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segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Semana de 22: Antes do começo, depois do fim

  


Nenhum movimento artístico-cultural no Brasil teve uma repercussão tão polêmica e duradoura quanto a Semana de Arte Moderna, que ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo em fevereiro de 1922.

Duramente atacada pela crítica conservadora, a Semana subverteu os padrões artísticos e literários da época e virou um marco importante de nossa história, tornando-se matéria de reflexão sobre a cultura brasileira.

A proposta deste livro é aprofundar essa discussão e levá-la ao grande público. Os autores percorrem de maneira ampla os acontecimentos e bastidores da Semana de 22 e propõem análises inéditas sob vários aspectos.

Em 1972, nas comemorações de cinquenta anos do evento, Carlos Drummond de Andrade descreveu aquelas agitadas noites como um “grito no salão bem-comportado”, uma manifestação que seguia viva, ressoando.

Outros cinquenta anos se passaram e a Semana chega ao seu centenário mais viva do que nunca – o grito modernista segue ecoando pelos salões e influenciando nossas artes, nossa cultura, nosso pensamento.

A Semana de Arte Moderna é uma presença constante em nossa vida cultural. Podem mudar as interpretações, podem variar as opiniões acerca dela, mas parece impossível – ou mesmo imprudente – ignorá-la. Quem nunca ouviu algum comentário sobre seus participantes? Alguma anedota ou fato curioso sobre aquelas controversas noitadas de fevereiro de 1922? Por que será que eventos ocorridos há cem anos se tornaram um espectro tão marcante para o presente?

Uma possível resposta pode estar no fato de que o processo de reflexão e de criação que teve a sua manifestação simbólica – a sua “festa” – naquela famigerada Semana tenha durado bem mais do que sete dias. Foi um longo percurso pontuado por divergências e aproximações, por patentes contradições e pequenas conquistas que podem até parecer tímidas nos dias de hoje, mas que formariam uma base fundamental para uma série de novos entendimentos acerca da cultura brasileira.

Esta obra visa compreender esses elementos conflitantes e estruturais, analisando os acontecimentos e as interações humanas e artísticas que ocorreram durante um período de mais de uma década, em uma tentativa de buscar origens e avançar até um momento em que as preocupações dos modernistas começaram a assumir uma nova feição e profundidade. Antes do início, depois do fim: essa é a curiosa cronologia de uma Semana que, apesar de completar seu primeiro centenário, parece mais atual do que nunca.

Semana de 22: entre vaias e aplausos

  

Tema privilegiado da historiografia contemporânea, a Semana de 22 voltou ao centro do palco no ano em que se comemoraram os 80 anos do movimento. Uma infinidade de artigos, análises, entrevistas, documentários, programas de rádio e de TV foram realizados ao longo do ano de 2002, procurando lançar luzes sobre o conjunto de ações que se tornou um marco da história cultural paulista e brasileira. Patuscada ou revolução estética? Oitenta anos depois da ruidosa manifestação de jovens intelectuais, realizada no histórico fevereiro de 1922, a questão permanece. Afinal, como a própria autora se pergunta na introdução a este livro da Coleção Pauliceia, dedicado ao principal ícone do fenômeno modernista brasileiro, 'por que um evento que acarretou um prejuízo considerável a seus organizadores, foi difamado por boa parte da imprensa da época, recebeu mais vaias que aplausos continua despertando tanto interesse?' Para responder a essa questão, Marcia Camargos mergulhou no universo intelectual da época, vasculhou um grande número de documentos e consultou uma vasta bibliografia sobre a Semana de 22. Mais do que detectar causas e efeitos, ou simplesmente relatar os fatos, Marcia procurou mostrar o festival modernista sobre diversos ângulos, numa abordagem crítica que revela aspectos pouco visitados pela bibliografia e aponta algumas ambigüidades do movimento e da reflexão que este provocou. Com um texto jornalístico leve e saboroso, Marcia se propõe desmistificar a Semana de Arte Moderna, 'sem, no entanto, negar sua feição de alegre desafio aos padrões vigentes, nem sua contribuição efetiva para as transformações que se processaram no campo das artes', jogando novas luzes sobre o movimento que, entre vaias e aplausos, conquistou seu lugar definitivo no panorama cultural da Pauliceia e do país. O texto claro e direto de Marcia Camargos é complementado com diversas fotos e ilustrações, muitas delas inéditas, sobre os acontecimentos e as personalidades envolvidas com o evento que se tornou emblemático da arte e da cultura brasileiras do século XX.

sábado, 6 de agosto de 2022

O bombo e a caixa (Parte 2 - Final)

 Encontro da cultura latino-americana e brasileira

A Caixa (Tambor Pequeno)


  Não é apenas um instrumento de percussão classificado pela família dos membrafones, som produzido pela vibração da membrana (pele). Ele é consagrado por uma força que perpassa diversas culturas e chega a perder-se no imemorial. Associados aos ritmos do corpo e da natureza, os tambores foram meio de comunicação entre os homens e entre estes e seus deuses. Através dos tempos foram ganhando diversas formas, tamanhos e timbres. Às vezes tocados com as mãos livres, outras com o auxílio de baquetas. Por todos os lados do planeta, múltiplos são os seus sons. Segundo o “Dicionário de Símbolos”, de Jean Chevalier, sua simbologia é de importância sagrada no mundo inteiro. Aqui, em nosso país, os tambores são tão distintos e divinos quanto os povos que formaram a nossa nação; temos aqueles de origem indígena, os de origem africana, os de origem portuguesa e, junto destes, suas influências egípcias, gregas, romanas, árabes... Assim chegou, popularizou-se e criou identidades distintas, ou seja, em cada canto do Brasil seu toque é variado conforme as influências.
  
"Praticamente, toda a família de tambores foi para a Europa Ocidental através de contato Árabe, ou foi popularizada por esse meio. Por exemplo, o pequeno tambor (naker, timbale) que era chamado le tambour de Perses. O naker (originalmente naqqara) ou o pequeno tambor é um instrumento timpânico com um corpo duplo hemisférico tocado com baquetas de madeira..." (SALMAN, 1997, [s.p.]).

Esse tipo de tambor também é conhecido como “tambor provençal” por ser de grande uso na região da Provença em música popular e danças, após a Idade Média difundiu-se pela Europa (FRUNGILLO, 2002). Em Portugal, é considerado um instrumento popular e tradicional tocado junto a uma flauta por uma mesma pessoa, conhecido pelo nome de “Tamboril”. É tocado principalmente em festas religiosas, peditórios, procissões, padroeiros, presépios de Natal em caráter cerimonial e até litúrgico, e também em funções profanas e lúdicas.
  

A Caixa de Folia


 Caixas de folia são tambores de duas peles usadas em congados, reisados e moçambiques. Também chamadas "caixas de guerra" ou "caixas do Divino", são parentes próximas das alfaias de maracatu.
As peles, ou "couros" são esticadas por um conjunto de aros de metal, madeira e cordas. Cada caixa pode apresentar afinadores laterais - aros de couro, que podem ser deslizados para cima (deixando o som mais agudo) e para baixo (deixando o som mais grave).


 Esse tambor chegou ao Brasil através dos imigrantes das Ilhas dos Açores de Portugal com os “foliões” da Festa do Divino e pelas bandas militares. No Maranhão é feminino, conhecido como Caixas do Divino por serem mulheres as responsáveis por conduzirem todo o ritual da Festa do Divino tocando e cantando com esse tambor, elas são chamadas de Caixeiras do Divino na sua maioria mais de 50 anos e negras. Para cada ritual da festa como: Alvorada, cortejo, visitas das tribunas, levantamento de mastro, refeições, fechamento de tribuna, derrubada de mastro entre outros tem seus cantos e toques específicos.



Em outras manifestações populares sagradas no Brasil como a Congada, Moçambique entre outros é conhecido como caixa e na Folia de Reis como caixa de folia. Apenas no Maranhão esse tambor pequeno é conhecido por Caixa do Divino. 


2 Texto extraído da Monografia do curso de Pós-graduação em Capacitação Docente em Música Popular Brasileira- Universidade Anhembi-Morumbi –SP de Maria Cristina Bueno “Caixeiras do Divino” do Maranhão e as “Caixeiras da Guia” de Campinas uma experiência com a tradição popular (2008).




Fonte:
www.attambur.com/recolhas/tocadores
http://caixeirasdasnascentes.blogspot.com/p/caixa-do-divino.html
https://www.onjoangoma.com/caixa-de-folia-

Fonte Imagem:
http://caixeirasdasnascentes.blogspot.com/p/caixa-do-divino.html
https://pluralesingulares.wordpress.com/tag/folia-de-reis/
http://universopopular.blogspot.com/2006/08/alfaias-e-caixas-do-divino-caixa-de.html

O bombo e a caixa (Parte 1)

 Encontro da cultura latino-americana e brasileira


Bombo leguero

Bombo leguero é um instrumento de percussão do tipo membranofone, originário da Argentina. Seu nome, leguero, vem do fato de que este instrumento pode ser ouvido até duas léguas de distância (ou aproximadamente 5 quilômetros).

É produzido a partir de um tronco de árvore oco (geralmente corticeira), revestido com pele curtida de animais, como cabras, vacas ou ovelhas. Derivado do velho tambor militar europeu, possui um arranjo de anéis de couro nas extremidades para a fixação da pele esticada.

Faz parte da música folclórica da Argentina (zamba, chacarera, etc.) e foi popularizado por músicos como Los Fronterizos, Carlos Rivero, Soledad Pastorutti e Mercedes Sosa.

Com a proximidade cultural de Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, o bombo leguero foi adotado pela música nativa gaúcha e até os dias de hoje segue sendo um instrumento tradicional do estado.

Entre os músicos brasileiros que mais se destacam no uso do instrumento estão: Ernesto Fagundes e Kiko Freitas.




Documentário "Origens"

“Origens” é um curta com música, viagem e tradição. Ernesto Fagundes percorre o pampa e resgata uma história que começou na década de 1950 com seu tio Antônio Augusto “Nico” Fagundes. Nico esteve na Argentina e de lá trouxe dois bombos legueros ao Rio Grande do Sul.

- Os primeiros grandes tocadores de bombo leguero entre nós foram Glênio Fagundes e Bebeto Klotz. Lá por 1978 – diz Nico Fagundes – eu passava pelo Alegrete, e um sobrinho meu, guri ainda, se apaixonou pelo bombo que eu havia trazido. Ganhou o instrumento de presente e se tornou um virtuoso.

Ernesto Fagundes, desde os 10 anos, é íntimo do bombo leguero. Começou no Alegrete, apresentando-se em CTGs. Ainda adolescente estava em Porto Alegre, acompanhando pai, irmãos, primos e tios na divulgação da cultura gaúcha. Percorreu o Rio Grande do Sul, visitou boa parte dos CTGs brasileiros e também a América Latina, Caribe e Europa.
– Tocar bombo leguero – diz Ernesto – é a função do andarilho, anunciando quem chega e desbravando novos caminhos.


          
“Origens” foi rodado na Argentina, em Buenos Aires e Santiago del Estero, norte argentino; e depois no Brasil, em Porto Alegre (RS), com a participação dos integrantes da família Fagundes. No curta, eles relembram como surgiu a música “Origens”, tema de abertura do programa Galpão Crioulo/RBS TV. 



Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombo_leguero
http://wp.clicrbs.com.br/rbstvbage/2011/12/01/na-estreia-de-curtas-gauchos-%E2%80%93-exibicao-especial-ernesto-fagundes-e-o-bombo-leguero/?topo=77,,&status=encerrado

Fonte Imagem:
https://www.youtube.com/watch?v=jo6E56_eBbE
http://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2016/09/cadernos/panorama/522738-viagem-musical.html
http://wp.clicrbs.com.br/rbstvbage/2011/12/01/na-estreia-de-curtas-gauchos-%E2%80%93-exibicao-especial-ernesto-fagundes-e-o-bombo-leguero/?topo=77,,&status=encerrado