quinta-feira, 5 de março de 2026
Mitologia da Mineiridade: O Imaginário Mineiro na Vida Política e Cultural do Brasil Capa comum, de Maria Arminda do Nascimento Arruda
Noites Circenses: Espetáculos de Circo e Teatro em Minas Gerais no Século XIX, de Regina Horta Duarte
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
Olavo Romano, o eterno contador dos Casos de Minas
Nesta semana fui arrebatado pela memória das coisas da terra e das pessoas. Este rio sempre navegou em mim, contudo inexplicavelmente de tempos em tempos ele transborda, invadindo as margens e inundando todo o sentimento...
Na ribeira deste rio, penso nas pessoas, aos meus que navegaram rio-abaixo e que um dia encontraremos em uma grande festa no ponto de encontro rio-mar...
É onde cultura, pessoas e lugares se encontram. Na parede da memória guardo um livro que acompanhou minha vida. Conhecido em menino, Minas e seus Casos de Olavo Romano me encantou, me deixou hipnotizado.
Alguns anos depois, num mundo onde a internet ainda não era nem sonho, até hoje não sei como, consegui o contato por telefone com uma livraria e finalmente adquiri outro livro fantástico: Casos de Minas, lançado pela editora Paz e Terra. A capa de uma velha casa de fazenda me transportava para minha casa. Fotografia impactante que também assombrou Drummond. Minas Gerais tem dessas coisas... Década mágica de 1980 que trazia nestes livros o cheiro de Minas.
Muitos anos depois, tive a honra de participar do Projeto Sempre um Papo em Juiz de Fora ao lado do Olavo Romano. Emoção grande para aquele rapaz que ainda garoto viajava nas capas daqueles livros. Com o Grupo Amalé, cantamos Ribeirão Encheu, uma Folia de Reis da região de Porteirinha, abrindo as porteiras, portas e janelas das pessoas de Minas. Honra minha de estar ao lado do Olavo e do Seu Antônio Macário, cantador e contador das coisas da vida...
Muitos anos se passaram e com espanto encontrei uma nova edição do Casos de Minas pela Paz e Terra. Mas faltava alguma coisa. A alma daquela casa velha não estava lá.
Agora, em Belo Horizonte neste mês de janeiro de 2024 não acreditei ao ver o relançamento do Casos de Minas, edição comemorativa de seus 40 anos (1982-2022), pois lá estava ela: a velha casa da fazenda servindo de abrigo para a nossa cultura tão desrespeitada e tão importante para nós. A companhia Caravana encarou a empreitada. Ao ver a velha casa fiquei estático e sorrindo, quieto. Era o reencontro de quem nunca realmente partiu... Mas nesta semana, juntamente com as chuvas de janeiro, este rio transbordou, me enchendo de lembranças e sentimentos. Como naquele impulso do garoto há quase quarenta anos atrás, hoje adquiri o livro pela internet. Um ciclo que se completa...
E num relance ao procurar pelo Olavo na internet, acabei de saber que ele se encantou há alguns meses. Não foi à toa a enchente deste rio. O barqueiro tem de suas sabedorias... Um filme de minha vida passou neste momento. Quem vive as coisas da terra se depara com estes acontecimentos. Segue canoa e leva o querido Olavo para junto dos seus, contarem estes eternos Casos de Minas. No rastro desta canoa ficou só sentimento...
Frederico do Valle, Belo Hoirizonte, 26 de janeiro de 2024
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
A história da Pedra-Sabão em Ouro Preto
As cidades históricas são
essencialmente tradicionais. Elas buscam manter certas práticas nas quais elas
atravessam a história representando também um patrimônio. O queijo, a cachaça,
os móveis e a banda de rua marcam algumas cidades como o centro de referência
para muitas outras atividades.
No caso de Ouro Preto, é o
esteatito, ou a famosa pedra-sabão, que ocupa esse lugar. Lado a lado com
outros ofícios e costumes locais, o trabalho com a pedra influencia no turismo,
na economia, na tradição e na identidade da cidade.
Sobre esse mineral
A pedra-sabão se trata de uma
rocha metamórfica.
Sua origem está nos processos
físicos e químicos que ocorrem em uma determinada massa mineral. Ela é
encontrada nas camadas mais profundas da crosta terrestre. Ou seja, quando
submetido a uma determinada pressão, uma mistura de magnesita, clorita,
tremolita, quartzo e, principalmente, talco, dá origem à pedra-sabão.
O talco é um importante fator da
composição dessa rocha. Sem ele, ela não teria o nome que tem, porque sua superfície
não seria lisa e um tanto quanto aveludada ao toque. É só pegar em uma panela
de pedra-sabão para sentir que sua textura é bem específica.
Sua história no mundo
Acredite se quiser, mas a
descoberta da pedra-sabão não ocorreu em Ouro Preto.
Pode parecer engraçado, mas muitas
pessoas acreditam que nós só conhecemos essa rocha por causa de sua longa
tradição na região dos Inconfidentes. Tem tantos artigos feitos com ela, uma
infinidade de artigos nas boutiques, que dá pra entender quem tem essa ideia.
Mas uma pesquisa rápida na
internet sobre a pedra-sabão revela que ela já era usada antes de Cristo no
Oriente Médio.
Essa região também exportava o
material. E, ao longo dos séculos, a descoberta de suas características fez com
ela fosse utilizada em muitas lareiras na Europa e esculturas na Ásia Menor.
Sua capacidade de retenção do
calor é, assim como sua capacidade aguentá-lo, fantástica. Trata-se de uma
rocha muito resistente, motivo pelo qual nós a encontramos no Cristo Redentor.
Isso mesmo. Nessa escultura de cerca de 30 metros, erguida entre 1926 e 1931,
são placas de pedra-sabão que a revestem.
Em Ouro Preto
Aqui na sede do município não há extração de pedra-sabão. Existe apenas o tratamento dela e os artesãos que a transformam em artigos de venda e exportação. Esses artigos, em sua maioria, estão na Feirinha de Pedra-Sabão, no Largo do Coimbra.
As principais pedreiras que
abastecem o comércio da cidade estão no distrito de Santa Rita de Ouro Preto,
em Acaiaca, Ouro Branco e Viriato.
As famílias e a tradição
Muitas famílias estão ligadas ao
manuseio da pedra-sabão. Trata-se de um ofício passado entre gerações,
preservado pela continuidade dos valores tradicionais e pela possibilidade de
renda.
Há uma grande quantidade de
pessoas que vivem da fabricação de esculturas. Dentre elas, panelas, tabuleiros
de xadrez e dos muitos outros objetos em pedra-sabão. O turismo na cidade
estimula a comercialização desses objetos e muitos deles são levados para o
exterior. Lá fora, uma vez conhecidos, esses trabalhos passam a ser
encomendados em grandes remessas.
Isso porque o trabalho desses
artesãos, além de contar com muita qualidade, é credibilizado pelo legado de
Antônio Francisco Lisboa (1738 – 1814), o Aleijadinho.
Superando todas as limitações
físicas impostas por uma “doença misteriosa” que o tomou a partir de 1777, o
artista criou centenas de esculturas que ainda hoje estão disponíveis para a
visitação. Uma delas é a Igreja de São Francisco de Assis. O monumento recebeu
o projeto da fachada e vários adornos do artista.
Fonte Imagem: https://outrosrelatos.com.br/ouro-preto/historia-da-pedra-sabao-em-ouro-preto/
















