segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
sábado, 9 de julho de 2022
quinta-feira, 7 de julho de 2022
RELEITURAS: O fim do Boca Livre (jan 2021)
Até então eu achava que conhecia uma pessoa que se revelou outra. No grupo nunca tivemos problemas envolvendo política, só que neste momento, quando vi que o apoio a uma ideologia que faz apologia à tortura e ao preconceito, e com a pandemia, onde tudo ficou mais escancarado e o Maurício ainda apoiando.
A gota d’àgua foi a vacina, quando fomos convidados para gravar um disco e eu falei que toparia mas depois de vacinados e ele disse que não ia se vacinar.
Discussões acaloradas
Conversamos muito, discussões acaloradas. Tentei pensar só na música mas para mim uma coisa está ligada a outra. A causa não foi só a vacina, mas foi tudo que veio antes. E a questão não é pensar diferente. Divergências são saudáveis, se houver diálogo.
Em defesa do Boca Livre e do cidadão Zé Renato
Não conseguia ligar o Maurício que eu conhecia com esse de agora. Até me tornei muito mais ativo nas redes para tentar preservar o Boca Livre, mostrar que o grupo não tinha conexão com isso, que ultrapassa a política.
Estamos falando de uma questão humanitária. No meu caso não consigo separar o artista, e parte do público esquece que somos cidadãos. Há uma maior parte do público apoiando e tem outra parte que quer moldar um artista achando que o artista não tem que se meter em política.
Não faço parte dessa turma, com certeza. Nunca me preocupei se vou ter mais ou menos público. O que importa é a minha consciência, em paz com ela, ser mais claro possível com questões que digam respeito à sociedade. Tecendo meu direito no papel de cidadão e o que está ao meu alcance.
Decisão irreversível
Dificilmente a história vá se reverter. O Maurício não vai mudar uma maneira de pensar e do jeito que ele está tão convencido sobre isso. Foi uma experiência que me fez muito mal e me arrependo de não ter saído antes porque foram dois anos de muito sacrifício para mim. Falando por mim, acho pouco provável que um retorno aconteça de novo.
Levo do Boca Livre momentos importantes, aprendi muito com todos eles, em todas as formações. Foi uma escola, e praticamente devo minha formação como músico ao grupo. Desde o início com o disco independente, ali já tínhamos uma atitude revolucionária, o Boca veio com um estilo que poderia não funcionar comercialmente.
Momentos divertidos, histórias de viagens. Integrar o Boca Livre me enriqueceu em vários aspectos, musicais e pessoais. Cumpriu-se um ciclo que eu estou deixando com o grupo que tem uma obra de altíssimo nível, sempre muito rigoroso na escolha do repertório, feitura dos arranjos... tive o privilégio de participar disso tudo.
A única coisa que tínhamos certeza era de que o trabalho nos satisfazia e isso foi um bom ensinamento. Cumpriu-se um ciclo. Sou muito grato.
2020 e o futuro
2020 foi produtivo. Sempre fui muito caseiro, de criar em casa, na madrugada. Fiz lives, participei de entrevistas, compus só e com muita gente. O registro de algumas dessas canções pode se tornar um projeto. Está vindo também um disco de show gravado em 2004 no Rio de uma temporada sobre o Orlando Silva, acho que sai em fevereiro pelo selo Discobertas.
E “Água para Crianças”, projeto infantil que me debruço há mais de uma década, vai sair este ano também pelo Sesc SP. Gravamos antes da pandemia e tem parceria com o Juca Filho, Zélia Duncan, Pedro Luís, participação de Lenine e de um coral de crianças da (Comunidade) Maré.
Pedidos para 2021
Sempre peço saúde, principalmente. Peço paz. São meus principais pedidos. E como cidadão brasileiro, o que desejo é que a gente tenha uma retomada de uma vida, que alguém possa proporcionar uma vida menos sofrida, que não semeie tanto ódio e que cuide das pessoas que precisam ser cuidadas, olhe para nossas desigualdades e proponham projeto que possa diminuir nossa desigualdade.
Não enxergar pessoas espalhadas nas comunidades e vê-las só como elementos perigosos. O perigo está na falta de educação, que as pessoas tenham chance de ter um horizonte, porque isso transforma. Mas esse Governo não está preocupado com isso. Também que não haja tantas ameaças à democracia, que vem sofrendo e sendo posta a prova quase que diariamente. São direitos conquistados. Barreiras e muros que foram derrubados por anos de luta e agora foram reconstruídos de novo. Temos que lutar para que esses muros fiquem no chão, não construí-los de novo. Lutamos há muito tempo por isso.
É o que desejo para o Brasil que possamos retomar o ambiente civilizatório. Eu adoro o Brasil e fico torcendo para que possamos nos livrar desse pesadelo que estamos passando agora.
sábado, 25 de junho de 2022
Cale-se - A MPB e a Ditadura Militar
Em Cale-se, MPB e a Ditadura Militar,
a cantora, jornalista e escritora Manu Pinheiro faz uma análise de um dos
períodos que mais marcaram a história do Brasil e a produção cultural do país
naquela época. As letras das canções compostas nos anos mais duros da ditadura
(1964 a 1974) reforça a ideia de que a música serviu – e serve - como uma
importante ferramenta de comunicação, carregando mensagens (as mais variadas
possíveis) . Numa época em que a censura restringia o acesso da população
brasileira à informação, a música (aqui representada pelo segmento MPB)
torna-se, de fato, um importante porta-voz. As décadas de 1960 e 1970
representaram para a MPB um período de intensa criatividade e produção. Novas
canções borbulhavam a cada dia, sendo quase como uma válvula de escape para os
acontecimentos daquele momento. A autora faz as canções reverberarem na mente
do leitor a cada passagem do livro.
Chega de saudade - a história e as histórias da Bossa Nova
domingo, 11 de julho de 2021
Minas e Geraes - Um recorte na cultura e na história através de Milton Nascimento
O livro traz um panorama histórico da música popular brasileira no século XX, com enfoque específico nas décadas de 60 a 80. Em um texto de raro conteúdo, a obra compõe a análise partindo do acontecimento dos discos “Minas” e “Geraes” de Milton Nascimento, que retrataram a efervescência social e cultural vivenciadas naquela época.
Você sabe quem é Manoel o Audaz?
É esse jipe ai de cima. Um Land Rover ano 1951.
Toninho Horta e
Fernando Brant, fizeram esta música em homenagem a Manuelzão, personagem de
Guimarães Rosa, em Grandes Sertões Veredas.
Só que o Audaz,
no caso, era um jipe amarelo, que enfrentava os sertões de Minas Gerais, com
voracidade e levava a turma do Clube da Esquina para todos os lugares. A música
pode ser encontrada no segundo disco de Toninho Horta em 1981.
O artista caleidoscópico: identidade nacional e cultura brasileira em letras poéticas de Caetano Veloso
Para acessar a dissertação na íntegra:
https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/25295/1/2017_MarceloAbreudaSilva.pdf
Dualidade e sinestesia como resistência ao poder oficial: uma leitura da canção Trem das Cores
quarta-feira, 7 de julho de 2021
TRAMAS MUSICAIS: Álbum Último Trem - Milton Nascimento
domingo, 4 de julho de 2021
Os fios da trama: grandes temas da música popular tradicional brasileira
sexta-feira, 2 de julho de 2021
Mário de Andrade e a Música Brasileira
Manuscrito de Mário de Andrade em que ele "radiografava" a viola
Para acessar o artigo na íntegra: https://www.revistas.usp.br/revistamusica/article/download/55070/58712/69093
domingo, 20 de junho de 2021
Uma árvore da música brasileira
Os Pilares da Música Popular Brasileira e Cabo-Verdiana: Modinha, Lundu e Morna
Trataremos neste artigo de comparações entre a Morna caboverdiana e os gêneros poético-musicais brasileiros do século XVIII, a Modinha e o Lundu. A partir da teoria do musicólogo cabo-verdiano Vasco Martins, presente na obra A Música Tradicional Cabo-Verdiana (1988) delinearemos o percurso que teria sofrido a Morna desde seu primeiro registro no século XVIII, discutindo os possíveis traços em comum entre ela e as cantigas populares brasileiras mencionadas. A obra de Martins demonstra que a Morna é o resultado da adaptação do Lundu e da Modinha brasileiros à sociedade mestiça de Cabo Verde.
Para acessar o artigo na íntegra:

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