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segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Criar, Cantar e Dançar: reflexões etnográficas do Guerreiro – folguedo alagoano

 


O Guerreiro é um dos vários folguedos existentes no Estado de Alagoas. A princípio, foi classificado como auto natalino, no entanto, pode ser manifestado no decorrer do ano. O Guerreiro é considerado pelos mestres e brincantes uma brincadeira católica, possuindo cinco partes principais: Abertura de Sede, Louvação ao Divino, Peças, Embaixadas e Despedidas. Cada brincante é responsável por um personagem, sendo encontrados nesta pesquisa: Rainha, Palhaço, Mateus, Lira, Embaixadores e as figuras, além do mestre e do contramestre. Este estudo etnográfico teve como interesse conhecer a realidade de dois grupos de Guerreiros, localizados na cidade de Maceió/AL. Os objetivos foram analisar como mestres e brincantes organizam internamente esta brincadeira e como se estabelecem as relações dos grupos com a sociedade, através do Registro do Patrimônio Vivo e dos convites públicos de eventos e apresentações. Procuro, neste trabalho, conhecer e refletir sobre como esse folguedo se organiza na contemporaneidade, seus valores simbólicos e seus compromissos. O estudo dos Guerreiros a partir de sua organização interna, através de meu convívio com os sujeitos envolvidos na pesquisa, me fez conhecer e refletir sobre as decisões, desafios e interações cotidianas do folguedo.



Fonte Imagem: https://projetoalagoas.com/a-alegria-e-representatividade-do-guerreiro/


segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Da preservação à inovação: a valorização da técnica tradicional como estratégia de incentivo ao processo criativo na tecelagem manual de Resende Costa-MG

  

O presente trabalho estuda a peculiar atividade artesanal de tecelagem manual de Resende Costa-MG, considerando abordagens que permeiam as suas configurações tradicionais, bem como, as suas condições atuais, pautadas no crescimento do mercado de artesanato. Segundo dados históricos, a atividade chegou ao município por meio dos portugueses, que vieram residir na região no século XVIII, e se difundiu entre as mulheres da época. Com o conhecimento repassado entres as gerações, essa tradição da produção têxtil foi aos poucos se desenvolvendo, ampliando suas demandas e se tornando fonte de renda para a maioria dos seus moradores. Dessa forma, ao longo dos anos, a fim de acompanhar esse crescimento que permeou o mercado, foram necessárias várias inovações no processo de fabricação. Algumas delas consideradas inevitáveis e necessárias, outras que comprometeram profundamente a originalidade das peças a serem vendidas. Devido a vários fatores, parte do processo tradicional da tecelagem artesanal foi deixada para trás, reduzindo a riqueza artística dos produtos. A maioria dos artesãos focou na repetição e no lucro, simplificando a composição das peças e descartando os “repassos” 1, ditos de execução mais complexa e utilizados pelas primeiras tecelãs da cidade. Diante disso, o principal objetivo deste trabalho é o reconhecimento da técnica tradicional da tecelagem manual, considerando as características do seu processo completo, como fonte indutora do processo criativo do artesão resendecostense atual. Acredita-se que esta ação trará mais consciência de seus moradores em relação à valorização da técnica e à sua importância como bem imaterial do município estudado. A pesquisa em questão apresenta um estudo de caso que, por meio de entrevistas e outros levantamentos em algumas instituições públicas municipais, analisou cautelosamente as condições atuais, buscando propostas condizentes com a realidade social e que são capazes de conciliar tradição e inovação dentro do mercado da tecelagem existente. Levando em conta a complexidade e amplitude do tema, no que diz respeito ao seu caráter social, artístico e econômico, pode-se afirmar que tal conteúdo se mostrou pertinente em relação à transdisciplinaridade, na medida em que, abarcou várias abordagens sobre arte, sustentabilidade e urbanidade.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Estrada Boiadeira, sua história, seus peões, e comitivas: do sul de Mato Grosso ao noroeste Paulista (1915 A 1940)

 


Esta dissertação aborda o modo de vida dos peões de boiadeiro na condução do gado durante sua passagem em comitivas pela Estrada Boiadeira, localizada entre o sul de Mato Grosso e o Noroeste paulista, especialmente entre os anos de 1915 a 1940. Os boiadeiros representavam parte dos trabalhadores ligados à pecuária, uma importante atividade econômica que proporcionou relações comerciais entre os estados de Mato Grosso e São Paulo. Montados em lombo de burros, esses homens atravessavam diversas paisagens em viagens que chegavam a durar meses, conduzindo grande quantidade de gado para as invernadas e frigoríficas do Estado de São Paulo. Desse modo, foram coletados relatos com antigos peões de boiadeiro e condutores que fizeram o trajeto pela Estrada Boiadeira, acompanhando histórias na tentativa de aproximar-se de seu cotidiano, de modo a considerar o significado dado pelas experiências vividas e as representações simbólicas que faziam pelas estradas. Outras fontes como letras de músicas e recortes de jornais também fizeram parte do material empírico para o presente trabalho. Assim, buscou-se descrever o universo cultural do condutor e peão de boiadeiro dentro da estrutura e cotidiano de seu trabalho, no qual se encontram as histórias de assombração, contadas nos pontos de pouso, as técnicas utilizadas no manejo do gado, as superstições, crenças e tradições que constituem sua identidade, de modo a ressaltar a experiência e os meios de sobrevivência nas comitivas de gado. Neste âmbito, a interpretação de dados proporcionou uma discussão sobre as adaptações no modo de vida desses sujeitos referente ao conhecimento adquirido nas viagens e sua influência deixada nos lugares por onde passavam. O estudo enfatiza a contribuição desses sujeitos não apenas na configuração social e econômica, mas também cultural da região do Noroeste paulista.



domingo, 31 de julho de 2022

Cheganças e Marujadas: De uma travessia imaginária a um porto seguro

  


O objetivo deste trabalho é apresentar a Chegança dos Marujos Fragata Brasileira como um grupo da cultura tradicional que oferece elementos que colaboram com a formação da identidade da comunidade de Saubara, por ser constituído das memórias coletivas e individuais das pessoas desse lugar, por fazer referências históricas de como essa Saubara foi importante para Independência da Bahia, demonstrar como a prática milenar da oralidade, o “boca a ouvido”, tem sido um dos principais veículos na preservação dessa manifestação e discutir como a política de patrimonialização, que reconhece as Cheganças e Marujadas como patrimônio imaterial pode colaborar para a sua preservação, sem transferir para o Estado a responsabilidade orgânica de preservação que pertence aos seus fazedores. Busco ainda evidenciar a música como elemento de memória, dando a ela o status de elo que dá unidade para os pilares trabalhados. Trazer um novo olhar acerca da religiosidade também constitui esse trabalho, uma vez que todas as retóricas antes existentes apontavam para a fé sob a perspectiva do colonizador.

Para acessar a dissertação na íntegra: 

"Santo não é Orixá": um estudo do discurso antissincretismo em integrantes de religiões de matriz africana

  


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quarta-feira, 20 de julho de 2022

Perfis femininos em livros infantis de Monteiro Lobato (1920-1940)



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Os Brasis de Monteiro Lobato: de Jeca Tatu ao desencantamento

 

Esta dissertação tem por objetivo analisar como a questão do progresso foi assumindo diferentes formas a partir das três fases do personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, e ponderar sobre dois momentos da obra do escritor: a construção do Jeca Tatu e a crítica ao progresso, contida em seus últimos trabalhos. Para tal, discute-se a questão sanitária, racial, da identidade nacional até chegar ao descontentamento com relação ao progresso e à modernidade, baseados no contexto histórico da virada do século XIX para o XX, que gerou um amplo processo de mudanças, das quais o autor participou. Valendo-se da literatura do período como fonte histórica para compreender os processos de integração e interação vivenciados por Monteiro Lobato e o grupo social do qual fazia parte, utilizamos artigos da Revista do Brasil, no período que vai de 1916 a 1925, e várias obras do escritor.



sábado, 9 de julho de 2022

Carybé e a construção da brasilidade: arte e etnografia para uma análise além das representações



Esta dissertação investiga o conceito de brasilidade na obra do artista argentino Carybé. Através de bibliografia, entrevistas e observações em campo- prioritariamente sobre arte e etnografia, pr-ocura-se entender a arte como uma categoria inseparável do contexto social. Partindo de temas como feiras, candomblé. e mitos. da cultura popular, localiza-se a arte de Carybé junto a produções da arte européia e latino-americana Através desta abordagem, são apresentados assuntos que estiveram em voga no século XX, principalmente a partir da década de 50. Nesta época, Carybé vem morar definitivamente na Bahia e firmar-se como um dos agentes culturais, através das representações, entre as camadas populares e eruditas. A partir de entrevistas e observações de campo em rituais no Rio de Janeiro e em Salvador, a investigação conclui sobre a importância do artista em institucionalizar aspectos religiosos indicadores de um estilo de vida nacional, uma vez que representativos de uma das correntes culturais mais marcantes na composição da identidade brasileira. O reconhecimento dado ao artista, em contrapartida, é rebatido pela sua adoção, por grande parte dos indivíduos envolvidos. no universo do candomblé, como uma das fontes e autoridades do que seria a tradição afro-brasileira Assim, a brasilidade é apresentada como uma decorrência da temática das pinturas de Carybé, uma vez analisada através de contextos sociais, materiais e simbólicos.

Para acessar a dissertação completa: https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/14137/1/537717


quinta-feira, 7 de julho de 2022

O caipira Chico Bento e a preservação do nacional na obra de Maurício de Sousa

 

A presente dissertação aborda como o mundo rural e o caipira são vistos na obra de Mauricio de Sousa. Através da análise dos quadrinhos de Chico Bento veiculados em revistas, o trabalho destaca como o mundo rural relaciona-se com o nacional, e como as histórias deste personagem são marcadas pela ideia de preservação e por uma lógica normatizadora.

Para acessar a dissertação na íntegra: https://tede.ufrrj

De Jeca a Bento: Identidade Nacional nos Quadrinhos de Mauricio de Sousa

 

É possível ou não falar de uma identidade nacional a partir de uma figura de Histórias em Quadrinhos? Em seu livro As palavras e as Coisas (1999),o filósofo Michel Foucault defende a tese de que a relação entre as representações e as coisas às quais estas se referem se transforma conforme a configuração de saber de determinada época a episteme, nas palavras do autor. As maneiras de narrar esta relação entre as imagens do mundo e seus correspondentes na realidade, a partir da qual estas se modificam, é o tema deste trabalho. Analisamos as histórias em quadrinhos do quadrinista Mauricio de Sousa, mais especificamente seu personagem Chico Bento, e a relação deste tipo de representação com o sentimento de identidade nacional brasileiro. Interessa-nos saber se o Chico é, de fato, a manifestação de algo tipicamente brasileiro , sendo igualmente um conceito em formação. A partir do caminho trilhado neste trabalho, nos foi possível determinar até que ponto pode-se afirmar quer o Chico congrega elementos que podem ser entendidos como próprios de uma brasilidade e como estes se relacionam com as potencialidades e os limites da representação da imagem.

Para acessar a dissertação na íntegra: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/3449


O Ethos do homem do campo nos quadrinhos de Chico Bento

  

Esta dissertação procura analisar a construção do ethos do homem do campo, a partir das histórias em quadrinhos do personagem Chico Bento, de Maurício de Sousa. Por meio de uma análise do discurso das narrativas que tratassem do modo de vida do campo e da cidade, buscou-se identificar os imaginários ssóciodiscursivos que ancoravam os argumentos e que constituiriam discursivamente o ethos do personagem e, consequentemente, o ethos do homem do campo brasileiro. Os objetivos principais foram: (i) identificar os imaginários sócio-discursivos utilizados para a construção dos ethé; (ii) analisar as estratégias discursivas do sujeito enunciador para reforçar a imagem do homem do campo; e, por fim, (iii) identificar as características do modo de organização do discurso narrativo e descritivo como fatores que contribuem para a construção da imagem do homem do campo. O quadro teórico metodológico utilizado foi constituído com base nas contribuições da Teoria Semiolingüística e nos estudos sobre os imaginários sócio-discursivos tratados por Patrick Charaudeau. Além disso, adotou-se como referência os estudos sobre ethos de Ruth Amossy. Por meio das análises, observou-se a construção de diversas imagens sobre o homem do campo, nos quadrinhos de Chico Bento. De maneira geral, podemos sintetizá-las como imagens de um homem ordeiro, trabalhador e responsável. Este homem fundamenta suas crenças nas doutrinas religiosas e na sua própria experiência, evidenciando assim uma forte presença de valores como a intuição e a sensibilidade, oposta à racionalidade apresentada pelos personagens urbanos. Campo e cidade são caracterizados como espaços sócioculturais divergentes e antagônicos; o primeiro é paradisíaco, quase um novo éden, aopasso que o segundo é marcado pela tecnologia, pela modernização, mas também por um consequente comodismo. É possível dizer que tratamos de uma construção de imagem simulada, isto é, um ethos forjado, uma vez que os universos de referência e ancoragem são diferentes.


Para acessar a dissertação na íntegra: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/ALDR-7PFPR4

Monteiro Lobato, Tia Nastácia e Emília: perspectivas discursivas da função autor



Francesa (AD), um olhar interpretativo sobre a autoria nas obras do Sítio do Picapau Amarelo de Monteiro Lobato. Partimos das concepções de autoria discutidas por Bakhtin (1997), por Foucault (2001), Chartier (2012) e Eco (1986), a fim de compreendermos como se dá a função autor na figura de Monteiro Lobato, como autor de sua obra infantil, fazendo dessa uma revolução na literatura infanto-juvenil no Brasil. Também buscamos compreender como, no contexto de suas narrativas, a personagem Tia Nastácia assume a função-autor e cria seus dois textos, os quais também revolucionam os rumos das histórias: Emília e Visconde de Sabugosa. Nessa perspectiva, consideramos tanto a relação do autor, como aquele que constrói, controla, inaugura e se torna responsável pelo discurso (FOUCAULT), como consideramos a relação autor enquanto princípio criador e produtivo do herói (BAKHTIN). Apoiados nas considerações sobre os conceitos de texto, enunciado, discurso e sentido, discutidos por Bakhtin, Foucault, Gregolin e Orlandi, pretendemos mostrar, a partir de enunciados da obra infantil de Lobato e de seus personagens, como a função-autor pode ser vista na relação entre Tia Nastácia, Emília e Visconde de Sabugosa e como essa relação reconfigura a imagem da personagem Tia Nastácia na obra de Lobato. Ao final, também apresentamos uma proposta de produção textual com marcas de autoria para os primeiros anos do Ensino Fundamental II, a partir do livro Memórias da Emília (1936).

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Monteiro Lobato e suas seis personagens em busca da nação

 

A presente pesquisa tem como objetivo perceber qual seria o “projeto” de nação – compreende-se nação como um projeto político social – na obra destinada ao público infantil de Monteiro Lobato (1882-1948), conhecida também como uma literatura pedagógica. Neste sentido, acreditamos na possibilidade de o autor ser visto como integrante da galeria dos nossos pensadores sociais, pois nossa hipótese é que em seu gênero literário infantil ressoa uma visão de país, um diagnóstico e um projeto de futuro para o Brasil. Desta forma, colocamos em discussão a possibilidade de tomar esta literatura como um elemento de compreensão da realidade social brasileira a partir da qual foi composta (nos anos 20 e 30 do século passado). Assim, pretendemos ver na obra de Lobato uma crítica à sociedade em que vivia, enquanto escritor que além de estar preocupado com as questões estéticas e lingüísticas do seu tempo, sempre esteve atento também em formular críticas à nossa “parasitia intelectual”, aos intelectuais e a elite que, segundo ele, assistia de braços cruzados aos diversos problemas de ordem social política e econômica, sem propor alternativas de mudanças.

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Monteiro Lobato e o Sítio do Picapau Amarelo: uma análise do pensamento geográfico

Ilustração original do Sítio do Picapau Amarelo de Manoel Victor Filho

A presente pesquisa tem como propósito realizar uma análise do pensamento geográfico embutido na visão do mundo de Monteiro Lobato em sua obra literária infantil. Com isso, promoveremos a inserção dessa obra na História do Pensamento Geográfico, buscando preencher uma lacuna nessa linha de pesquisa, que tem dado pouca atenção às obras desse gênero literário. Para analisar essa visão do mundo, amparamo-nos em Lucien Goldmann que propõe o estudo das obras-primas de literatura na perspectiva do método estruturalista genético. A partir de suas orientações, analisamos o contexto histórico vivido por Lobato e as correntes de pensamento que o influenciaram a propor uma reconstrução do espaço geográfico brasileiro, pautado na ideologia de sua classe social: a burguesia industrial. Esse panorama contextualizou a análise do discurso geográfico de Lobato presente em três histórias: Geografia de Dona Benta (1935), O poço do Visconde (1937), A Chave do Tamanho (1942). Os pontos marcantes neste discurso são industrialização, integração e identidade nacional, exploração dos recursos naturais, potencialidades e problemas regionais, valorização da educação e da ciência, e uma visão ambígua do povo e do progresso, ora vistos com otimismo, ora com pessimismo, caracterizando a visão do mundo contraditória do escritor. Também detectamos nesse discurso uma Geografia pautada em concepções deterministas e darwinistas sociais e, eventualmente, uma postura possibilista, o que nos levou a crer que a obra infantil lobatiana refletiu a conjuntura da ciência geográfica da década de 1930.


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quarta-feira, 6 de julho de 2022

Viola caipira no Brasil: uma história da técnica artesanal e cultura popular

 

O presente estudo foca-se na trajetória percorrida pela viola caipira no Brasil, desde sua chegada com os colonizadores portugueses até os dias atuais; concentramo-nos em verificar a afirmação do músico Fernando Deghi: “Este é o século da viola”. Para isso, foram reunidas informações que apontam para o fato de a viola estar ou não em ascensão. Nossa perspectiva está pautada no viés da Luteria, e na Análise Dialógica do Discurso, com a teorias de Mikhail Bakhtin e o Círculo. 

O universo da viola caipira tem sido, até o final do século XX, objeto de pouco estudo. O instrumento chega ao Brasil no século XVI, mas se mantém em cenário não erudito, ganhando cadeira em conservatório de música apenas em 1985. Esse afastamento está mormente ligado ao fato de a viola caipira ter sido predominantemente um instrumento de uso popular, sobremodo das culturas de classe economicamente menos privilegiadas e distantes do modo de vida das cidades grandes sendo, não raras vezes, objeto de depreciação, sátira e desqualificação. Em 1930, com as primeiras gravações de músicas de viola e do interesse de emissoras de rádio pela música caipira, houve um primeiro período moderno de apreço ao instrumento. Nos anos 1980, surge um grande interesse na composição e execução de música instrumental para viola, abrindo assim o leque de uso da viola e atraindo novos personagens para essa história. 

Com o presente trabalho, argumenta-se que a viola está, sim, em ascensão. A trajetória da viola se dá em um ambiente musical majoritariamente monológico, abafando a sua voz, mas essa voz tem se fortalecido e talvez venha a se posicionar polifonicamente junto aos outros instrumentos. 



"Salve Maria!": as distintas manifestações do congado na cidade de Ouro Preto (MG)

 

A presente dissertação de mestrado tem como objetivo identificar as distintas manifestações festivo-religiosas do Congado na cidade de Ouro Preto, no Estado de Minas Gerais, a partir do estudo etnográfico da história de formação da Guarda de Congado e Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia e da Guarda de Congo Manto Azul de Nossa Senhora Aparecida e São Benedito, identificando seus mitos fundadores, suas respectivas festas, seus aspectos ritualísticos e suas relações com as religiões de matriz africana. Enquanto manifestação cultural afro-brasileira, o Congado aparece para os integrantes das guardas como um espaço de construção de uma identidade positiva do ser negro diante das narrativas sobre o passado da escravidão em Ouro Preto, conferindo protagonismo e agência aos congadeiros e congadeiras que lutam por reconhecimento na cidade-patrimônio. Por meio do Congado, a pesquisa identifica a estruturação da cidade a partir da categoria do morro dos moradores, dos estudantes e do turismo, sendo essa teia de relações fundamental para a compreensão do projeto das guardas estudadas, suas narrativas de tradição e legitimação. Além disso, o estudo aponta para a rede de sociabilidade inerente às guardas de Congado como as viagens regionais e o sistema de pagamento de festa, indicando algumas das adaptações dessa rede diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Para acessar a dissertação na íntegra: 


Fonte Imagem: http://www.ouropreto.com.br/secao/artigo/festa-do-reinado-de-nossa-senhora-do-rosario-e-santa-efigenia