Aprovado pelo Conep nessa
quinta-feira, o Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola
em Minas Gerais é o quinto bem registrado pelo Iepha-MG
O Conselho Estadual do Patrimônio
Cultural - Conep aprovou em reunião nesta quinta-feira (14/06) o Registro dos
Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais como
patrimônio cultural imaterial. A preservação desses elementos tem grande
importância pelos seus valores históricos, socioculturais e identitário para o
Estado. O reconhecimento possibilita preservar, valorizar e compreender o
universo das violas.
A importância desse registro é
destacada pelo Secretário de Cultura Angelo Oswaldo, que vê no trabalho das
equipes do Iepha-MG mais uma contribuição relevante para o reconhecimento e a
salvaguarda do patrimônio imaterial mineiro. “É empolgante o número de músicos
e luthiers envolvidos, cada qual revelando detalhes distintos de um
verdadeiro universo de criatividade”, disse o secretário.
Para a presidente do Iepha-MG,
Michele Arroyo, os toques da viola ajudam a conhecer e reconhecer as diferentes
Minas Gerais, com suas variadas regiões, crenças e valores, ao passo que
sintetiza a essência cultural do estado ao se fazer presente em contextos os
mais diversos. “Com o reconhecimento da importância da viola como patrimônio de
Minas Gerais, inicia-se uma nova etapa no trabalho do Iepha que se volta,
agora, para a construção de políticas públicas de salvaguarda e valorização do
saberes e expressões culturais diretamente relacionadas à tradição deste
instrumento tão ligado às tradições mineiras”, enfatizou Arroyo.
A diretora de Proteção e Memória
do Instituto, Françoise Jean, ressalta que “a música da viola possui uma
capacidade de mobilização de sentimentos, de ativação de memórias, de criação
de conexão entre o mundo rural e a moderna metrópole, entre tempos passados e o
presente, entre pais e filhos, entre a cultura profana e as expressões do
sagrado”. Ela acrescenta ainda, que o ritmo da viola, ao assumir a função de
mediadora de sentidos, apresenta claro valor de identidade e de memória para
sociedade mineira.
Segundo a gerente de Patrimônio
Imaterial do Iepha-MG, Debora Raiza, o som da viola compõe a paisagem sonora de
Minas Gerais da mesma forma que nossos sotaques e sons característicos. “A
viola está presente no Brasil todo, mas em cada lugar ela tem um espaço de
reprodução próprio daquele contexto”, ressalta. Para ela, este é um momento de
valorização dessa cultura tão importante para o Estado. “Em Minas Gerais, ela
está presente em expressões artísticas como o Congado, a Folia, a Catira, a
Roda de Viola, a Dança de São Gonçalo e o Batuque. Raramente essas expressões
ocorrem sem a presença da viola”, afirma Debora.
O Registro dos “Saberes,
Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais” passa a integrar o
conjunto dos bens culturais reconhecidos como patrimônio de natureza imaterial
do Estado: O Modo de Fazer o Queijo Artesanal da Região do Serro (2002),
Comunidade dos Arturos, de Contagem (2013), Festa de Nossa Senhora do Rosário
dos Homens Pretos de Chapada do Norte (2014) e as Folias de Minas (2017).
Celebração
Para festejar esse grande momento da cultura mineira com o
reconhecimento das violas como patrimônio cultural de Minas Gerais, violeiros e
violeiras se reuniram na Praça da Liberdade. O show “Violas de Minas” contou
com a participação de Pereira da Viola, Chico Lobo, Wilson Dias, Letícia Leal,
dentre outros nomes. Quem esteve no evento ouviu folias, catiras, modas e
outros ritmos da viola.
“Por ser mulher neste cenário, foi um privilégio representar,
ali no palco, tantas pessoas. Um dia mágico que será celebrado por muito tempo.
Todos que participaram deste processo, direta ou indiretamente, ajudaram a
contar essa história”, falou Letícia Leal, representando as violeiras do
estado.
Para Chico Lobo, o registro das violas é motivo de orgulho
para todos os violeiros e violeiras, que estão em festa. “Para mim, violeiro
que há 40 anos abraço a viola e a cultura de Minas Gerais, é uma emoção sem
medida o reconhecimento da viola e seus saberes como Patrimônio Imaterial. É
entender a alma de Minas, sua riqueza e a pureza nos braços da viola,
instrumento tão fundamental nos fazeres e saberes de nosso povo e que se
conecta com muito vigor com nossa atualidade”, enfatizou Chico. Ainda segundo o
violeiro, quem vive da viola ou com a viola ficará mais motivado. “Um reconhecimento
que vai gerar infinitos benefícios a todos”, completou.
A apresentação do show “Violas de Minas” celebrou a conclusão
dos estudos sobre as violas e seu reconhecimento como patrimônio cultural de
Minas Gerais, e foi realizado pelo Iepha-MG, com o patrocínio do Banco de
Desenvolvimento de Minas Gerais - BDMG.
Seminário
Em maio de 2017, como parte do inventário, foi realizado pelo
Iepha-MG, o seminário “Violas: modos de fazer e o tocar em Minas”. Durante dois
dias, no auditório do BDMG Cultural, se reuniram, para um grande debate,
pesquisadores, violeiros tradicionais e pessoas que trabalham o tema. O
seminário foi fundamental para delinear que o registro seria sobre os modos de
fazer do universo das violas, suas linguagens e expressões musicais. Dos saberes,
foram considerados tanto a preservação do conhecimento de tocar como o de
fabricar a viola. Das linguagens, o código compartilhado das afinações e
ritmos. E das expressões musicais, todas aquelas em que a viola está presente.
Resultados do Cadastro
Uma plataforma de cadastro foi disponibilizada no site do
Iepha-MG, na qual foram cadastrados mais de 1350 violeiros e 90 fazedores de
viola. Para fins de análise, foram considerados os cadastros realizados até o
mês de janeiro de 2018, e, novos cadastros continuam a serem recebidos e a
proposta é que a plataforma permaneça aberta continuamente.
O formulário de cadastro foi elaborado pela equipe da
Diretoria de Proteção e Memória do Instituto com o auxílio de violeiros e
construtores de viola, a partir de suas percepções e vivências. O mapeamento
foi lançado em março do ano passado no site do Iepha-MG, e permanece disponível
no endereço eletrônico www.iepha.mg.gov.br.
A partir das respostas do cadastro e de pesquisas de campo em
várias regiões de Minas, foi feito um mapeamento dos fazedores e violeiros,
identificando os muitos aspectos relativos às suas formas de tocar e de fazer a
viola. além de um inventário das expressões e celebrações culturais que tem a
viola como um dos elementos estruturantes.
Após a análise, identificou-se em Minas Gerais a existência
de mais de 30 ritmos diferentes, a maioria pertencente ao universo de ritmos da
chamada “música caipira”, com destaque para o Pagode. Alguns violeiros e
violeiras também apontaram como ritmos Congado, Folia, Batuque, Catira, Cururu,
Lundu e Chula, que se referem às bases rítmicas das expressões culturais
correspondentes. Os tocadores também apontaram ritmos mais comuns no Norte de
Minas, mais conhecidos como toques, tais como Inhuma, Ludovina, Lundu e Onça.
Quanto à distribuição dos violeiros no território de Minas
Gerais, a primeira posição em que se concentram a maioria dos violeiros é
ocupada pelas regiões do Sul/Sudoeste de Minas e do Triângulo Mineiro/Alto
Paranaíba, ambos com 21%. Em seguida tem-se a Região Metropolitana de Belo
Horizonte - RMBH (19%), a Zona da Mata (8%) e o Norte de Minas, a Central
Mineira e o Campo das Vertentes cada uma com 6%. As demais mesorregiões
apresentaram um número consideravelmente menor de cadastros: Oeste de Minas e
Jequitinhonha (4%), Vale do Rio Doce (3%), Noroeste de Minas (2%) e Vale do
Mucuri (1%).
O resultado do mapeamento realizado pelo Iepha-MG contribuiu
para a instrução do processo de Registro dos Saberes, Linguagens e
Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais. Esse estudo demonstra a
presença significativa das violas nas principais expressões culturais de Minas
Gerais, dentre elas a Folia de Reis, bem cultural imaterial também registrado
pelo Iepha-MG.
Texto extraído de: http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/noticias-menu/340-minas-gerais-reconhece-as-violas-como-patrimonio-cultural-do-estado
Fonte Imagem: http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/noticias-menu/340-minas-gerais-reconhece-as-violas-como-patrimonio-cultural-do-estado