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sábado, 6 de agosto de 2022

🎧 TRAMAS MUSICAIS: Galpão Nativo - Homenagem a Glênio Fagundes - | TVE RS (27/03/2016)

Milonga e Forró: dois bailes populares

 

Todas as sociedades têm ao menos uma dança como herança, como uma autêntica e original expressão de sua cultura, ou seja, cada dança é parte da identidade cultural de um corpo social. No universo particular das chamadas danças de salão, a Milonga e o Forró são dois gêneros musicais e/ou de danças sociais que bem representam, respectivamente, a Argentina e o Brasil. Além disso, tanto em um como em outro país, os dois termos também são utilizados como designativos dos bailes ou locais onde se executam e dançam os gêneros musicais que levam essas respectivas denominações. A milonga, além de ser uma marca característica da música/dança argentina e uruguaia, tem também uma vertente no sul do Brasil, em particular no Rio Grande do Sul, onde é bastante apreciada, com algumas características próprias além daquelas originarias de suas irmãs argentino-uruguaias. O forró, por sua vez, como expressão cultural musical brasileira, está presente em várias capitais do velho continente, bem como habita a capital argentina, com grupos forrozeiros que apreciam esse gênero brasileiro. Este artigo tem como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre a Milonga e o Forró, de modo a verificar que estas manifestações culturais sejam identificadas como um dos indicadores de aproximação territorial de países do cone sul latino-americano: comportamento cultural, social e musical únicos. Este indicador mostra que estes povos encontraram - na maneira de dançar, de criar suas músicas e de formular encontros sociais - suas próprias expressões populares e de caracterização da identidade nacional.

Para acessar o artigo na íntegra: 

Música, nativismo e regionalismo na literatura sul-rio-grandense

 


O presente trabalho pretende discutir questões relacionadas à produção poético-musical do Rio Grande do Sul, realizando uma reflexão sobre as contribuições dos movimentos culturais do Estado para a divulgação, preservação e propagação da cultura gaúcha, bem como analisar a importância desses movimentos enquanto espaço de produção poético-musical da cultura local. Para tal análise, a letra da canção é observada a partir de um conceito em que é considerada poesia e, portanto, manifestação literária. Ao longo do trabalho serão apresentadas várias teorias e visões distintas acerca do tema proposto buscando discutir a representatividade do homem do campo (e do contexto que o rodeia) nas manifestações culturais do Rio Grande do Sul, enfatizando as criações literárias relacionadas à poesia e à canção nativista. Pretende-se verificar a forma como são transpostos os traços característicos relativos à representação das personagens, tempo e espaço, e a organização do imaginário cultural que envolve a figura do gaúcho rural. A partir de então tenciona-se investigar como está representado, nos poemas e canções nativistas, o fator identidade local e/ou regional.



A historiografia da “música gauchesca”: apontamentos para uma História


Este trabalho propõe um olhar reflexivo e abrangente sobre a produção bibliográfica acerca da História da “música gauchesca”. No texto, tal historiografia é dividida em três fases de acordo com os preceitos estéticos e ideológicos que guiaram seu desenvolvimento nos últimos sessenta anos. Além disso, ainda são apresentados arquivos, desafios e possíveis alternativas para pesquisas futuras.



Canto Livre? O Nativismo gaúcho e os poemas da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul

 


 

Para acessar a dissertação na íntegra: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/93345

A música dos festivais nativistas do Rio grande do Sul como elemento fomentador da(s) à afirmação da(s) identidade(s) do povo gaúcho


A cultura do povo gaúcho se constitui a partir de elementos marcantes e determinantes na sua produção simbólica, seja na manifestação através da arte, seja no cotidiano dessas pessoas, que se distinguem pelo modo de falar, vestir, comer e na singularidade subjetiva da sua representação enquanto sujeito, agentes da construção de uma história cheia de dualidades que marcam as identidades características de um povo que se consolidou como derivado de uma miscigenação singular. Um dos elementos mais marcantes desse processo de identificação se materializa na música e na poesia produzidas pelos habitantes do sul do Brasil. Analisar com profundidade e atenção especial essa produção cultural como fenômeno social de relevada abrangência é o objeto desse estudo. Sobretudo a música e a poesia construída ao longo de mais de quatro décadas nos festivais de música nativista que preenchem os palcos do Rio Grande do Sul quase todos os finais de semana nos mais diversos rincões desse estado brasileiro. Estabelecer uma análise a partir da observação pela participação direta em alguns desses eventos, além de traçar um plano de trabalho para uma pesquisa social acerca da relação dessa produção cultural e artística com a afirmação cotidiana da(s) identidade(s) do gaúcho contemporâneo é o objetivo central desse trabalho. A pretensão aqui é demonstrar que a música nativista dos festivais do Rio Grande do Sul pode ser considerada como um elemento fomentador à afirmação da(s) identidade(s) do povo gaúcho e também se constitui como uma prática sociocultural relevante no contexto da cultura regional brasileira e latino-americana. Esse estudo também propõe pensar a música nativista dos festivais do Rio Grande do Sul como um importante instrumento para a construção de uma Epistemologia do pensamento produzido por um povo do sul e, a luz da interpretação psicanalítica, dialogando com outros campos do saber para estabelecer uma analogia entre o processo dessa construção artística e cultural com a afirmação do processo de identificação social e individual desse povo. Uma pesquisa social interdisciplinar que visa estabelecer um elo entre o saber da academia com a produção cultural dos palcos da música regional do sul do Brasil.



Música Nativista e Imaginários Gauchescos: sobre cantar opinando


De acordo com Lucas (1990), podemos entender a música nativista como um caso específico de regionalismo musical dentro das múltiplas expressões da música popular brasileira contemporânea; trata-se de um repertório de canções oriundo do Estado do Rio Grande do Sul, conhecido como “música nativista gaúcha”. Nota-se a presença de um trânsito musical entre os países do chamado Cone Sul latino-americano, apontando para a constituição de imaginários e audições de mundo acerca do que os sujeitos entendem como “cultura gaúcha”. Assim, o artigo pretende discutir a relação entre este tipo de produção musical no sul do Brasil e a constituição de imaginários gauchescos que perpassam diferentes territórios e  sonoridades.



quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Milonga: o poema e a música na tradição gaúcha

 


Estilo musical e de dança tipicamente gaúcho, a Milonga é um dos ritmos mais apreciados no Rio Grande do Sul, tendo, desde seu surgimento até os dias atuais, se modificado, assumindo diversas variações. Conheça um pouco da história da Milonga no artigo de Andressa Zoi Nathanailidis!

Originária da Habanera, a Milonga é um estilo musical que nasce na Argentina, à segunda metade do século XIX, expandindo-se para Uruguai e Brasil, em função das proximidades fronteiriças.

No Brasil, o estilo integra a cultura gaúcha, tendo sido a primeira “milonga brasileira” gravada em 1968: a Milonga do Bem Querer, composição de Cláudio Pinto, cuja performance coube ao Trio Farroupilha, renomado difusor desse estilo musical no país. A composição serviu para inspirar muitas outras peças que atestam ser a Milonga, hoje, um dos ritmos favoritos no Rio Grande do Sul.


Tradicional execução em meio às “payadas“ – eventos de improvisação poética, nos quais a poesia oral é performada em conjunto com o acompanhamento de violão ou guitarra -, a Milonga é, geralmente, uma música escrita em compassos quaternários e desenvolvida por meio de tonalidades menores, com andamentos lentos.

Apesar disso, atualmente, a Milonga tem assumido diversas variações. Embora existentes em menor quantidade, tais variações chamam atenção por trazerem novas propostas, frutos dos hibridismos estabelecidos entre o modelo original e as múltiplas tradições conservadas no país.

Além da guitarra e do violão, hoje as performances integram também outros instrumentos, como, por exemplo, a flauta, o violino e a sanfona. Também já são conhecidas composições de ritmo um pouco mais acelerado, cuja inspiração parte de outros estilos, a exemplo do Candomblé, do Jazz e do Samba. Entre as variações há, inclusive, aquelas desenvolvidas em tonalidade maior que contam com escalas menores em sua estrutura, o que passa ao ouvinte a impressão dolente, de certa melancolia.

O termo “milonga“, cuja etimologia decorre do idioma bundo-congolense (presente em Angola e Congo, respectivamente), significa “palavra”. Além da canção popular regionalista, serve para designar a dança associada a tal estilo musical: geralmente instituída em passos lentos e largos, que se assemelham muito ao Tango argentino.


Texto extraído de: https://terradamusicablog.com.br/milonga-ritmo-gaucho-e-danca-2/


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Coxilha Nativista (Cruz Alta/RS)


A Coxilha Nativista é referência de qualidade entre os festivais do Rio Grande do Sul.

Promovida pela Prefeitura Municipal de Cruz Alta, através da Secretaria Municipal da Cultura, é realizada ininterruptamente desde o ano de 1981. Caracteriza-se por ser um festival que preserva os valores de nossa cultura, oportunizando a músicos, autores e compositores apresentarem, em suas canções, as várias tendências do nativismo gaúcho. No ano de 1985, incorporou ao evento a Coxilha Piá e nos últimos anos a Fase Local, modalidades que incentivam os jovens talentos e a prata da casa.


Realizada no Ginásio Municipal de Cruz Alta, terra do escritor Érico Veríssimo, a Coxilha Nativista oferece uma ajuda de custo e premiação diferenciada e, ainda, aos primeiros lugares, os troféus Alta Cruz da Coxilha, O Carreteiro e O Tropeiro.


Galeria











Fonte:
http://www.igtf.rs.gov.br/?p=745

Fonte Imagem:
http://www.mundial.fm.br/index-site.php?pg=desc_noticia&id=3250
http://bahstidores.blogspot.com.br/2014/07/conheca-historia-e-todos-os-vencedores.html
http://bagualdownloads.blogspot.com.br/2015/04/6-coxilha-nativista-de-cruz-alta-1986.html
http://bagualdownloads.blogspot.com.br/2015/04/23-coxilha-nativista-de-cruz-alta-2003.html
http://www.identidadecampeira.com.br/2016/03/regulamento-da-36-coxilha-nativista-de.html

Tertúlia Musical Nativista (Santa Maria/RS)


A primeira Tertúlia Musical Nativista aconteceu em 1980 e se manteve em atividade até o ano de 1999, retomando sua trajetória em 2011. Evento de grande importância na consolidação do movimento nativista, deu notoriedade às tendências musicais e à poesia da região central do Rio Grande do Sul, tornando-se até nossos dias um celeiro de compositores, músicos e intérpretes.


Promovido pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Cultura, tem como entidade apoiadora a Associação Tradicionalista Estância do Minuano e realiza-se no Largo da Gare – Centro Ferroviário de Cultura. O festival tem uma ajuda de custo e premiação diferenciada e proporciona aos primeiros colocados os troféus: Minuano, Amaury Dalla Porta e Antônio Augusto Ferreira. Alem da convivência com as belezas naturais e a hospitalidade do povo de Santa Maria, a Tertúlia Musical Nativista se realiza em novembro e é garantia de boa música na Terra do Vento Norte.


 Galeria









Fonte:
http://www.igtf.rs.gov.br/?p=794

Fonte Imagem:
https://www.arazao.com.br/noticia/71046/para-entrar-no-clima-da-tertulia-musical-nativista/
http://musicagpd.blogspot.com.br/2015/08/tertulia-musical-nativista-de-santa.html
http://www.prosagalponeira.com.br/2015/08/regulamento-da-xxiii-tertulia-da-cancao.html

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Califórnia da Canção Nativa (Uruguaiana/RS)



A Califórnia da Canção Nativa é um evento artístico musical que ocorre no Rio Grande do Sul desde 1971, considerada patrimônio cultural do Estado, sendo modelo de divulgação da música regional gaúcha.

Ocorrendo durante o ano provas eliminatórias em diversas cidades gaúchas, e por fim, após a triagem de mais de 500 músicas, as finais ocorrem na cidade de Uruguaiana, fronteira oeste do Rio Grande do Sul, onde, conforme o grau de vitórias, é concebido o prêmio máximo: a Calhandra de Ouro.

O evento surgiu em 1971 em meio aos anos de chumbo, reunindo as mais diversas variações musicais nativas do Rio Grande do Sul organizada pelo CTG Sinuelo do Pago e prefeitura municipal, ambos de Uruguaiana. Inicialmente, sua primeira edição não teve tanta repercussão porém, algumas edições tiveram mais de 60 mil pessoas e atualmente é o maior evento cultural regional do Brasil.

Conforme Cícero Galeno Lopes, em artigo publicado no livro RS índio: cartografia sobre a produção do conhecimento, Leopoldo Rassier conseguiu pela censura prévia e cantar a música Tema de marcação, (poema de Luiz Coronel musicado por Marcos Aurélio Vasconcellos), no festival de 1975, através de uma ambiguidade entre dois personagens históricos: o lunar de Sepé Tiaraju e a estrela de Che Guevara, já que ambos lutaram por liberdade, tinham "uma estrela na testa" e foram "pra baixo desse chão".


 A história dos festivais nativistas do Rio Grande do Sul tem início na década de 1970. O primeiro festival a surgir foi a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, em 1971. Alguns eventos aconteceram anteriormente, há registros de um festival promovido pela TV Gaúcha em 1969, outro promovido por um CTG em Santa Maria em 1970. Mas o que realmente deu a partida para a grande disseminação da música gaúcha pelo estado foi a Califórnia.

A origem da Califórnia é contada em "Califórnia da Canção Nativa - marco de mudanças na cultura gaúcha", de Colmar Duarte e José Édil de Lima Alves (Ed. Movimento). Resumindo, Colmar Duarte e companheiros decidiram organizar um festival de música do Rio Grande do Sul por não terem sido classificados em um festival de músicas promovido por uma rádio de Uruguaiana. A ideia foi levada ao CTG Sinuelo do Pago, que primeiramente não a aceitou, mas, após Colmar ser eleito patrão, abraçou a causa. E assim surgiu a "Mãe dos Festivais", como diz Jerônimo Jardim.

Depois da Califórnia, outros festivais foram surgindo - a Ciranda de Taquara, em 1972, e a Vindima de Flores da Cunha, no mesmo ano, foram os primeiros "filhos". Com características um pouco diferenciadas, esses festivais valorizavam, além da música gaúcha, a influência da imigração - alemã e italiana, respectivamente. A Ciranda foi bienal nos primeiros anos, deixou de ser realizada por algum tempo, voltou mais tarde e finalmente caiu no esquecimento. A Vindima também não acontece mais.

A década de 1980 viu uma explosão de festivais pelo estado. Notadamente, os mais importantes (no meu entendimento) foram Tertúlia de Santa Maria (1980), Coxilha de Cruz Alta (1981), Seara de Carazinho (1981) e Musicanto de Santa Rosa (1983). Inúmeros festivais se seguiram: Gauderiada, Reponte, Ponche Verde, Reculuta, Moenda, Ronco do Bugio, Tafona, ... Chegamos a ter mais de 60 eventos num ano. São mais de 200 títulos no total. Alguns não passaram de uma ou duas edições.

Tivemos um festival de intérpretes em Caçapava do Sul que premiava o vencedor com um automóvel zero-quilômetro. Houve também uma mostra em Porto Alegre de músicas participantes de outros festivais: Tchê - o Festival dos Festivais. Com ideia semelhante aconteceu em Tramandaí o Eco dos Festivais, em que participavam somente as vencedoras de outros eventos. A Mostra Farroupilha de Nativismo, acontecida no ano do Sesquicentenário da Revolução Farroupilha, também ajudou a incentivar os festivais.




 A música gaúcha se espraiou e os festivais também. Santa Catarina começou a organizar a Sapecada da Canção em Lages e outros em várias cidades. O Paraná teve o Cante-Terra em Campo Mourão e mais alguns.

Hoje acontecem em torno de 30 ao ano no Rio Grande do Sul. Todo ano surgem novos, antigos desaparecem e alguns parados voltam a acontecer. A dinâmica depende muito da política, apoio de prefeituras e leis de incentivo, por isso há uma grande variação. Mas é um mercado que movimenta muita gente e muitos recursos, e eu gostaria de ver estudos a respeito. Tento fazer uma parte, registrando aqui o que está ao meu alcance.


Galeria



 






Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Califórnia_da_Canção_Nativa
http://festivaisnativistas.blogspot.com.br/p/historia-dos-festivais.html

Fonte Imagem:
Fonte: http://www.radioculturaam1260.com.br/noticias/noticia/geral/inscricoes-para-a-california-da-cancao-nativa-encerram-hoje/331
Fonte: http://www.riogrande.rs.gov.br/pagina/index.php/noticias/detalhes+cae6a,,rio-grande-e-uruguaiana-firmam-acordo-de-cooperacao-para-etapa-seletiva-da-california.html
http://bagualdownloads.blogspot.com.br/2014/07/1-california-da-cancao-nativa-do-rs-1971.html
http://bagualdownloads.blogspot.com.br/2014/07/15-california-da-cancao-nativa-do-rs.html
http://musicagpd.blogspot.com.br/2012/03/california-da-cancao-nativa-do-rs-12.html
http://bagualdownloads.blogspot.com.br/search/label/Calif%C3%B3rnia%20Da%20Can%C3%A
7% C3%A3o%20Nativa
http://musicagpd.blogspot.com.br/2012/03/california-da-cancao-nativa-do-rs-14.html