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quinta-feira, 7 de julho de 2022

RELEITURAS: O fim do Boca Livre (jan 2021)

 

Em entrevista à Folha de Pernambuco, além de contar sobre sua saída, Zé enfatizou a surpresa de se deparar com os pensamentos contrários de um amigo de décadas e que ultrapassam uma “mera” opinião política. Maestro, agora segue sozinho depois que Lourenço Baeta e David Tygel também anunciaram a saída do grupo.


Vacina como gota d`água

Até então eu achava que conhecia uma pessoa  que se revelou outra. No grupo nunca tivemos problemas envolvendo política, só que neste momento, quando vi que o apoio a uma ideologia que faz apologia à tortura e ao preconceito, e com a pandemia, onde tudo ficou mais escancarado e o Maurício ainda apoiando.

A gota d’àgua foi a vacina, quando fomos convidados para gravar um disco e eu falei que toparia mas depois de vacinados e ele disse que não ia se vacinar.


Discussões acaloradas

Conversamos muito, discussões acaloradas. Tentei pensar só na música mas para mim uma coisa está ligada a outra. A causa não foi só a vacina, mas foi tudo que veio antes. E a questão não é pensar diferente. Divergências são saudáveis, se houver diálogo. 


Em defesa do Boca Livre e do cidadão Zé Renato

Não conseguia ligar o Maurício que eu conhecia com esse de agora. Até me tornei muito mais ativo nas redes para tentar preservar o Boca Livre, mostrar que o grupo não tinha conexão com isso, que ultrapassa a política.

Estamos falando de uma questão humanitária. No meu caso não consigo separar o artista, e parte do público esquece que somos cidadãos. Há uma maior parte do público apoiando e tem outra parte que quer moldar um artista achando que o artista não tem que se meter em política.

Não faço parte dessa turma, com certeza. Nunca me preocupei se vou ter mais ou menos público. O que importa é a minha consciência, em paz com ela, ser mais claro possível com questões que digam respeito à sociedade. Tecendo meu direito no papel de cidadão e o que está ao meu alcance.


Decisão irreversível

Dificilmente a história vá se reverter. O Maurício não vai mudar uma maneira de pensar e do jeito que ele está tão convencido sobre isso. Foi uma experiência que me fez muito mal e me arrependo de não ter saído antes porque foram dois anos de muito sacrifício para mim. Falando por mim, acho pouco provável que um retorno aconteça de novo.

Levo do Boca Livre momentos importantes, aprendi muito com todos eles, em todas as formações. Foi uma escola, e praticamente devo minha formação como músico ao grupo. Desde o início com o disco independente, ali já tínhamos uma atitude revolucionária, o Boca veio com um estilo que poderia não funcionar comercialmente.

Momentos divertidos, histórias de viagens. Integrar o Boca Livre me enriqueceu em vários aspectos, musicais e pessoais. Cumpriu-se um ciclo que eu estou deixando com o grupo que tem uma obra de altíssimo nível, sempre muito rigoroso na escolha do repertório, feitura dos arranjos... tive o privilégio de participar disso tudo.

A única coisa que tínhamos certeza era de que o trabalho nos satisfazia e isso foi um bom ensinamento. Cumpriu-se um ciclo. Sou muito grato.


2020 e o futuro 

2020 foi produtivo. Sempre fui muito caseiro, de criar em casa, na madrugada. Fiz lives, participei de entrevistas, compus só e com muita gente. O registro de algumas dessas canções pode se tornar um projeto. Está vindo também um disco de show gravado em 2004 no Rio de uma temporada sobre o Orlando Silva, acho que sai em fevereiro pelo selo Discobertas.

E “Água para Crianças”, projeto infantil que me debruço há mais de uma década, vai sair este ano também pelo Sesc SP. Gravamos antes da pandemia e tem parceria com o Juca Filho, Zélia Duncan, Pedro Luís, participação de Lenine e de um coral de crianças da (Comunidade) Maré.


Pedidos para 2021

Sempre peço saúde, principalmente. Peço paz. São meus principais pedidos. E como cidadão brasileiro, o que desejo é que a gente tenha uma retomada de uma vida, que alguém possa proporcionar uma vida menos sofrida, que não semeie tanto ódio e que cuide das pessoas que precisam ser cuidadas, olhe para nossas desigualdades e proponham projeto que possa diminuir nossa desigualdade. 

Não enxergar pessoas espalhadas nas comunidades e vê-las só como elementos perigosos. O perigo está na falta de educação, que as pessoas tenham chance de ter um horizonte, porque isso transforma. Mas esse Governo não está preocupado com isso. Também que não haja tantas ameaças à democracia, que vem sofrendo e sendo posta a prova quase que diariamente. São direitos conquistados. Barreiras e muros que foram derrubados por anos de luta e agora foram reconstruídos de novo. Temos que lutar para que esses muros fiquem no chão, não construí-los de novo. Lutamos há muito tempo por isso.

É o que desejo para o Brasil que possamos retomar o ambiente civilizatório. Eu adoro o Brasil e fico torcendo para que possamos nos livrar desse pesadelo que estamos passando agora. 



Texto extraído de:
https://www.folhape.com.br/cultura/ze-renato-fora-do-boca-livre-por-questoes-que-vao-alem-de-mera/169908/
Fonte Imagem:
https://www.folhape.com.br/cultura/ze-renato-fora-do-boca-livre-por-questoes-que-vao-alem-de-mera/169908/

 

sábado, 25 de junho de 2022

Cale-se - A MPB e a Ditadura Militar

 

Em Cale-se, MPB e a Ditadura Militar, a cantora, jornalista e escritora Manu Pinheiro faz uma análise de um dos períodos que mais marcaram a história do Brasil e a produção cultural do país naquela época. As letras das canções compostas nos anos mais duros da ditadura (1964 a 1974) reforça a ideia de que a música serviu – e serve - como uma importante ferramenta de comunicação, carregando mensagens (as mais variadas possíveis) . Numa época em que a censura restringia o acesso da população brasileira à informação, a música (aqui representada pelo segmento MPB) torna-se, de fato, um importante porta-voz. As décadas de 1960 e 1970 representaram para a MPB um período de intensa criatividade e produção. Novas canções borbulhavam a cada dia, sendo quase como uma válvula de escape para os acontecimentos daquele momento. A autora faz as canções reverberarem na mente do leitor a cada passagem do livro.



O Som do Pasquim

 




Uma história da música popular brasileira - das origens à modernidade

 




Chega de saudade - a história e as histórias da Bossa Nova

 

Chega de saudade reconstitui a vida boêmia e cultural carioca dos tempos da Bossa Nova - boate por boate, tiete por tiete, história por história. Para compor esse fascinante mosaico envolvendo música e comportamento, Ruy Castro ouviu dezenas de seus participantes: compositores, cantores, instrumentistas - além dos amigos e inimigos deles.O resultado é uma narrativa que se lê como um romance, cheia de paixões e traições, amores e desamores, lances cômicos e trágicos - protagonizados por João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Newton Mendonça, Nara Leão, Carlinhos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Maysa, Johnny Alf, SylvinhaTelles, Elis Regina e pela legião de jovens que eles seduziram com seu charme e suas canções - para sempre.



domingo, 11 de julho de 2021

Minas e Geraes - Um recorte na cultura e na história através de Milton Nascimento

 

O livro traz um panorama histórico da música popular brasileira no século XX, com enfoque específico nas décadas de 60 a 80. Em um texto de raro conteúdo, a obra compõe a análise partindo do acontecimento dos discos “Minas” e “Geraes” de Milton Nascimento, que retrataram a efervescência social e cultural vivenciadas naquela época.




Você sabe quem é Manoel o Audaz?

 

A turma do Clube da Esquina a bordo de Manuel, o Audaz, em lindo clique de Cafi. A foto é apresentada na seção de ilustrações ao final de Os sonhos não envelhecem.


É esse jipe ai de cima. Um Land Rover ano 1951.

Toninho Horta e Fernando Brant, fizeram esta música em homenagem a Manuelzão, personagem de Guimarães Rosa, em Grandes Sertões Veredas.

Só que o Audaz, no caso, era um jipe amarelo, que enfrentava os sertões de Minas Gerais, com voracidade e levava a turma do Clube da Esquina para todos os lugares. A música pode ser encontrada no segundo disco de Toninho Horta em 1981.


Texto extraído de: https://bardomuseuclubedaesquina.com.br/voce-sabe-quem-e-manoel-o-audaz/

Música e Teatro (Parte 5): Milton Nascimento Nada será como antes

 





Música e Dança (Parte 4): Maria Maria / O Último Trem - Milton Nascimento e Grupo Corpo (2002)

 




Música e Teatro (Parte 3): Cambaio - Edua Lobo e Chico Buarque (2001)

 





O artista caleidoscópico: identidade nacional e cultura brasileira em letras poéticas de Caetano Veloso


O objetivo desta pesquisa é desvelar os sentidos e o imaginário poético representado nas letras selecionadas do multiartista Caetano Veloso. Pretende-se analisar criticamente a canção com o intuito de aprofundar o olhar sobre a re-construção identitária do país na história e tradição sociocultural em contextos latino-americanos. Dessa forma, estudar a poesia que emerge das letras da Música Popular Brasileira é também compreender o “ser” em sua essência no diálogo com o processo de formação multicultural. Nessa perspectiva, definimos como corpus desta pesquisa as letras das canções “Alegria, alegria”, “Enquanto Seu Lobo Não Vem”, “Um Índio”, “Beleza Pura”, “Haiti”, “O Estrangeiro”, “Sampa”, “Onde o Rio é Mais Baiano”, “Desde Que o Samba é Samba”, “Chuva, Suor e Cerveja” e “Atrás do Trio Elétrico”. Com enfoque na estética caetaneana, destacamos também o contexto do movimento tropicalista e suas implicações no cenário artístico brasileiro, a repressão militar e a censura, a diáspora negra, a carnavalização e a importância do Samba como símbolo e representante da nossa identidade cultural. Para tanto, definimos como teorias norteadoras da pesquisa os três vetores da interpretação do texto poético desenvolvidos por Umberto Eco: Intenção do autor (Intentio Auctoris), Intenção da obra (Intentio Operis) e Intenção do Leitor (Intentio Lectoris), visto que trabalharemos com os três sistemas semióticos que se superpõem e se complementam para fins de análise. Além disso, trabalhamos também com a teoria da Carnavalização proposta por Mikhail Bakhtin, entre outras.

 



Dualidade e sinestesia como resistência ao poder oficial: uma leitura da canção Trem das Cores

 


Neste trabalho, buscamos compreender os sentidos construídos na canção Trem das cores que integra o álbum de Caetano Veloso lançado em 1982. Para tanto, realizamos a leitura a partir do cotejamento entre textos desenvolvido a partir do paradigma indiciário de leitura. Tomamos o conceito de cronotopo formulado pelo Círculo de Bakhtin como uma valiosa categoria de estudo para conhecer como os acontecimentos são experimentados, como as relações sociais são vividas e como a relação com o mundo é estabelecida. A partir disso, observamos que o texto analisado mostra-se como um discurso contra-hegemônico que, produzido na esfera artística, contesta o poder oficial com suas formas repressivas de governar o Brasil durante a ditadura militar. Os principais recursos expressivos presentes na canção para realizar esse embate ideológico foram a dualidade e a sinestesia, os quais estão entrelaçados na estruturação de cronotopos referentes à constituição da trajetória de um sujeito consciente das lutas políticas de seu país, de sua posição social que nutre uma esperança na democracia como um novo modo de relações sociais e na sua capacidade de desfrutar de vivências cotidianas enquanto a vida vai transcorrendo.

Para acessar o artigo na íntegra: 



domingo, 4 de julho de 2021

Os fios da trama: grandes temas da música popular tradicional brasileira

 

 
Nos cantos, danças e folguedos populares brasileiros, podemos encontrar um feixe de motivos entrelaçados, padrões multicores de um tecido de que conviria procurar e acompanhar cada um dos fios aí urdidos e tramados, agrupando-os segundo sua textura ou coloração. Essas diferentes linhas temáticas, os fios da trama das expressões artísticas e religiosas do povo brasileiro são o assunto deste artigo, que procura analisar formas culturais caracterizadas pela hibridação, as quais transitam muitas vezes na ambiguidade entre resistência e aceitação de um padrão cultural dominante. O dinamismo dos arranjos de um certo número de motivos condutores recorrentes no âmbito da cultura de tradição oral brasileira nos leva a especular sobre os processos de formação de suas práticas artísticas, bem como sobre sua circulação num país de dimensões continentais.

Para acessar o artigo na íntegra: 

domingo, 20 de junho de 2021

Uma árvore da música brasileira

Livro analisa as influências negra e europeia na produção musical nacional, apontando expoentes e conexões de tempos passados aos mais atuais


Fruto de uma longa pesquisa que foge ao caráter acadêmico, o livro Uma árvore da música brasileira nasce da paixão de seus organizadores pelo tema. Partindo da ideia de uma árvore genealógica que cresce e se ramifica, o músico Guga Stroeter e a pesquisadora Elisa Mori analisam as influências negra e europeia na produção musical nacional, trazendo seus principais expoentes e as conexões entre artistas contemporâneos ou entre aqueles que sucederam uns aos outros.

O livro discorre sobre diferentes representações musicais brasileiras, indo desde a modinha, o lundu, o maxixe, o choro, o samba, o baião, o caipira, o sertanejo, a bossa nova, passando por movimentos como a jovem guarda, a tropicália e o mangue beat, até chegar no rock, no hip hop e na música eletrônica.

Composto por 23 artigos, a publicação apresenta as reflexões de diferentes profissionais da música – como artistas, pesquisadores e produtores musicais – a respeito das impressões e experiências vividas por esses autores em relação ao gênero sobre o qual se propuseram discutir. Temos, assim, “MPB” por Fernando Faro, “Caipira e sertanejo” por Paulo Freire, “Festivais” por Solano Ribeiro, “Música instrumental” por Nelson Ayres e “Tropicália” por Júlio Medaglia, entre outros.

O trabalho é acompanhado por um pôster encartado que reproduz uma árvore e expõe as múltiplas ramificações da música brasileira. O leitor encontrará também uma linha do tempo em que é possível acompanhar a evolução de cada gênero musical. Ambos podem ser visualizados e baixados gratuitamente:




Texto extraído de: 
https://www.sescsp.org.br/online/edicoes-sesc/930_UMA+ARVORE+DA+MUSICA+BRASILEIRA#/tagcloud=lista


Os Pilares da Música Popular Brasileira e Cabo-Verdiana: Modinha, Lundu e Morna

 

Pintura de Rugendas, A Dança do Lundu, 1835 

Trataremos neste artigo de comparações entre a Morna caboverdiana e os gêneros poético-musicais brasileiros do século XVIII, a Modinha e o Lundu. A partir da teoria do musicólogo cabo-verdiano Vasco Martins, presente na obra A Música Tradicional Cabo-Verdiana (1988) delinearemos o percurso que teria sofrido a Morna desde seu primeiro registro no século XVIII, discutindo os possíveis traços em comum entre ela e as cantigas populares brasileiras mencionadas. A obra de Martins demonstra que a Morna é o resultado da adaptação do Lundu e da Modinha brasileiros à sociedade mestiça de Cabo Verde.

Para acessar o artigo na íntegra: