terça-feira, 23 de julho de 2024
Meu Tio, o Iauaretê (Guimarães Rosa, por Lima Duarte)
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
Olavo Romano, o eterno contador dos Casos de Minas
Nesta semana fui arrebatado pela memória das coisas da terra e das pessoas. Este rio sempre navegou em mim, contudo inexplicavelmente de tempos em tempos ele transborda, invadindo as margens e inundando todo o sentimento...
Na ribeira deste rio, penso nas pessoas, aos meus que navegaram rio-abaixo e que um dia encontraremos em uma grande festa no ponto de encontro rio-mar...
É onde cultura, pessoas e lugares se encontram. Na parede da memória guardo um livro que acompanhou minha vida. Conhecido em menino, Minas e seus Casos de Olavo Romano me encantou, me deixou hipnotizado.
Alguns anos depois, num mundo onde a internet ainda não era nem sonho, até hoje não sei como, consegui o contato por telefone com uma livraria e finalmente adquiri outro livro fantástico: Casos de Minas, lançado pela editora Paz e Terra. A capa de uma velha casa de fazenda me transportava para minha casa. Fotografia impactante que também assombrou Drummond. Minas Gerais tem dessas coisas... Década mágica de 1980 que trazia nestes livros o cheiro de Minas.
Muitos anos depois, tive a honra de participar do Projeto Sempre um Papo em Juiz de Fora ao lado do Olavo Romano. Emoção grande para aquele rapaz que ainda garoto viajava nas capas daqueles livros. Com o Grupo Amalé, cantamos Ribeirão Encheu, uma Folia de Reis da região de Porteirinha, abrindo as porteiras, portas e janelas das pessoas de Minas. Honra minha de estar ao lado do Olavo e do Seu Antônio Macário, cantador e contador das coisas da vida...
Muitos anos se passaram e com espanto encontrei uma nova edição do Casos de Minas pela Paz e Terra. Mas faltava alguma coisa. A alma daquela casa velha não estava lá.
Agora, em Belo Horizonte neste mês de janeiro de 2024 não acreditei ao ver o relançamento do Casos de Minas, edição comemorativa de seus 40 anos (1982-2022), pois lá estava ela: a velha casa da fazenda servindo de abrigo para a nossa cultura tão desrespeitada e tão importante para nós. A companhia Caravana encarou a empreitada. Ao ver a velha casa fiquei estático e sorrindo, quieto. Era o reencontro de quem nunca realmente partiu... Mas nesta semana, juntamente com as chuvas de janeiro, este rio transbordou, me enchendo de lembranças e sentimentos. Como naquele impulso do garoto há quase quarenta anos atrás, hoje adquiri o livro pela internet. Um ciclo que se completa...
E num relance ao procurar pelo Olavo na internet, acabei de saber que ele se encantou há alguns meses. Não foi à toa a enchente deste rio. O barqueiro tem de suas sabedorias... Um filme de minha vida passou neste momento. Quem vive as coisas da terra se depara com estes acontecimentos. Segue canoa e leva o querido Olavo para junto dos seus, contarem estes eternos Casos de Minas. No rastro desta canoa ficou só sentimento...
Frederico do Valle, Belo Hoirizonte, 26 de janeiro de 2024
sábado, 6 de agosto de 2022
Música, nativismo e regionalismo na literatura sul-rio-grandense
https://dspace.unipampa.edu.br/bitstream/riu/627/1/TCC%20II%20-%20VERS%c3%83O%20FINAL%20II.pdf
terça-feira, 26 de julho de 2022
O harém das bananeiras - Carlos Heitor Cony
O harém das bananeiras é um conjunto de crônicas autobiográficas que
revela um pouco sobre quem foi o jovem Cony e como veio a se tornar um dos
mestres das nossas letras, e possui passagens divertidíssimas, como a história
que dá nome ao livro.
O conto regionalista: Do romantismo ao pré-modernismo
Esta antologia propõe oferecer ao leitor um panorama do processo de
formação do nosso conto regionalista, numa trajetória que se estende do
pós-romantismo ao pré-modernismo, ou seja, grosso modo, de 1870 ao primeiro
quartel do século XX. O conto regional é apresentado em sua forma
característica: narrativas de casos e fábulas que se desenrolam na mata ou no campo.
E o homem do campo, que de início é objeto dos contos, passa finalmente a ser o
seu sujeito. Este volume explora, na linha do tempo, o conto regionalista a
partir de autores coetâneos; entre eles, dois prosadores regionalistas pouco
lembrados, como Lúcio de Mendonça (1854-1909) e Godofredo Rangel (1884-1951).
Viva o povo brasileiro - João Ubaldo Ribeiro
Obra que confirmou definitivamente o lugar de João Ubaldo Ribeiro
entre os maiores escritores de língua portuguesa, Viva o povo brasileiro foi
lançado treze anos depois de Sargento Getúlio. Consagrado pela crítica e pelos
leitores e considerado um dos mais importantes romances da literatura nacional,
o livro se volta às origens do Recôncavo Baiano para recriar quase quatro
séculos da história do país por meio da saga de múltiplos personagens. Viva o
povo brasileiro se desenvolve em grande parte no século XIX, mas também viaja a
1647 e avança até 1977. Nele, realidade e ficção se misturam para criar um
épico brasileiro com passagens heróicas e cômicas, tendo como pano de fundo
momentos decisivos para a história do país, como a Revolta de Canudos e a
Guerra do Paraguai. Como aponta em seu texto "Brava gente brasileira"
o professor de literatura João Luís C. T. Ceccantini, Viva o povo brasileiro é
uma espécie de ‘epopéia às avessas', em que a história do Brasil ressurge não
sob a perspectiva da ‘História oficial', mas pela ótica de personagens anônimos
do povo brasileiro. Na trama, o escritor segue as trilhas de um romance
popular, sem cair no "popularesco" ou no "populismo". E a
saída que encontra para produzir um texto acessível mas ao mesmo tempo de alto
nível literário é a da paródia e do humor." Traduzido para o alemão,
espanhol, francês e italiano, e vertido para o inglês pelo próprio autor em
dois anos de incomum e árduo trabalho, Viva o povo brasileiro ganhou em 1984 o
prêmio Jabuti e o Golfinho de Ouro, do Governo do Rio de Janeiro.
Riacho Doce - José Lins do Rego
À época da publicação deste livro em 1939, José Lins do Rego já era
conhecido como ficcionista brasileiro que concedera grande realce aos traços
regionais de nossa cultura, assim como Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos.
Em Riacho Doce, o escritor acabaria, de peito aberto, consolidando novos
contornos à sua magnífica trajetória literária.
O livro inicia-se
com as passagens da infância e
da adolescência de Edna, na Suécia. Num segundo momento, o qual ocupa a maior
parte do romance, Edna muda-se para o Brasil para acompanhar o marido Carlos,
que fora transferido para o litoral de Alagoas a fim de trabalhar na exploração
de petróleo. No ambiente paradisíaco de Riacho
Doce, Edna aproveita os banhos de mar e o encantador cenário repleto de belezas
naturais da região. Sua estada no litoral nordestino e sua vida seriam
radicalmente transformadas após conhecer Nô, pescador do lugarejo com quem
acaba se envolvendo amorosamente de maneira natural e intensa.
É importante
registrar que este enredo de José Lins de Rego é marcado por uma atmosfera de
romance que tem como pano de fundo belíssimas paisagens tropicais.
A edição da Global,
que tem capa ilustrada por Mauricio Negro, conta um texto de apresentação de
Ivan Marques, professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo
(USP). Ao fim, a edição traz um texto de Mário de Andrade sobre o livro de José
Lins, publicado no ano do lançamento de sua primeira edição.
Empório Brasil - Rolando Boldrin
Este livro traz histórias que retratam o rico universo do Brasil interiorano, povoado de personagens engraçadíssimos como o caipira esperto, o padre da roça, o bêbado e o moleque safado, sem contar as ´otoridades´ e as ´cumadris´, cheias de histórias para contar.
Três obras fundamentais da moderna dramaturgia brasileira - Ariano Suassuna
Auto da compadecida: O "Auto da Compadecida" consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".
A Pena e a Lei: Em A Pena e a Lei, Ariano Suassuna se mostra mais do que nunca um crítico severo das instituições que transformaram o “Brasil oficial” no país das elites, em detrimento do povo pobre do “Brasil real”. A peça, baseada na tradição popular nordestina dos cordéis e teatro de bonecos, vai do profano ao sagrado, do trágico ao cômico, misturando temas e linguagens na medida certa. Como boa farsa, expõe verdades dolorosas incitando o riso, ao passo que estimula a reflexão sobre a imperfeita justiça dos homens frente à infalível justiça divina.
Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta - Ariano Suassuna
O Santo e a Porca - Ariano Suassuna
A Farsa da Boa Preguiça - Ariano Suassuna
O Auto da Compadecida - Ariano Suassuna
Auto da compadecida consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Apresenta na escrita traços de linguagem oral e também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.
Tenda dos Milagres - Jorge Amado
Na Tenda dos Milagres, na ladeira do Tabuão, em Salvador, onde o amigo Lídio Corró mantém uma modesta tipografia e pinta quadros de milagres de santos, o mulato Pedro Archanjo atua como uma espécie de intelectual orgânico do povo afro-descendente da Bahia. Autodidata, seus estudos sobre a herança cultural africana e sua defesa entusiástica da miscigenação abalam a ortodoxia acadêmica e causam indignação entre a elite branca e racista. A história é contada retrospectivamente, em dois tempos. Em 1968, a passagem por Salvador de um célebre etnólogo americano admirador de Archanjo desencadeia um revival de sua vida e obra. Para a comemoração do centenário de nascimento do herói redescoberto, arma-se todo um circo midiático. Contrapondo-se a essa apropriação política da imagem de Archanjo, sua trajetória é narrada paralelamente como foi preservada na memória do povo: os amores, as polêmicas com os luminares da universidade, os confrontos com a polícia. Ao contar a história desse herói complexo, também conhecido como "Ojuobá, os olhos de Xangô", Jorge Amado traça um painel da cultura negra baiana e de sua resistência contra a repressão violenta a que foi submetida nas primeiras décadas do século XX, resgatando e exaltando manifestações como o candomblé, a capoeira, os afoxés e o samba de roda. Escrito em 1969, com a verve e a sensualidade habituais do autor, Tenda dos Milagres atesta seu amor à cultura afro-brasileira e seu humanismo radicalmente libertário. Foi adaptado com sucesso para o cinema, por Nelson Pereira dos Santos, e para a televisão, como minissérie da Rede Globo. Além do posfácio do historiador João José Reis, a nova edição traz ainda cronologia e caderno de imagens com fotografias, ilustrações e capas de edições estrangeiras do romance.
Dona flor e seus dois maridos - Jorge Amado
Um dos romances mais populares de Jorge Amado, levado com êxito ao cinema, ao teatro e à televisão, Dona Flor e seus dois maridos conta a história de Florípedes Paiva, que conhece em seus dois casamentos a dupla face do amor: com o boêmio Vadinho, Flor vive a paixão avassaladora, o erotismo febril, o ciúme que corrói. Com o farmacêutico Teodoro, com quem se casa depois da morte do primeiro marido, encontra a paz doméstica, a segurança material, o amor metódico. Um dia, porém, Vadinho retorna sob a forma de um fantasma capaz de proporcionar de novo à protagonista o êxtase dos embates eróticos. Por obra da fantasia literária de Jorge Amado e da intervenção das entidades do candomblé, Flor consegue conciliar no amor o fogo e a calmaria, a aventura e a segurança, a paixão e a gentileza. Lançada em 1966, esta narrativa ousada e exuberante, plena de humor e ironia, é uma saborosa crônica de costumes da Bahia da primeira metade do século XX e um retrato inventivo das ambiguidades que marcam o Brasil.
Teresa Batista cansada de guerra - Jorge Amado
No sertão de Sergipe, perto da fronteira com a Bahia, aos treze anos incompletos a órfã Tereza Batista é vendida pela tia a um fazendeiro pedófilo e brutal. Depois de estuprá-la, ele a mantém cativa em sua propriedade. Amadurecida precocemente, e do modo mais doloroso, a menina se tornará uma mulher valente e decidida. Tereza Batista é sem dúvida uma das mais fascinantes heroínas de Jorge Amado, talvez a mais completa e complexa, que reúne os atributos de todas as outras: a valentia de Rosa Palmeirão, a sensualidade de Gabriela, a doçura de dona Flor, a altivez de Tieta. As peripécias dessa heroína que "tinha aversão a badernas", que "não tolerava ver homem bater em mulher" são contadas por várias vozes. Um funcionário público, um pai-de-santo, a célebre ialorixá Mãe Senhora e até o poeta Castro Alves, retornado do mundo dos mortos, ajudam a relembrar e exaltar os feitos da protagonista. Um dos mais notáveis deles - ter comandado as meretrizes de uma cidade no combate a uma epidemia - é narrado à maneira de um romance de cordel, no capítulo "ABC da peleja entre Tereza Batista e a bexiga negra". Em outro episódio, ela lidera uma greve de prostitutas em Salvador. Em um terceiro, nocauteia um homem num cabaré de Aracaju depois de vê-lo bater na amante. Escrito em 1972, quando Jorge Amado tinha sessenta anos, Tereza Batista cansada de guerra atesta a maestria desenvolvida pelo escritor baiano ao longo de quatro décadas de literatura. No conjunto de seus romances, destaca-se como um dos mais vigorosos do ponto de vista político - fato ainda mais notável por ter surgido no auge da ditadura militar - e um dos mais ousados no terreno do erotismo. Além do depoimento de Lygia Fagundes Telles, a nova edição traz uma cronologia e imagens históricas da vida de Jorge Amado e das edições anteriores do livro.
Terras do sem-fim - Jorge Amado
Durante a guerra pela posse da terra na região cacaueira do sul da Bahia, os irmãos Badaró enfrentam o coronel Horácio da Silveira. A luta pela subsistência se entrelaça com intrigas políticas, relações amorosas, crimes passionais. Dois romances improváveis se destacam em meio aos tiroteios e tocaias: o do jovem advogado Virgílio e Ester, esposa do coronel Horácio, amor condenado a um desfecho sangrento, e o de Don'Ana, a valente filha de Sinhô Badaró, e o "capitão" João Magalhães, um embusteiro que se faz passar por engenheiro militar. Publicado em 1943, quando Jorge Amado tinha apenas trinta anos, Terras do sem-fim se tornaria um marco do seu "ciclo do cacau", que inclui Gabriela, cravo e canela, Cacau e Tocaia Grande, entre outros.
Cacau - Jorge Amado
Segundo livro de Jorge Amado, Cacau é narrado em primeira pessoa por um lavrador, filho de industrial decaído, que trabalhara brevemente como operário fabril. O pequeno romance é a saga de uma tomada de consciência social e política. Atesta o clima de polarização ideológica da época em que foi escrito e o entusiasmo revolucionário de seu jovem autor. Cacau inaugura também um dos veios mais ricos da literatura de Jorge Amado, o dos livros dedicados à rica e sangrenta história da região cacaueira da Bahia, imortalizada em obras como Terras do sem-fim; São Jorge dos Ilhéus; Gabriela, cravo e canela e Tocaia Grande. Neste apaixonado livro de juventude, com um vigor e uma urgência que o tornam encantador, encontramos alguns dos méritos mais louvados do autor, como o apurado ouvido para a fala popular; o trânsito pelos vários registros do discurso, do mais formal ao mais coloquial; o caloroso afeto por suas criaturas. Livro de denúncia e esperança, anuncia o grande romancista que conquistaria os leitores do Brasil e do mundo nas décadas seguintes.
Gabriela, Cravo e Canela - Jorge Amado
O romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela, um dos mais sedutores personagens femininos criados por Jorge Amado, tem como pano de fundo, em meados dos anos 20, a luta pela modernização material e cultural de Ilhéus, então em franco desenvolvimento graças às exportações do cacau da região. O eixo da história é a relação delicada e complexa entre as transformações materiais e as idéias morais. Com sua sensualidade inocente, a cozinheira Gabriela não apenas conquista o coração de Nacib como também seduz um sem-número de homens ilheenses, colocando em xeque a férrea lei local que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue. Publicado em 1958, Gabriela, cravo e canela logo se tornou um sucesso mundial.
Tocaia Grande - Jorge Amado
Publicado em 1984, Tocaia Grande descreve o processo de formação de uma cidade nordestina, nascida sob o signo da violência e da disputa de terras, em inícios do século XX. Depois de liderar uma tocaia contra o oponente de seu patrão, o jagunço Natário da Fonseca recebe alguns alqueires próximos ao palco da matança, onde passa a cultivar cacau. A chegada de comerciantes, prostitutas, tropeiros e ex-escravos ao local dá vida e contornos ao arraial. Personagens fortes, independentes e solitários - como a cafetina Jacinta Coroca; o negro Castor Abduim, conhecido como Tição Aceso, e o comerciante libanês Fadul Abdala -, encontram em Tocaia Grande um refúgio e o conforto da amizade. Com a prosa leve e bem-humorada de sempre, Jorge Amado relata a união profunda e os laços de afeto que se desenvolvem entre os habitantes de Tocaia Grande, e que serão responsáveis pelo crescimento do povoado e por sua resistência à pressão da Igreja e do poder político-econômico para se enquadrar no sistema coronelista.




























