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sábado, 6 de agosto de 2022

O bombo e a caixa (Parte 2 - Final)

 Encontro da cultura latino-americana e brasileira

A Caixa (Tambor Pequeno)


  Não é apenas um instrumento de percussão classificado pela família dos membrafones, som produzido pela vibração da membrana (pele). Ele é consagrado por uma força que perpassa diversas culturas e chega a perder-se no imemorial. Associados aos ritmos do corpo e da natureza, os tambores foram meio de comunicação entre os homens e entre estes e seus deuses. Através dos tempos foram ganhando diversas formas, tamanhos e timbres. Às vezes tocados com as mãos livres, outras com o auxílio de baquetas. Por todos os lados do planeta, múltiplos são os seus sons. Segundo o “Dicionário de Símbolos”, de Jean Chevalier, sua simbologia é de importância sagrada no mundo inteiro. Aqui, em nosso país, os tambores são tão distintos e divinos quanto os povos que formaram a nossa nação; temos aqueles de origem indígena, os de origem africana, os de origem portuguesa e, junto destes, suas influências egípcias, gregas, romanas, árabes... Assim chegou, popularizou-se e criou identidades distintas, ou seja, em cada canto do Brasil seu toque é variado conforme as influências.
  
"Praticamente, toda a família de tambores foi para a Europa Ocidental através de contato Árabe, ou foi popularizada por esse meio. Por exemplo, o pequeno tambor (naker, timbale) que era chamado le tambour de Perses. O naker (originalmente naqqara) ou o pequeno tambor é um instrumento timpânico com um corpo duplo hemisférico tocado com baquetas de madeira..." (SALMAN, 1997, [s.p.]).

Esse tipo de tambor também é conhecido como “tambor provençal” por ser de grande uso na região da Provença em música popular e danças, após a Idade Média difundiu-se pela Europa (FRUNGILLO, 2002). Em Portugal, é considerado um instrumento popular e tradicional tocado junto a uma flauta por uma mesma pessoa, conhecido pelo nome de “Tamboril”. É tocado principalmente em festas religiosas, peditórios, procissões, padroeiros, presépios de Natal em caráter cerimonial e até litúrgico, e também em funções profanas e lúdicas.
  

A Caixa de Folia


 Caixas de folia são tambores de duas peles usadas em congados, reisados e moçambiques. Também chamadas "caixas de guerra" ou "caixas do Divino", são parentes próximas das alfaias de maracatu.
As peles, ou "couros" são esticadas por um conjunto de aros de metal, madeira e cordas. Cada caixa pode apresentar afinadores laterais - aros de couro, que podem ser deslizados para cima (deixando o som mais agudo) e para baixo (deixando o som mais grave).


 Esse tambor chegou ao Brasil através dos imigrantes das Ilhas dos Açores de Portugal com os “foliões” da Festa do Divino e pelas bandas militares. No Maranhão é feminino, conhecido como Caixas do Divino por serem mulheres as responsáveis por conduzirem todo o ritual da Festa do Divino tocando e cantando com esse tambor, elas são chamadas de Caixeiras do Divino na sua maioria mais de 50 anos e negras. Para cada ritual da festa como: Alvorada, cortejo, visitas das tribunas, levantamento de mastro, refeições, fechamento de tribuna, derrubada de mastro entre outros tem seus cantos e toques específicos.



Em outras manifestações populares sagradas no Brasil como a Congada, Moçambique entre outros é conhecido como caixa e na Folia de Reis como caixa de folia. Apenas no Maranhão esse tambor pequeno é conhecido por Caixa do Divino. 


2 Texto extraído da Monografia do curso de Pós-graduação em Capacitação Docente em Música Popular Brasileira- Universidade Anhembi-Morumbi –SP de Maria Cristina Bueno “Caixeiras do Divino” do Maranhão e as “Caixeiras da Guia” de Campinas uma experiência com a tradição popular (2008).




Fonte:
www.attambur.com/recolhas/tocadores
http://caixeirasdasnascentes.blogspot.com/p/caixa-do-divino.html
https://www.onjoangoma.com/caixa-de-folia-

Fonte Imagem:
http://caixeirasdasnascentes.blogspot.com/p/caixa-do-divino.html
https://pluralesingulares.wordpress.com/tag/folia-de-reis/
http://universopopular.blogspot.com/2006/08/alfaias-e-caixas-do-divino-caixa-de.html

O bombo e a caixa (Parte 1)

 Encontro da cultura latino-americana e brasileira


Bombo leguero

Bombo leguero é um instrumento de percussão do tipo membranofone, originário da Argentina. Seu nome, leguero, vem do fato de que este instrumento pode ser ouvido até duas léguas de distância (ou aproximadamente 5 quilômetros).

É produzido a partir de um tronco de árvore oco (geralmente corticeira), revestido com pele curtida de animais, como cabras, vacas ou ovelhas. Derivado do velho tambor militar europeu, possui um arranjo de anéis de couro nas extremidades para a fixação da pele esticada.

Faz parte da música folclórica da Argentina (zamba, chacarera, etc.) e foi popularizado por músicos como Los Fronterizos, Carlos Rivero, Soledad Pastorutti e Mercedes Sosa.

Com a proximidade cultural de Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, o bombo leguero foi adotado pela música nativa gaúcha e até os dias de hoje segue sendo um instrumento tradicional do estado.

Entre os músicos brasileiros que mais se destacam no uso do instrumento estão: Ernesto Fagundes e Kiko Freitas.




Documentário "Origens"

“Origens” é um curta com música, viagem e tradição. Ernesto Fagundes percorre o pampa e resgata uma história que começou na década de 1950 com seu tio Antônio Augusto “Nico” Fagundes. Nico esteve na Argentina e de lá trouxe dois bombos legueros ao Rio Grande do Sul.

- Os primeiros grandes tocadores de bombo leguero entre nós foram Glênio Fagundes e Bebeto Klotz. Lá por 1978 – diz Nico Fagundes – eu passava pelo Alegrete, e um sobrinho meu, guri ainda, se apaixonou pelo bombo que eu havia trazido. Ganhou o instrumento de presente e se tornou um virtuoso.

Ernesto Fagundes, desde os 10 anos, é íntimo do bombo leguero. Começou no Alegrete, apresentando-se em CTGs. Ainda adolescente estava em Porto Alegre, acompanhando pai, irmãos, primos e tios na divulgação da cultura gaúcha. Percorreu o Rio Grande do Sul, visitou boa parte dos CTGs brasileiros e também a América Latina, Caribe e Europa.
– Tocar bombo leguero – diz Ernesto – é a função do andarilho, anunciando quem chega e desbravando novos caminhos.


          
“Origens” foi rodado na Argentina, em Buenos Aires e Santiago del Estero, norte argentino; e depois no Brasil, em Porto Alegre (RS), com a participação dos integrantes da família Fagundes. No curta, eles relembram como surgiu a música “Origens”, tema de abertura do programa Galpão Crioulo/RBS TV. 



Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombo_leguero
http://wp.clicrbs.com.br/rbstvbage/2011/12/01/na-estreia-de-curtas-gauchos-%E2%80%93-exibicao-especial-ernesto-fagundes-e-o-bombo-leguero/?topo=77,,&status=encerrado

Fonte Imagem:
https://www.youtube.com/watch?v=jo6E56_eBbE
http://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2016/09/cadernos/panorama/522738-viagem-musical.html
http://wp.clicrbs.com.br/rbstvbage/2011/12/01/na-estreia-de-curtas-gauchos-%E2%80%93-exibicao-especial-ernesto-fagundes-e-o-bombo-leguero/?topo=77,,&status=encerrado

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Do folclore à militância: A canção latino-americana no século XX

  


Este livro apresenta uma análise comparativa inédita sobre a complexa relação entre música e cultura, política e sociedade, em três diferentes países da América Latina: Brasil, Chile e Argentina. O trabalho de pesquisa de quase uma década em arquivos de Santiago do Chile, Buenos Aires e São Paulo ampara a análise sofisticada da autora, que evidencia processos culturais e políticos muitas vezes semelhantes. A primeira parte da obra enfoca o lugar ocupado pelos estudos folclóricos, nos três países, mostrando como este movimento foi constituído e legitimado em cada um deles. A segunda parte enfatiza a complexa história de como o Movimento da Canção Militante na América Espanhola foi recebido, usado, transformado, executado e transmitido no Brasil, na segunda metade do século XX. O livro de Tânia da Costa Garcia inaugura, indubitavelmente, novos caminhos de pesquisa que estavam escondidos antes deste rico estudo comparativo.

domingo, 26 de julho de 2020

Gracias, Mercedes, "que nos ha dado tanto"

Por Paulo Vinícius

Duas das figuras que mais contribuíram para que eu me tornasse um internacionalista e pudesse me encontrar com a América Latina foram Mercedes Sosa e Pablo Neruda. Este pela prosa poética vertida em Confesso que Vivi, e aquela, "la negra", por tudo de arrebatador e pungente que há em seu repertório irretocável.




Como se hoje fora, recordo da saudade que senti de Neruda – estranha nostalgia de quem não se conheceu, lastreada em poesia. Tal sentimento se intensificou ao ouvir na voz de Mercedes Sosa os zambas, chacareras, os versos de justiça e amor, voando pelo espaço aninhados naquela voz vibrante, forte, inconfundível.
Foi assim, exposto a esta dupla influência que me vi repentinamente órfão da América Latina, lastimando-me por não a ter conhecido antes, inconformado e intrigado ante o paradoxo em que a proximidade geográfica não se faz amizade, conhecimento mútuo, identidade. E desde então isso mudou a maneira como me situava no mundo. Descobrira-me, malgrado tanto lixo que se nos empurra, enfim, latino-americano.
E o que Mercedes Sosa cantou me ensinou tanto! Meu portunhol bem ajambrado foi aprendido com ela, cantando e entendendo a rebeldia e o amor, a ânsia por justiça e a grandiosidade com que aquela tucumana afirmava nossa origem comum, nossa irmandade de história, povo e sonhos.
Ela dizia a simplesmente e dura realidade, que "a esta hora exatamente há uma criança na rua". Reinventou a geografia ao afirmar que "um verde Brasil beija meu Chile de cobre e mineral". Lembrou-nos em meio a tantas vicissitudes que "tudo muda e mudarmos não é estranho" ainda que "não mude meu amor por mais distante que eu esteja, nem a lembrança nem a dor do meu povo, da minha gente". Ademais, com os versos de Atahualpa Yupanqui, definiu para mim a amizade, ao mostrar-nos que temos "tantos irmãos que nem os podemos contar/, no bairro, na montanha/, no pampa e no mar/ cada qual com seu trabalho, com seus sonhos cada qual/ com a esperança adiante e as recordações lá de trás", "tenho tantos irmãos que nem os posso contar e uma irmã muito linda que se chama liberdade".
Versos assim se cravam no peito se os canta como ela cantava, ao clamar às massas empobrecidas, "irmão, dá-me a mão, venha comigo buscar esta coisa pequenina que se chama liberdade. Esta é a hora primeira e este é o justo lugar, em que com tua mão e a minha, irmão, havemos de começar. Olha adiante irmão, tua terra que te espera, sem distâncias nem fronteiras que a afastem de tua mão, sem distâncias nem fronteiras, nesta hora primeira em que o punho americano marque o rosto dos tiranos e a dor enfim vá embora".
Por tudo isto, quando ela veio a Brasília em 2008, senti que enfim chegava a oportunidade – que até desacreditava – de ouvi-la ao vivo, oportunidade que provavelmente fosse a última. E foi como um reencontro, essa sintonia tão estranha de fã, quando a ouvi erguer-se por cima da evidente fragilidade física pelas palavras de carinho e a voz inacreditável que venceu o tempo. E do meu lugar no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, depois de ir ao Chile, Cuba, Paraguai, Bolívia, Nicarágua e Venezuela, depois de ver os ventos de mudanças tão ansiados em seus versos se fazerem realidade, pude ouvi-la frente a frente, a dizer tão bem do Brasil, de nosso povo, cantando nossa música, aquela irmã argentina a declarar um amor tão sincero ao nosso país. Não foi em vão.
E agora que ela partiu, em paz consigo e com seus sonhos de uma intimorata e bela América Latina, não posso pranteá-la, apenas. Tenho na verdade é de lhes sugerir o único tributo verdadeiro para uma pessoa que dizia que "se cala o cantor, cala-se a vida, porque a vida, a vida mesma é toda um canto". Não podemos é permitir-nos não ouvi-la, pois assim permanece viva, tão necessária que é a iluminar os caminhos singulares em que a arte nos faz entender com uma profundidade total esta irmandade latino-americana, este amor aos oprimidos e o ódio às injustiças.
Conheçam Mercedes Sosa e partilhem do legado caudaloso de sua obra, das lições e do prazer de ouvi-la cantar, da poesia tão bem escolhida por uma intérprete que sabia o que dizer à mente e ao coração, uma irmã tucumana, argentina, latino-americana que, como a vida, pôde nos dar tanto.


Fonte: https://vermelho.org.br/coluna/gracias-mercedes-que-nos-ha-dado-tanto/
Fonte da Figura: https://www.youtube.com/watch?v=f59-ecN2FYg



domingo, 19 de julho de 2020

O canto latino-americano do Tarancón - Discografia



Pioneiro em mesclar música popular brasileira com a latino-americana, o Grupo Tarancón iniciou sua trajetória no inicio da década de 1970 e até hoje mantém seu principal meio de comunicação: O “boca a boca”.


Mesclar os sons de Violeta Parra e Chico César, de Atahualpa Yupanqui e Marlui Miranda, misturar chacareras argentinas, xotes, baião, bailecitos bolivianos, guarânias e huaynos peruanos, guajiras centro-americanas, rumbas, afoxés, são a marca do Tarancón junto com seu instrumental.


O grupo é composto de artistas de vários países da América Latina. Fundada na década de 1970, participou de alguns festivais. Sua música é influenciada por ritmos brasileiros, andinos,caribenhos e africanos.

O nome do grupo, Tarancón, era também o nome de uma mina de carvão na Astúrias, Espanha, que desabou, ocasionando a morte de onze trabalhadores (história contada na canção “En la mina el tarancón”).


Unindo instrumentos originados dos Andes como a quena (flauta de cana ou osso), a zampoña ou sicus (similar à flauta de pan), a tarka (flauta ortoédrica de madeira de uma só peça com seis furos, também conhecida como “anata” no norte da Argentina), o bombo leguero (bumbo de couro de ovelha ou guanaco), o charango (instrumento cordófono de 10 cordas ou mais feito com carapaça de tatu (chamado de “Quirquincho”) ou de madeira), ao violão e baixo acústico, o grupo fez uma síntese entre os sons do folclore e do cancioneiro latino-americano. Era acompanhado durante o show por Felix, pintor e irmão de Emílio de Angeles Nieto, que pintava as suas obras em telas de grandes dimensões (3,00 x 2,00 metros) no mesmo estilo retratado na capa do primeiro LP do grupo.


Os primeiros ensaios do Tarancón aconteceram no ano de 1972, e o primeiro disco foi gravado em 1976, chamado Gracias a la vida.


Faziam parte da primeira formação os músicos Miriam Miráh, Emílio de Angeles Nieto, Marli Pedrassa, Alice Lumi, Halter Maia, Jica Nascimento e Juan Falú. A partir do terceiro disco Sérgio Turcão entra substituindo Juan Falú. Da década de setenta até hoje, várias formações se sucederam.
Atualmente, o grupo é formado por Emilio de Angeles (flautas andinas, percussão e voz), Jorge Miranda (baixo, charango e voz), Ademar Farinha (flautas andinas, viola, charango e voz). Moreno Overá (viola, violão, baixo e voz), Lúcia Nobre (zamponha, percussão e voz), Jonathan Andreoli (Bombo leguero, bongô, caixa, cajón) e Natália Gularte (cajón, surdo, e efeitos percussivos).


Executavam canções de autores como os chilenos Violeta Parra e Victor Jara, os cubanos Pablo Milanés e Silvio Rodrigues, o argentino Atahualpa Yupanqui e os brasileiros Milton Nascimentoe Geraldo Vandré.

O Tarancón dividiu espetáculos com Mercedes Sosa, Milton Nascimento, Chico Buarque, Almir Sater, MPB 4, Angel Parra, Marlui Miranda, Raíces de America e outros.


Um dos momentos de destaque em sua carreira foi a participação do Festival dos Festivais da Rede Globo em 1985 com a canção “Mira Ira”, de Lula Barbosa e Vanderlei de Castro e defendida em conjunto com Lula, Miriam Miráh e Placa Luminosa – que venceu os prêmios de melhor arranjo e segundo lugar geral. Representaram a América Latina no Festival de Asilah no Marrocos em 1987.


INTERNET

Apesar do “sumiço” nas mídias “tradicionais”, os grupos foram redescobertos graças a dois fenômenos. “Há um público mais novo que nos acompanha, um segmento que gosta de trabalhos diferenciados, e os que vão para matar saudades e levam os filhos. O que também deu algum impulso foram as redes sociais e o Youtube”, comemora Míriam. Emilio de Angeles, do Tarancón, brinca. “Antes, (a plateia) era, digamos, mais estudantil, mas mudou muito. Hoje há uma meninada. É a quinta geração”. 



Discografia: Download

Gracias a La Vida (1976)
Lo único que Tengo (1978)
Rever Minha Terra (1979)
Bom Dia (1981)
Ao vivo (1982)
Amazona Vingadora (1985)
Terra Canabis (1986)
Mama Hue (1988)
Vuelvo para Vivir (1997)



Fonte:
http://operamundi.uol.com.br/dialogosdosul/dialogos-musicais-grupo-tarancon/01022014/
https://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2015/08/tarancon-discografia.html
http://hojeemdia.com.br/almanaque/criado-em-1970-taranc%C3%B3n-se-re%C3%BAne-ao-ra%C3%ADces-de-am%C3%A9rica-1.247667
http://df.divirtasemais.com.br/app/noticia/programe-se/2014/04/11/noticia_programese,148553/praca-sera-palco-de-shows-de-grandes-nomes-da-musica-de-resistencia-a-ditadura.shtml
http://tarancon.com.br/

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Grupo Raíces de América


O forte sentimento de uma história comum latino-americana produziu há duas décadas a expectativa de um grande grupo que apresentasse espetáculos intensos e bem produzidos para grandes platéias.

Em fins de 1979, o visionário empresário Enrique Bergen, argentino radicado no Brasil, teve a feliz idéia de formar um grupo de música latino-americana que se sobressaísse dos padrões corriqueiros da época, quando os grupos do gênero mantinham características primordialmente folclóricas em seus repertórios e formações.

Raíces de América é formado então por músicos argentinos, chilenos e brasileiros, e vêm caminhando lado-a-lado com o emergente interesse pela música e cultura latina.



Enzo Merino, Oscar Segovia, Julio C. Peralta, Isabel Ribeiro, Celso Ribeiro, Tony Osanah, Mariana Avena, Freddy Góes e Willy Verdaguer - A primeira formação do Raíces de América

Em 1980, tendo a lendária Mercedes Sosa como madrinha, o Raíces de América estreou em São Paulo, com direção de Flávio Rangel, um espetáculo maravilhoso que contava com performances e arranjos ricos e modernos, iluminação, figurino e cenografia elaborados especialmente para o show, e com declamações de emocionantes poemas da América na pele da atriz Isabel Ribeiro. Nos anos seguintes vieram produções assinadas por Mirian Muniz e Cláudio Luchesi. O Raíces de América conquistou imediatamente a simpatia do público brasileiro; especialmente os estudantes, na época engajados nos movimentos Abertura e Diretas; não somente pela inegável qualidade de seus músicos, interpretes e arranjos, mas principalmente pela arrojada concepção do espetáculo, que transitava por temas políticos, folclóricos, cotidianos e musicais da América Latina com extrema alegria, sensibilidade e bom gosto.

Tantos atributos renderam ao Raíces de América a confecção de onze discos, dez deles lançados pela Gravadora Eldorado e um pela Gravadora Copacabana. Em sua participação no Festival MPB Shell no ano de 1982, promovido pela Rede Globo de Televisão, conquistou o segundo lugar com a música Fruto do Suor, composta por integrantes do grupo, canção esta que se tornou verdadeiro hino para os imigrantes latinos radicados no Brasil. Realizou duas turnês pela Europa (Espanha, Holanda e Bélgica); destacando-se a brilhante participação no prestigiado Festival Ibero-Americano de Teatro de Cádiz (Espanha).

Ao comemorar dez anos de história, o grupo ratifica suas preocupações sociais, incorporando novos temas, como, o menor abandonado, o preconceito racial e a nova problemática da América do Sul, recém saída de duas décadas de ditaduras militares. Em 1995, no Memorial da América Latina, em São Paulo, acontece o histórico Concerto Latino, unindo as sonoridades do Raíces de América e da "Banda Sinfônica do Estado de São Paulo", corpo profissional da Universidade Livre de Música "Tom Jobim". É o grande recorde de público da Temporada da Banda Sinfônica.




 O novo milênio recebe Raíces de América completando 20 anos de carreira. Com o grupo cada vez mais olhando para o interior de sua América do Sul. Cantando, como sempre cantou e sempre cantará, a "esperanza de América", que emana de todos seus povos e suas tribos, a cada dia. A raça índia sempre nascerá!


Primeira Formação
  
Mariana Avena (voz)
Tony Osanah (voz e instrumentos)
Enzo Merino (instrumentos)
Willy Verdager (voz e instrumentos)
Oscar Segovia (percussão)
Júlio César Peralta (voz e violão)
Freddy Góes (voz e instrumentos)
Celso Ribeiro (voz e instrumentos)
Isabel Ribeiro (participação especial no primeiro álbum, declamando poemas)


Formação Atual

Willy Verdaguer (Argentino - baixista e maestro)
Miriam Miràh (Brasileira - voz)
Pedro la Colina (Chileno - voz e percussão)
André Perine (Brasileiro - Violão, Guitarra, Baixo e Charango)
Oscar Segovia (Chileno - baterista)
Tadeu Passarelli (Brasileiro - cravista, guitarrista, violonista, trombonista)
Chico Pedro (Chileno - Quena, Flauta-de-pã, Tarkas, Ocarinas e Flauta transversal)
Jara Arrais (Brasileiro - maestro e arranjador)
Jica (Brasileiro - percussão)


Galeria







Fonte:
http://www.raicesdeamerica.com/portu/sol3.asp

Fonte do Espaço Galeria na ordem sequencial da apresentação:
http://www.raicesdeamerica.com/portu/sol3.asp
http://www.sescsp.org.br/programacao/83165_RAICES+DE+AMERICA
http://www.raicesdeamerica.com/portu/cd4.asp
www.embrashow.com.br/
http://www.obaoba.com.br/evento/shows/raices-de-america-sesc-belenzinho-12-02-2016