas.  


Hoje usa-se as botas garrão de potro mais para manter a tradição e com isto mantém-se viva a arte de trabalhar com couro e resgatar a cultura gaúcha. 



terça-feira, 19 de julho de 2022

SINOPSE DE LIVRO: Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul

  


Publicação de peso sobre a cultura gaúcha. Meu pai o adquiriu em 1986. Hoje está em minha biblioteca em que busco a todo momento entender o Brasil...