quarta-feira, 11 de março de 2026
🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Rosário dos Pretos - Cânticos (1999)
"Rosário Dos Pretos - Cânticos" é um disco com canções da missa que é celebrada toda tarde de terça-feira na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, centro histórico de Salvador (capital da Bahia). A celebração teve um importante colaborador, o jesuíta Padre Alfredo, que, com sua sensibilidade e entusiasmo, durante o seu tempo como pároco (1994-2001), favoreceu a introdução de formas populares de expressão afro-brasileira na liturgia católica tradicional. O disco foi produzido por J.Velloso em 1999, quando participou de uma dessas missas cantada em memória do grande compositor baiano Batatinha (que pertencia a Irmandade dos Homens Negros do Rosário de Maria), e conta com a presença de grandes artistas negros, como Aloisio Menezes, Ilê Aiyê & Coral do Rosário; Bule-Bule; Chico César & Filhos de Gandhi; Clécia Queiroz & Os Ingênuos; Dona Edith do Prato; Dona Ivone Lara; Dona Zezé; Filipe Mukenga & Oficina de Frevos e Dobrados (dirigida por Fred Dantas); Gamo da Paz & Grupo Ofá; Grupo Ofá & Coral do Rosário; Grupo Ofá & Fiéis do Rosário; Ilê Aiyê & Coral do Rosário; Lazzo; Márcia Short & Meninos do Pelô; Margareth Menezes & Olodum; Mariene de Castro & Filhos de Gandhi; Matildes; Padre Alfredo & Meninos do Pelô; Pró Mimi; Rás Bernardo & Banda Ragga; Roberto Mendes & Vozes da Purificação; Tati Lima; Tonho Matéria; Zezé Motta & Banda Didá.
Faixas
1. Grupo Ofa - Ogum (J. Velloso)
2. Margareth Menezes e Olodum - Oh! Que Coisa Bonita (Padre Alfredo)
3. Padre Alfredo - Senhor Deus (Domínio Público)
4. Tati Lima – Bwana (Domínio Público – Zairense)
5. Banda Didá e Zezé Motta - Tá Caindo Fulô (Domínio Público – Zairense)
6. Fiéis Do Rosário e Grupo Ofá - Nkosi Sikelel 'L Afrika (Congadeiros De Minas)
7. Banda Ragga e Ras Bernardo - Ai De Mim (Padre José Raimundo Galvão)
8. Aloisio Menezes, Coral Do Rosário e Ilê Aiyê - Um Grito De Fé (Padre Alfredo)
9. Clécia Queiroz e Os Ingênuos - Oh Meu Santo Antônio (Padre Alfredo)
10. Chico César e Filhos De Gandhi - Quem Disse (Zé Vicente)
11. Meninos Do Pelô e Padre Alfredo - Vem Espírito Vem (Domínio Público)
12. Bule-Bule - Pai Nosso (Domínio Público)
13. Padre Alfredo - Assim Seja (Padre Alfredo)
14. Dona Ivone Lara e Ilê Aiyê - Sorriso Negro (Adilson Barbado, Jair Carvalho, Jorge Portugal)
15. Pró Mimi - Hino Da Nossa Senhora Do Rosário (Irmandade De Nossa Senhora Do Rosário Dos Pretos)
16. Dona Edith Do Prato - Deus é Mais (Padre Alfredo)
17. Dona Zezé - Hino De Santa Bárbara (Domínio Público)
18. Lazzo Matumbi - Cristo Amigo (Padre Luna)
19. Meninos Do Pelô e Márcia Short - Terça-Feira Pelourinho (Padre Alfredo)
20. Tonho Matéria – Viva (Padre Alfredo)
21. Filhos De Gandhi e Mariene De Castro - Senhora Negra (Padre Alfredo)
22. Dobrados, Filipe Mukenga, Fred Dantas e Oficina De Frevos - Hino A Santo Antônio De Categeró (Domínio Público)
FICHA TÉCNICA DO ÁLBUM:
Álbum: Rosário dos Pretos – Cânticos Ano: 1999
Projeto, Realização, Produção Musical e Direção Artística: J. Velloso
Produção e Realização: Elias Filho
Co-produção e co- direção artística: Mariene de Castro
Assistentes de produção musical: Luciano Salvador Bahia e Giba
Produção executiva: Maria Nascimento
Assistentes de Produção: Peu, A. Barbosa, J. Nascimento
Gravação e Mixagem: Filipe Cavalieri
Assistentes de Gravação e Mixagem: Junior e Marcos
Masterização : Ganen Luiz Torngi e Filipe Cavalieri
Foto da capa: Patrícia Giancotti
Fotos do encarte: Célia Aguiar
Criação Gráfica: Maria Sampaio
quinta-feira, 5 de março de 2026
Resistência negra: Ingredientes típicos de África se tornam base da culinária brasileira
Dos terreiros e das senzalas, saberes ancestrais de mulheres escravizadas construíram paladar do país
Quiabo, coentro, inhame, leite de
coco, pimenta malagueta, noz moscada, café, gengibre, jiló, amendoim e azeite
de dendê. Não importa em que lugar do país você esteja, se procurar na sua
cozinha certamente vai encontrar pelo menos um desses ingredientes.
O que eles tem em comum? São uma
pequena parte dos alimentos típicos de África que foram trazidos para o Brasil
nos navios negreiros e hoje são fundamentais na culinária do país, provando a
importância da resistência negra na nossa cultura.
E não são apenas ingredientes, mas
muitas das receitas e dos modos de fazer que fazem parte do dia a dia dos
brasileiros tem como origem os saberes ancestrais de africanos escravizados, em
especial das mulheres. Afinal, eram elas que cozinhavam nas casas grandes a
partir de seus conhecimentos tradicionais. Assim, elas introduziram na
culinária brasileira receitas saboreadas em diversas regiões, como cocada,
angu, cuzcuz, pamonha, quindim, mungunzá, moqueca e vatapá.
Vale lembrar que as pessoas de
África escravizadas encontraram também ingredientes nativos do Brasil e modos
de preparo típicos da Europa e de diferentes etnias indígenas. Elas souberam
incorporar esses sabores e aprimorar receitas, conquistando diferentes
paladares e dando origem a chamada gastronomia afro-brasileira.
“No lugar o inhame começaram a usar mandioca, para substituir o sargo passaram a usar o milho, para compensar algumas faltas de pimentas, começaram a utilizar condimentos que já tinham no Brasil”, exemplifica o chefe de cozinha Marcelo Reis, que se dedica a culinária afro-brasileira. “Os negros observaram os pratos preparados pelos indígenas, como o pirão, a moqueca e o bobó e os enriqueceram com produtos africanos, como o leite de coco. Eles também entraram em contato com os animais criados pelos colonizadores e assim surgiram receitas como vatapá, o sarapatel o xinxim de galinha. Se os traficantes de escravos traziam ingredientes, os escravizados traziam na memória os usos e os gostos de suas terras, segredos de nossos ancestrais.”
Acarajé começou a ser vendido por mulheres negras alforriadas e hoje é principal prato da culinária baiana / Divulgação/ Fundaj
Parte importante da gastronomia
afro-brasileira tem origem nos terreiros de candomblé, criados como as chamadas
comidas de santo, que eram entregues a entidades espirituais como oferendas. É
o caso do famoso acarajé, tombado como patrimônio cultural do Brasil. Ele
começou a ser vendido em tabuleiros, em Salvador, por mulheres negras
alforriadas e hoje é o carro-chefe da culinária baiana, ao lado do vatapá, do
caruru e do abará.
Quem apendeu a cozinhar nos
terreiros é cozinheira Solange Borges, de Camaçari, na Bahia, que é filha e
neta de baianas de tabuleiro, que vendiam alimentos típicos da cultura
afro-brasileira pelas ruas das cidades. “O povo de terreiro, no qual eu me incluo,
e os terreiros são responsáveis por savalguardar este patrimônio que é a
culinária afro-brasileira. Um dos exemplos mais incríveis é o caruru de Cosme e
Damião. O quiabo é da descendência, é um alimento que a gente trouxe para a
mesa. Mesmo sempre santos católicos, com o sincretismo a gente fez essa
comemoração, que é uma oportunidade de homenagear os inquices como um todo.”
Hoje, Solange trabalha no projeto Culinária de Terreiro, fundado por ela mesma, que tem o objetivo de preservar e valorizar os alimentos típicos da culinária afro-brasileira. Ela mesma produz a farinha de mandioca e o dendê-de-pilão que usa nas receitas, ambos feitos no fogão a lenha.
“Minha mãe era condomblecista e eu
com seis anos frequentava os terreiros. Eu vi essa efervescência que é a
cozinha, esse ambiente colorido, festivo, alegre, de muita afetividade, com
muitos cheiros e afetos. A gente foi aprendeu nesse espaço sem nem perceber que
estavam passando informações, era tipo uma brincadeira”, lembra.
Mas, sem dúvida, um dos pratos
mais típicos da culinária afro-brasileira é a famosa feijoada, um símbolo da
gastronomia nacional. Com diferentes versões, que variam de opções vegetarias
àquelas apenas carnes nobres, o prato é tradicionalmente um cozido de feijão
com carne de porco, que acompanha arroz, farofa de mandioca, couve, fatias de
laranja e pimenta.
Ela é servida em geral às quartas
e sábados nos restaurantes do país, mas cada família tem sua receita,
desenvolvida a partir de sabores e saberes africanos, como lembra do chefe
Marcelo Reis. “São receitas que não só alimentam os Orixás mas também minha
essência. É todo um receituário que faz do comer uma ancestralidade que vem do
meu povo, que foi escravizado.”
Assim, a resistência negra se faz presente diariamente na mesa dos brasileiros, como um símbolo de luta por justiça social e como marca da formação da cultura brasileira.
Texto extraído de: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/11/16/resistencia-negra-ingredientes-tipicos-de-africa-se-tornam-base-da-culinaria-brasileira/
Fonte Imagem: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/11/16/resistencia-negra-ingredientes-tipicos-de-africa-se-tornam-base-da-culinaria-brasileira/
Das hortas de quintal ao milho guarani, livro resgata as raízes da cozinha caipira no Brasil
A Culinária Caipira da Paulistânia mistura o processo de formação da cultura caipira com receitas nunca antes divulgadas
Culinária caipira é retratada em
livro escrito por Carlos Alberto Dória e Marcelo Corrêa Bastos | Crédito:
Estúdio Arado
Um modo de se alimentar que faz
parte da identidade brasileira, mas ficou marginalizado durante muito tempo.
Essa é a história contada no livro "A culinária caipira da Paulistânia", que acabou de
ser relançado pela Editora Fósforo.
"A culinária caipira é uma
culinária de pobres, essencialmente de pobres. Essa informalidade, digamos
assim, essa precariedade, é a base da culinária caipira e por isso mesmo ela
foi esquecida, reprimida", explica o sociólogo Carlos Alberto Dória, um
dos autores.
O escritor conta que durante a pesquisa para a produção do livro ele foi percebendo como, de fato, a culinária caipira Paulistânia não é só coisa de São Paulo. Todo esse conhecimento culinário adentra o Brasil e tem raízes diversas
"Aos poucos eu fui vendo que
a abrangência era muito maior do que São Paulo e Minas Gerais. Incluía Goiás,
Mato Grosso, etc. E o trabalho foi nessa área, fui vendo o que ela tinha em
comum no seu processo de formação, que é a basicamente a penetração dos
bandeirantes e a presença forte dos índios Guaranis, resultando em uma
sociedade baseada na produção de subsistência em pequenos sítios e tal. Então
esse foi o enquadramento geral", completa.
Quase totalmente baseada na utilização do milho, a culinária caipira tem influência indígena. Exótico, o alimento foi trazido ao Brasil pelo povo guarani, vindo de outros países da América do Sul.
O ingrediente é uma das estrelas no restaurante do chef Marcelo Corrêa Bastos, que também é coautor do livro. Ele redescobriu sua raiz caipira no processo de escrita da obra.
"É uma cozinha baseada na
horta de subsistência, na horta do quintal, nas carnes, a princípio as carnes
de caça, depois é assimilado a carne suína e de aves, e principalmente no
milho. O milho está em praticamente todas as refeições da dieta caipira ou do
ideal da dieta caipira. O milho em suas várias formas, principalmente na forma
de farinha de milho", explica Marcelo.
Texto extraído de: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/12/28/das-hortas-de-quintal-ao-milho-guarani-livro-resgata-as-raizes-da-cozinha-caipira-no-brasil/
Fonte Imagem: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/12/28/das-hortas-de-quintal-ao-milho-guarani-livro-resgata-as-raizes-da-cozinha-caipira-no-brasil/













