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segunda-feira, 18 de julho de 2022

O folclore negro do Brasil

  

A década de 1930 dá ensejo a estudos seminais sobre o negro no Brasil. Dentre eles, destacam-se os do médico antropólogo Arthur Ramos, um dos principais representantes de uma corrente nova que aponta traços positivos e universais presentes nas culturas africanas. Um tanto esquecidas, as obras do alagoano que contribuiu para a institucionalização das ciências sociais no país não parecerão estranha aos leitores de nossa época, marcada pela diversidade e interpretação das culturas. "O Folclore Negro do Brasil" remonta à nascente africana para resgatar, à luz da psicanálise e da psicologia social, elementos constitutivos da alma brasileira, desmontando estereótipos e preconceitos que pesavam sobre o negro e o africano, colocando em pé de igualdade o nosso folclore com o de outros povos.


Candomblés da Bahia

  

Edison Carneiro foi um dos últimos representantes - e dos mais notáveis - de uma geração que se debatia entre estruturas acadêmicas e a tradição empírico-vocacional desordenada, mas criativa, dominantes na sua época. Ele inicia com invejável modéstia e invulgar seriedade, na sua obra, uma nova linha metodológica nos chamados estudos afro-brasileiros. Em Candomblés da Bahia, Carneiro definiu um roteiro metodológico que, desde então, tem servido de guia básico para todos os pesquisadores que, a partir daquela monografia singular, vêm estudando os candomblés da Bahia e os cultos afro-brasileiros em geral. Desde 1948, quando foi publicado em sua 1ª edição, esse livro tornou-se um clássico e obra indispensável de orientação e consulta. Nela estão a organização social dos terreiros; sua economia; o simbolismo de sua linguagem e de seu ritual; as hierarquias míticas e o sistema de controle intragrupal.


quarta-feira, 6 de julho de 2022

"Salve Maria!": as distintas manifestações do congado na cidade de Ouro Preto (MG)

 

A presente dissertação de mestrado tem como objetivo identificar as distintas manifestações festivo-religiosas do Congado na cidade de Ouro Preto, no Estado de Minas Gerais, a partir do estudo etnográfico da história de formação da Guarda de Congado e Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia e da Guarda de Congo Manto Azul de Nossa Senhora Aparecida e São Benedito, identificando seus mitos fundadores, suas respectivas festas, seus aspectos ritualísticos e suas relações com as religiões de matriz africana. Enquanto manifestação cultural afro-brasileira, o Congado aparece para os integrantes das guardas como um espaço de construção de uma identidade positiva do ser negro diante das narrativas sobre o passado da escravidão em Ouro Preto, conferindo protagonismo e agência aos congadeiros e congadeiras que lutam por reconhecimento na cidade-patrimônio. Por meio do Congado, a pesquisa identifica a estruturação da cidade a partir da categoria do morro dos moradores, dos estudantes e do turismo, sendo essa teia de relações fundamental para a compreensão do projeto das guardas estudadas, suas narrativas de tradição e legitimação. Além disso, o estudo aponta para a rede de sociabilidade inerente às guardas de Congado como as viagens regionais e o sistema de pagamento de festa, indicando algumas das adaptações dessa rede diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Para acessar a dissertação na íntegra: 


Fonte Imagem: http://www.ouropreto.com.br/secao/artigo/festa-do-reinado-de-nossa-senhora-do-rosario-e-santa-efigenia
 

Reza cantada e tambores consagrados: Aspectos epistemológicos sobre o Congado de Lavras (MG), Brasil – Música, emoção e religião


 O Congado é um tipo de manifestação festivo religiosa onde bens simbólicos culturais africanos são rearticulados, recodificados e reinterpretados a partir da cosmologia católica e representados através de música, dança, texto e instrumentos musicais. É difundido pelo Brasil através de uma rede de contatos que compartilham a mesma estrutura ritual, sendo o fazer musical associado à mística e ao respectivo mito fundador, sobretudo pela “entronação” de Nossa Senhora do Rosário sobre um Tambor, e que permite a manutenção e a continuidade, no plano católico, do caráter sagrado dos tambores verificado em rituais religiosos africanos – comum entre os congadeiros de cada localidade que os interpreta à sua forma, gerando variedades peculiares de manifestação através de sincretismos e apropriações. Nesse contexto, a performance do evento resulta em um paralelismo temporal e  espacial, experiência mística onde humildes trabalhadores se transformam em reis, espíritos invocados se consubstanciam e, por fim, vivencia-se um momento de matizes culturais africanas. A pesquisa parte de um trabalho etnográfico multissituado na região das Vertentes (Minas Gerais/Brasil) realizado entre os anos de 2013 e 2016 e busca analisar a relação do fazer musical com o mito fundador e a dinâmica dos processos de negociação no âmbito da resistência das práticas culturais africanas, resultando em uma experiência religiosa.

Para acessar o artigo na íntegra: 


Fonte Imagem: https://www.geledes.org.br/congado/


domingo, 3 de julho de 2022

Um olhar sobre as Congadas de Minas Gerais

 

Não se trata de uma publicação densa, na qual a reflexão é instigada pelas palavras. De certa forma, é difícil classificar um livro que explora a eloquência das imagens, mas vai além do ensaio fotográfico. Não é uma obra poética – embora haja poesia e lirismo em muitas imagens; nem tampouco uma obra militante, de discurso social – ainda que a força da tradição afrobrasileira seja quase palpável em cada página. Talvez seja um pouco de cada e algo mais – um diário visual, através do roteiro do olhar de uma pessoa,impulsionada pela curiosidade intelectual e seduzida pela riqueza sensorial, que se aproximou, conviveu e compartilhou a manifestação do Congado em várias comunidades e com uma infinidade de pessoas.

Para acessar o livro na íntegra:
 




segunda-feira, 13 de julho de 2020

Congada do Serro de Minas ganha livro para se manter viva durante a pandemia

Texto extraído de:
https://www.pressenza.com/pt-pt/2020/07/congada-do-serro-de-minas-ganha-livro-para-se-manter-viva-durante-a-pandemia/

Crédito da Imagem: Tiago Geisler)


No momento em que o debate sobre o racismo, a intolerância e a ameaça do fascismo dão a tônica das manifestações populares em todo mundo, no Serro, cidadezinha do interior de Minas Gerais, o povo se ressente de não poder se juntar para celebrar a união – de brancos, negros e índios – em torno do rosário de Maria.

A festa do Rosário se tornou a manifestação cultural mais forte no Vale do Jequitinhonha, no interior mineiro e é uma página viva da história da formação do povo brasileiro.

Conta a lenda, que a Virgem do Rosário apareceu sobre as águas, e que os caboclos e os marujos cantaram em seu louvor e pediram para que ela viesse até eles. No entanto não foram atendidos. Mas, quando os negros foram até a praia  dançaram e rezaram, conseguiram que ela viesse até eles. Desde então, de acordo com a crença, a Santa passou a ser a protetora do povo negro.

A partir daí, todos os anos, entre os meses de junho e julho, a negrada, a caboclada e a marujada se juntam em festa para celebrar o Rosário de Maria.

Organizada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, é na congada, composta exclusivamente por homens, que se dividem em quatro grupos,  com seus elementos, para fazer a leitura de cada povo sobre sua fé. Todas as representações são carregadas de simbolismos, como a caixa de assovios, pífaros e caixas de couro, representando os gemidos dos negros.  A marujada  com as cores azul e branco e os instrumentos harmônicos, como violões, violas e banjos representando os portugueses.

Já os caboclos com seus saiotes de penas, pulseiras, fitas e arco e flechas inserem o elemento indígena na manifestação. E, há também os catopês, os homens negros e pobres com suas roupas de chita multicor e que tocam o reco-reco, tamborins e caixas de de couro.

É uma história de união, através da fé, que mais parece uma grande utopia, mas que é real e que há 181 anos, encanta moradores, peregrinos e visitantes da região. Os congadeiros são pessoas simples, como motoristas, serventes, agricultores, pedreiros, babás – essa gente, de um Brasil profundo, que merece e precisa ser reconhecida.

E foi mergulhando nesse universo, que a pesquisadora, ativista cultural e cantora, Daniela Passos, construiu o livro “Contas e Cantos do Rosário”. A publicação, ainda não lançada, reúne histórias e símbolos da festa, mas, fundamentalmente, memórias e afetos desse importante encontro social das pessoas da região do Serro.


Esse ano, em decorrência da pandemia da Covi-19, não haverá festa. Os cânticos e danças  dos congadeiros, no entanto, não ficarão em silêncio, pois, o livro é uma forma de dar eco à manifestação e manter a chama acesa para que tudo volte a ser como era, quando o perigo passar.

Daniela Passos é carioca e mora há sete anos no Vale do Jequitinhonha, próximo das nascentes da cidade do Serro – “o que me trouxe para o sertão mineiro foi justamente a Festa do Rosário, uma paixão arrebatadora e à primeira vista”.

Para manter viva a cultura e a tradição da festa, a autora decidiu publicar o material, justamente nesse momento tão importante e tão difícil para os congadeiros do Serro e, para isso criou uma campanha para arrecadar os recursos necessários para  a publicação. Os recursos serão usados para os custos de impressão do material e outra parte será revertida para os Congadeiros do Serro.

Quem quiser participar e adquirir o material pode contribuir até o dia 15 de agosto de 2020. Todas as informações sobre como participar podem ser acessadas nessa página ou no instagram.