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sexta-feira, 22 de julho de 2022

Viola Caipira: das práticas populares à escritura da arte (O avivamento no Brasil)

  


“Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte” retrata os percursos e o avivamento do uso da viola no Brasil a partir da segunda metade do século XX. O livro é resultado da tese de doutorado do músico, compositor, professor e violeiro Roberto Corrêa, um dos mais importantes nomes da viola do Brasil. Com fotos e ilustrações fartas, o autor compartilha muitas informações e suas reflexões em mais de 40 anos de lida com a viola.

Sumário:
- 1.Introdução
- 2.O panorama da viola do Brasil como prática musical no tempo, no espaço, no tipo
- 3.A viola da caipira: preconceitos, região, características, modelos, música;
- 4.As práticas musicais do caipira: os fazeres tradicionais e os novos fazeres;
- 5.O avivamento da viola caipira;
- 6.A escritura da arte;
- 7.Conclusão

Ver todas as 2 imagens Cantando a Própria História. Música Caipira e Enraizamento

 


“O nome de Ivan Vilela está associado, no mundo dos que amam nossa música popular, a um extraordinário virtuose da viola caipira, que não só nos deu a conhecer a melhor tradição do seu instrumento como compôs melodias de beleza e vibração inesquecíveis. A obra que o leitor tem pela frente desvenda a outra face de Ivan Vilela: o solista e compositor comparece aqui como o intelectual que pensa a sua arte e a situa no contexto maior das ‘culturas brasileiras’, como prefiro chamar a rede complexa de valores e formas vividas pelo nosso povo.” Assim Alfredo Bosi apresenta o autor e o livro no prefácio de Cantando a Própria História. Ivan Vilela estuda a evolução da viola desde suas origens árabes e ibéricas até os dias atuais, detalhando aspectos técnicos do instrumento, a riqueza de variações, as afinações, para em seguida voltar o olhar para o violeiro no processo de passagem da zona rural para a urbana. O livro é acompanhado do CD Paisagens, no qual o compositor executa músicas de sua autoria e de outros compositores.

Moda Inviolada

 


Embarque nessa incrível viagem que conta a trajetória da música caipira, desde suas origens até a atualidade! Ricamente ilustrado! Conheça mais sobre essa obra incrível: Parte 1 Veredas folclóricas: quem é o caipira, como surgiu a sua música e a sua poesia. Os tipos de viola caipira e as músicas e danças que ela inspirou, e outras manifestações típicas desta cultura. Parte 2 Música popular: como se formou a identidade do que hoje conhecemos como música caipira, e seus primeiros passos no disco e no rádio, com as primeiras gravações da turma do Cornélio Pires! Parte 3 Música de massa: como o caipira virou sertanejo, eletrônico e romântico. Conheça a história das principais duplas, de Tonico e Tinoco, Cacique e Pajé e tantos outros, até Leandro e Leonardo e Chitãozinho e Xororó. Parte 4 Entrevistas com grandes personagens da nossa música caipira, como Inezita Barroso, Tião do Carro, o jovem talento Rodrigo Mattos, e com o músico, violeiro e pesquisador Paulo Freire. Por que comprar este livro? Uma Pesquisa feita com Maestria Neste livro, Walter de Sousa investiga o gênero desde suas origens na cultura cabocla e as primeiras gravações de 1929, realizadas pelo divulgador e escritor Cornélio Pires. A obra acompanha ainda a influência de gêneros importados que a música caipira sofreu, como a guarânia paraguaia e a rancheira mexicana. Já no século XX, analisa o sucesso popular do sertanejo romântico e a conquista de um novo patamar pela música caipira original. Lindas Ilustrações e Fotos Raras O livro também contou com cuidadosa pesquisa iconográfica, trazendo ilustrações raras: fotos de congadas e moçambiques feitas por Mário de Andrade em pessoa, capas da extinta Revista Sertaneja, e capas originais dos discos das duplas de vários períodos da história da música caipira, e de diferentes tipos de violas!

quarta-feira, 6 de julho de 2022

RELEITURAS: Minas Gerais reconhece as violas como patrimônio cultural do Estado (15/06/2018)

Aprovado pelo Conep nessa quinta-feira, o Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais é o quinto bem registrado pelo Iepha-MG


O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural - Conep aprovou em reunião nesta quinta-feira (14/06) o Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais como patrimônio cultural imaterial. A preservação desses elementos tem grande importância pelos seus valores históricos, socioculturais e identitário para o Estado. O reconhecimento possibilita preservar, valorizar e compreender o universo das violas.

A importância desse registro é destacada pelo Secretário de Cultura Angelo Oswaldo, que vê no trabalho das equipes do Iepha-MG mais uma contribuição relevante para o reconhecimento e a salvaguarda do patrimônio imaterial mineiro. “É empolgante o número de músicos e luthiers envolvidos, cada qual revelando detalhes distintos de um verdadeiro universo de criatividade”, disse o secretário.

Para a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, os toques da viola ajudam a conhecer e reconhecer as diferentes Minas Gerais, com suas variadas regiões, crenças e valores, ao passo que sintetiza a essência cultural do estado ao se fazer presente em contextos os mais diversos. “Com o reconhecimento da importância da viola como patrimônio de Minas Gerais, inicia-se uma nova etapa no trabalho do Iepha que se volta, agora, para a construção de políticas públicas de salvaguarda e valorização do saberes e expressões culturais diretamente relacionadas à tradição deste instrumento tão ligado às tradições mineiras”, enfatizou Arroyo.

A diretora de Proteção e Memória do Instituto, Françoise Jean, ressalta que “a música da viola possui uma capacidade de mobilização de sentimentos, de ativação de memórias, de criação de conexão entre o mundo rural e a moderna metrópole, entre tempos passados e o presente, entre pais e filhos, entre a cultura profana e as expressões do sagrado”. Ela acrescenta ainda, que o ritmo da viola, ao assumir a função de mediadora de sentidos, apresenta claro valor de identidade e de memória para sociedade mineira.

Segundo a gerente de Patrimônio Imaterial do Iepha-MG, Debora Raiza, o som da viola compõe a paisagem sonora de Minas Gerais da mesma forma que nossos sotaques e sons característicos. “A viola está presente no Brasil todo, mas em cada lugar ela tem um espaço de reprodução próprio daquele contexto”, ressalta. Para ela, este é um momento de valorização dessa cultura tão importante para o Estado. “Em Minas Gerais, ela está presente em expressões artísticas como o Congado, a Folia, a Catira, a Roda de Viola, a Dança de São Gonçalo e o Batuque. Raramente essas expressões ocorrem sem a presença da viola”, afirma Debora.

O Registro dos “Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais” passa a integrar o conjunto dos bens culturais reconhecidos como patrimônio de natureza imaterial do Estado: O Modo de Fazer o Queijo Artesanal da Região do Serro (2002), Comunidade dos Arturos, de Contagem (2013), Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte (2014) e as Folias de Minas (2017).


Celebração


Para festejar esse grande momento da cultura mineira com o reconhecimento das violas como patrimônio cultural de Minas Gerais, violeiros e violeiras se reuniram na Praça da Liberdade. O show “Violas de Minas” contou com a participação de Pereira da Viola, Chico Lobo, Wilson Dias, Letícia Leal, dentre outros nomes. Quem esteve no evento ouviu folias, catiras, modas e outros ritmos da viola.

“Por ser mulher neste cenário, foi um privilégio representar, ali no palco, tantas pessoas. Um dia mágico que será celebrado por muito tempo. Todos que participaram deste processo, direta ou indiretamente, ajudaram a contar essa história”, falou Letícia Leal, representando as violeiras do estado.

Para Chico Lobo, o registro das violas é motivo de orgulho para todos os violeiros e violeiras, que estão em festa. “Para mim, violeiro que há 40 anos abraço a viola e a cultura de Minas Gerais, é uma emoção sem medida o reconhecimento da viola e seus saberes como Patrimônio Imaterial. É entender a alma de Minas, sua riqueza e a pureza nos braços da viola, instrumento tão fundamental nos fazeres e saberes de nosso povo e que se conecta com muito vigor com nossa atualidade”, enfatizou Chico. Ainda segundo o violeiro, quem vive da viola ou com a viola ficará mais motivado. “Um reconhecimento que vai gerar infinitos benefícios a todos”, completou.

A apresentação do show “Violas de Minas” celebrou a conclusão dos estudos sobre as violas e seu reconhecimento como patrimônio cultural de Minas Gerais, e foi realizado pelo Iepha-MG, com o patrocínio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais - BDMG.



Seminário


Em maio de 2017, como parte do inventário, foi realizado pelo Iepha-MG, o seminário “Violas: modos de fazer e o tocar em Minas”. Durante dois dias, no auditório do BDMG Cultural, se reuniram, para um grande debate, pesquisadores, violeiros tradicionais e pessoas que trabalham o tema. O seminário foi fundamental para delinear que o registro seria sobre os modos de fazer do universo das violas, suas linguagens e expressões musicais. Dos saberes, foram considerados tanto a preservação do conhecimento de tocar como o de fabricar a viola. Das linguagens, o código compartilhado das afinações e ritmos. E das expressões musicais, todas aquelas em que a viola está presente.
 

Resultados do Cadastro


Uma plataforma de cadastro foi disponibilizada no site do Iepha-MG, na qual foram cadastrados mais de 1350 violeiros e 90 fazedores de viola. Para fins de análise, foram considerados os cadastros realizados até o mês de janeiro de 2018, e, novos cadastros continuam a serem recebidos e a proposta é que a plataforma permaneça aberta continuamente.

O formulário de cadastro foi elaborado pela equipe da Diretoria de Proteção e Memória do Instituto com o auxílio de violeiros e construtores de viola, a partir de suas percepções e vivências. O mapeamento foi lançado em março do ano passado no site do Iepha-MG, e permanece disponível no endereço eletrônico www.iepha.mg.gov.br.

A partir das respostas do cadastro e de pesquisas de campo em várias regiões de Minas, foi feito um mapeamento dos fazedores e violeiros, identificando os muitos aspectos relativos às suas formas de tocar e de fazer a viola. além de um inventário das expressões e celebrações culturais que tem a viola como um dos elementos estruturantes.

Após a análise, identificou-se em Minas Gerais a existência de mais de 30 ritmos diferentes, a maioria pertencente ao universo de ritmos da chamada “música caipira”, com destaque para o Pagode. Alguns violeiros e violeiras também apontaram como ritmos Congado, Folia, Batuque, Catira, Cururu, Lundu e Chula, que se referem às bases rítmicas das expressões culturais correspondentes. Os tocadores também apontaram ritmos mais comuns no Norte de Minas, mais conhecidos como toques, tais como Inhuma, Ludovina, Lundu e Onça.

Quanto à distribuição dos violeiros no território de Minas Gerais, a primeira posição em que se concentram a maioria dos violeiros é ocupada pelas regiões do Sul/Sudoeste de Minas e do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, ambos com 21%. Em seguida tem-se a Região Metropolitana de Belo Horizonte - RMBH (19%), a Zona da Mata (8%) e o Norte de Minas, a Central Mineira e o Campo das Vertentes cada uma com 6%. As demais mesorregiões apresentaram um número consideravelmente menor de cadastros: Oeste de Minas e Jequitinhonha (4%), Vale do Rio Doce (3%), Noroeste de Minas (2%) e Vale do Mucuri (1%).

O resultado do mapeamento realizado pelo Iepha-MG contribuiu para a instrução do processo de Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais. Esse estudo demonstra a presença significativa das violas nas principais expressões culturais de Minas Gerais, dentre elas a Folia de Reis, bem cultural imaterial também registrado pelo Iepha-MG.



Texto extraído de: http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/noticias-menu/340-minas-gerais-reconhece-as-violas-como-patrimonio-cultural-do-estado
Fonte Imagem: http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/noticias-menu/340-minas-gerais-reconhece-as-violas-como-patrimonio-cultural-do-estado

Cadernos do Patrimônio: Violas de Minas

 



Viola caipira no Brasil: uma história da técnica artesanal e cultura popular

 

O presente estudo foca-se na trajetória percorrida pela viola caipira no Brasil, desde sua chegada com os colonizadores portugueses até os dias atuais; concentramo-nos em verificar a afirmação do músico Fernando Deghi: “Este é o século da viola”. Para isso, foram reunidas informações que apontam para o fato de a viola estar ou não em ascensão. Nossa perspectiva está pautada no viés da Luteria, e na Análise Dialógica do Discurso, com a teorias de Mikhail Bakhtin e o Círculo. 

O universo da viola caipira tem sido, até o final do século XX, objeto de pouco estudo. O instrumento chega ao Brasil no século XVI, mas se mantém em cenário não erudito, ganhando cadeira em conservatório de música apenas em 1985. Esse afastamento está mormente ligado ao fato de a viola caipira ter sido predominantemente um instrumento de uso popular, sobremodo das culturas de classe economicamente menos privilegiadas e distantes do modo de vida das cidades grandes sendo, não raras vezes, objeto de depreciação, sátira e desqualificação. Em 1930, com as primeiras gravações de músicas de viola e do interesse de emissoras de rádio pela música caipira, houve um primeiro período moderno de apreço ao instrumento. Nos anos 1980, surge um grande interesse na composição e execução de música instrumental para viola, abrindo assim o leque de uso da viola e atraindo novos personagens para essa história. 

Com o presente trabalho, argumenta-se que a viola está, sim, em ascensão. A trajetória da viola se dá em um ambiente musical majoritariamente monológico, abafando a sua voz, mas essa voz tem se fortalecido e talvez venha a se posicionar polifonicamente junto aos outros instrumentos. 



domingo, 4 de julho de 2021

Viola-de-cocho: o saber/fazer que dá ritmo às celebrações mato-grossenses

 

A viola-de-cocho (variante da viola regional brasileira) é um instrumento musical essencial nas manifestações culturais e celebrações tradicionais, notadamente dos municípios pertencentes à Região do Vale do Rio Cuiabá e Pantanal Mato-grossense, como o Cururu, o Siriri, a Dança de S. Gonçalo, o Boi-à-Serra e outras festas religiosas que acontecem, principalmente na zona rural. Tombado como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), esse instrumento musical é singular em relação à forma e sonoridade por possuir um formato piriforme, de tamanho aproximado de 58 cm a 78 cm de comprimento e 10 cm de lateral e composto de cinco ou seis cordas. O presente trabalho discute a relevância do modo de fazer da viola-de-cocho no que tange ao valor patrimonial, bem como o seu valor simbólico, o reconhecimento e valorização desses agentes culturais produtores desse saber para a formação e contribuição de uma identidade cultural.

Para acessar o artigo na íntegra: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/18117.pdf

Fonte Figura:  IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

domingo, 23 de maio de 2021

Viola caipira no Brasil: uma história da técnica artesanal e cultura popular



O presente estudo foca-se na trajetória percorrida pela viola caipira no Brasil, desde sua chegada com os colonizadores portugueses até os dias atuais; concentramo-nos em verificar a afirmação do músico Fernando Deghi: “Este é o século da viola”. Para isso, foram reunidas informações que apontam para o fato de a viola estar ou não em ascensão. Nossa perspectiva está pautada no viés da Luteria, e na Análise Dialógica do Discurso, com a teorias de Mikhail Bakhtin e o Círculo. 

O universo da viola caipira tem sido, até o final do século XX, objeto de pouco estudo. O instrumento chega ao Brasil no século XVI, mas se mantém em cenário não erudito, ganhando cadeira em conservatório de música apenas em 1985. Esse afastamento está mormente ligado ao fato de a viola caipira ter sido predominantemente um instrumento de uso popular, sobremodo das culturas de classe economicamente menos privilegiadas e distantes do modo de vida das cidades grandes sendo, não raras vezes, objeto de depreciação, sátira e desqualificação. Em 1930, com as primeiras gravações de músicas de viola e do interesse de emissoras de rádio pela música caipira, houve um primeiro período moderno de apreço ao instrumento. Nos anos 1980, surge um grande interesse na composição e execução de música instrumental para viola, abrindo assim o leque de uso da viola e atraindo novos personagens para essa história. 

Com o presente trabalho, argumenta-se que a viola está, sim, em ascensão. A trajetória da viola se dá em um ambiente musical majoritariamente monológico, abafando a sua voz, mas essa voz tem se fortalecido e talvez venha a se posicionar polifonicamente junto aos outros instrumentos. 

Para acessar a dissertação completa:  

http://repositorio.utfpr.edu.br:8080/jspui/bitstream/1/3831/1/CT_PPGTE_M_Schafhauser%2C%20Lucas%20Guilherme_2018.pdf