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segunda-feira, 18 de julho de 2022

Histórias à Brasileira - A Donzela Guerreira e Outras - Vol. 04

  



Em 2002, a autora Ana Maria Machado lançou o primeiro volume de uma série de histórias "à brasileira" que pretendia reunir em livro. O projeto nasceu do desejo da autora de contar, com suas palavras, as histórias que havia escutado de seus pais, tios e avó. Gerações de narradores anônimos ajudaram a construir as mais diferentes versões dessas histórias da cultura oral e do folclore brasileiro e universal. Para criar a sua própria, a escritora leu obras de estudiosos da cultura popular - como Luís da Câmara Cascudo, Sílvio Romero e Monteiro Lobato, entre outros -, pesquisou coletâneas de contos de tradições variadas e buscou inspiração também na literatura de cordel. De uma mistura entre pesquisa, cotejo das diversas versões, memória pessoal e tradição, nasceu a coleção Histórias à Brasileira, que ganha agora o quarto volume - composto pelas histórias "A donzela guerreira", "A princesa do Bambuluá", "Adivinha, adivinhão", "Os três coroados", "A onça, o veado e o macaco", "O jabuti e o jacaré", "As três velhas que fiavam", "A cumbuca de ouro e os marimbondos", "Branca flor" e "A lenda da vitória-régia". Com este quarto volume, a série completa quarenta histórias, todas ilustradas pelo traço delicado de Odilon Moraes, que recria o ambiente brasileiro dos contos com liberdade, dando origem a uma nova versão de cada história. Autora de mais de cem livros para crianças, publicados em dezessete países, Ana Maria Machado recebeu no ano 2000 o Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantojuvenil.

Histórias à Brasileira - O Pavão Misterioso e Outras - Vol. 03

  



Em 2002, a autora Ana Maria Machado lançou o primeiro volume de uma série de histórias "à brasileira" que pretendia reunir em livro. O projeto nasceu do desejo da autora de contar, com suas palavras, as histórias que havia escutado de seus pais, tios e da avó. Depois de preparar um segundo volume em 2004, ela terminou mais uma coletânea de dez histórias. Gerações de narradores anônimos ajudaram a construir as mais diferentes versões dessas histórias da cultura oral e do folclore brasileiro e universal. Para criar a sua própria, a escritora leu obras de estudiosos da cultura popular - como Luís da Câmara Cascudo, Sílvio Romero, Monteiro Lobato, entre outros -, pesquisou coletâneas de contos de tradições variadas e, no caso específico da história "O pavão misterioso", buscou inspiração também na literatura de cordel, onde essa narrativa foi imortalizada. De uma mistura entre pesquisa, cotejo das diversas versões, memória pessoal e tradição, nasceram as Histórias à brasileira. Neste terceiro volume, ela narra "O pavão misterioso", "Cabra Cabrês", "Maria Sabida", "A minhoca da sorte", "O jabuti e a fruta", "O pescador e a Mãe-d'Água", "O pinto Pimpão", "O Príncipe das Penas Verdes", "Quatro vinténs" e "O corcunda e o ricaço"; enquanto as ilustrações de Odilon Moraes recriam o ambiente brasileiro dos contos com liberdade, dando origem a uma nova versão, ilustrada, de cada história.

Histórias à Brasileira - Pedro Malasartes e Outras - Vol. 02

  



Em 2002, a autora Ana Maria Machado lançou o primeiro volume de uma série de histórias "à brasileira" que pretendia reunir em livro. O projeto nasceu do desejo da autora de contar, com suas palavras, as histórias que havia escutado de seus pais e da avó, como ela explica na apresentação do livro: "Venho de uma família em que se contava muita história. Com livro ou sem livro. E os repertórios variavam muito, de acordo com o contador". Gerações de narradores anônimos ajudaram a construir as mais diferentes versões dessas histórias da cultura oral e do folclore brasileiro e universal. Para criar a sua própria, a escritora leu obras de estudiosos da cultura popular e pesquisou coletâneas de contos de tradições variadas. De uma mistura entre pesquisa, cotejo das diversas versões, memória pessoal e tradição, nasceu então o primeiro volume de Histórias à brasileira. Neste segundo volume, Ana Maria Machado traz mais dez histórias: três episódios envolvendo o personagem Pedro Malasartes - "Pedro Malasartes e o lamaçal colossal", "Pedro Malasartes e o surrão mágico", "Pedro Malasartes e a sopa de pedra" -, além de "Poltrona de piolho", "O boneco de piche", "Os figos da figueira", "O jabuti e o teiú", "O jabuti e o caipora", "A galinha ruiva" e "A vida do gigante". Nas ilustrações de Odilon Moraes, o ambiente brasileiro dos contos é recriado com liberdade, dando origem a uma nova versão, ilustrada, de cada história. Odilon é escritor, ilustrador e tradutor de literatura infantil. Pela Companhia das Letrinhas, publicou A princesinha medrosa (2002). Entre os prêmios que recebeu, estão o Jabuti de ilustração de 1994, por A saga de Siegfried.

Histórias à Brasileira - A Moura Torta e Outras - Vol. 01

 

Não se sabe ao certo quem inventou as narrativas do livro: as pessoas as contam porque ouviram alguém contar para elas. No caso de Ana Maria Machado, quem contava algumas dessas histórias era a avó da escritora. E a avó da Ana Maria, por sua vez, tinha ouvido as mesmas histórias da avó ela. É o caso de "Pimenta no cocuruto", que conta a história de uma galinha que, um belo dia, ciscava debaixo de uma pimenteira. De repente, cai uma pimenta no alto da cabeça dela, bem no cocuruto. A pobre galinha acha que é um aviso de que o mundo está acabando e sai espalhando a notícia para a bicharada.

"A Moura Torta" é a história de uma velha feiticeira caolha que todo mundo chamava de Moura Torta porque parecia uma bruxa. Ela vai buscar água no riacho, vê o reflexo de uma bela figura feminina na água e pensa que está vendo a si própria. A moça do reflexo, na verdade, é uma princesa encantada. A Moura Torta faz um feitiço e a transforma numa pomba branca para tentar roubar o príncipe da garota.
Além de "A Moura Torta" e "Pimenta no cocuruto", o livro traz também os contos "O macaco e a viola", "João Bobo", "Festa no céu", "Dona Baratinha", "O Bicho Folhagem", "O Veado e a Onça", "Maria Sapeba" e "A galinha que criava um ratinho".

Contos populares do Brasil

  

Silvio Romero, um dos mais importantes pesquisadores do folclore brasileiro, com mais de 90 livros publicados, apresenta neste livro seus resultados em estudar e sistematizar cientificamente o folclore brasileiro, tendo em vista a busca de um caráter nacional com base no princípio da mestiçagem entre os elementos europeu, indígena e negro.







domingo, 9 de maio de 2021

Os Sons do Rosário - O Congado dos Arturos e Jatobá

O som é seco como o chão sob os pés calçados em sapatos simples. Pelas ruas, com repiques de tambores e chiados de gungas, brasileiros cantam a própria fé. Na companhia do grupo, vai a pesquisadora Glaura Lucas, buscando compreender os ritmos musicais das comunidades afro-brasileiras dos Arturos e do Jatobá. O resultado das observações está no livro Os sons do Rosário - o Congado mineiro dos Arturos e Jatobá, que acaba de ser lançado pela Editora UFMG.



Em 360 páginas, Glaura mostra como os rituais do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, ancorados na tradição africana, se manifestam pela música no interior mineiro. "Na África, orar pela música faz parte da tradição", explica, ressaltando que isso dá caráter sagrado aos instrumentos, que se transformam em elo entre o homem e o divino. 

Cada grupo, entretanto, aproxima-se da divindade com suas próprias notas, o que gera parâmetros musicais peculiares e identidades comunitárias. "Arturos e Jatobá, por exemplo, são grupos musicais próximos, mas com sotaques particulares", frisa.

De acordo com a pesquisadora, o Congado é composto, em linhas gerais, por manifestações africanas, predominantemente de origem bantu, mas com sincretismos. "O código musical que transita nas festas deriva de interações culturais bantu, reelaboradas no Brasil pelo contato com europeus, com outras culturas negras e também com indígenas locais", diz. Segundo Glaura, a expressão religiosa do Congado desenvolveu-se dentro do sistema escravista brasileiro, como resultado do violento processo de imposição cultural sofrido pelos negros: "Em decorrência dos contatos culturais, eles reelaboraram valores alheios à sua concepção de mundo, reinterpretando o catolicismo por meio de sua própria cosmovisão".

GUARDAS
De origem semelhante, tanto Arturos quanto Jatobá contam com os mesmos tipos de guardas: Congo, Moçambique e Candombe. "As guardas são grupos específicos com características e funções próprias", diz Glaura. Ela afirma que, quanto ao ritmo, o Congo desfruta de maior liberdade, explora sons mais variados. Já o Moçambique está mais preso a padrões básicos. "Isso se explica pelo fato de eles serem os responsáveis pela condução de reis e rainhas". O Candombe é um grupo de ritual interno, que não percorre as ruas tocando instrumentos. Externamente, ele é representado pelo Moçambique.

Como fruto de estudo etnomusical, o livro apresenta uma avaliação da música dentro de seu contexto social e cultural. Para a autora, essa é a maior contribuição da obra: "Não é uma simples descrição dos ritmos musicais, mas o que a música representa para as pessoas que a produzem", relata.

Glaura Lucas diz que, com a mente voltada para os "nego véio" e para os santos católicos, os congadeiros cantam, tocam e dançam, reverenciando Nossa Senhora do Rosário, os antepassados escravos e São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora das Mercês. Segundo ela, os congadeiros buscam "na beira do mar" a origem, o princípio, a fundamentação mítica que conta a aparição de Nossa Senhora do Rosário para os negros. "A devoção dos negros africanos à Nossa Senhora do Rosário é atribuída à aparição e resgate de uma imagem de santa, em Argel, na Argélia", afirma Glaura. Ela explica que a lenda foi reelaborada e transmitida de geração a geração, da África para o Brasil, e hoje assume várias versões regionais: "Entretanto, todas têm como ponto convergente a identificação de Nossa Senhora do Rosário com o sofrimento dos negros, com quem ela opta por ficar".

Os rituais do Reinado de Nossa Senhora do Rosário se cumprem pela música, cuja força emana dos sons dos instrumentos sagrados, dinamizando os textos cantados e os gestos do corpo, num ato único de oração. Vencedora do Prêmio Sílvio Romero em 1999, está obra faz uma análise do Congado das Irmandades de Contagem (Arturos) e do Jatobá a partir de sua paisagem sonora e musical, com ênfase na linguagem rítmica dos instrumentos sagrados, por ser essa a referência musical que mais identifica cada grupo – Congo, Moçambique e Candombe.
 
 

Texto extraído de: https://www.ufmg.br/boletim/bol1378/oitava.shtml


Cadernos do Patrimônio: Violas de Minas

 



Cadernos do Patrimônio: Folias de Minas

 



A Festa do Rosário do Serro e a complexidade da fé retratadas em livro

“O que não está escrito, o vento leva”. Foi pensando nessa sábia frase de sua mãe, Dona Lucinha, que a historiadora Márcia Clementino Nunes resolveu contar a história da fé de negros escravos em Nossa Senhora do Rosário. A santa faz parte de uma tradição cristã e branca, mas é considerada protetora dos pretos de Minas Gerais.



A narrativa construída pela historiadora explica a concretização de um antigo rito, a tricentenária Festa do Rosário, que hoje é patrimônio cultural da história de Minas e do Brasil. O livro Festa do Rosário do Serro ilustra a complexidade dessa fé, traduzida em danças, batidas de tambor, fantasias e música.
A comemoração, que surgiu como uma forma de resistência à escravidão, é um teatro que narra a história colonizadora do estado e do país. A tradição reúne catopês, caboclos e marujos, grupos que dançam por devoção a Nossa Senhora do Rosário.

 “Como um rio, o negro foi se adaptando e achando caminhos, até desaguar num mar de superação da tamanha desumanidade gerada pela escravidão”. A reflexão é da historiadora Márcia Clementino Nunes, que há mais de 30 anos investiga a complexidade de um dos festejos mais antigos do povo negro no Brasil. A pesquisa resultou em “Festa do Rosário do Serro”, que trata da celebração tricentenária na cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

Com 224 páginas, o livro ilustra em imagens e texto a fé dos negros escravos na Nossa Senhora do Rosário, santa de tradição cristã e branca, que se transformou em protetora dos pretos em Minas Gerais. “A historiografia trata a festa como uma expressão do negro que se adaptou ao sistema, que encontrou uma santa branca. Quando fui estudar história, fiquei me perguntando: ‘será que a festa tem algo mais a dizer que essa leitura de cima para baixo?’”, diz a serrana, ressaltando que o livro traz fotos de Miguel Aun. 

A partir daí, Nunes passou a pesquisar a representação teatral do festejo, que narra a história colonizadora de Minas e do Brasil. Nela, três grupos dançam pela devoção à santa – catopês, caboclos e marujos, representando negros, índios e brancos, etnias básicas da formação brasileira. 

“O negro escravizado foi apartado de sua terra natal e separado dela por um mar atlântico. Um caminho sem volta, cujas possibilidades eram apenas o suicídio, a fuga para os quilombos ou a adaptação”, explica. “Então, pelos que tentaram se adaptar, foi criado esse ritual complexo e maravilhoso, uma expressão da voz do escravizado”. 

Nunes destaca que, por meio de danças, tambores arcos e flechas, a Festa do Rosário retrata o mundo colonial em que os negros escravizados viviam – colocando-os, porém, como protagonistas. “É um ritual que recupera as estruturas sociais rompidas pela escravidão, recompondo simbolicamente famílias e costumes de uma forma subliminar e sutil, já que não havia outra saída”, afirma. “Sendo reis e rainhas, buscavam recuperar sua dignidade; dançando e batendo tambores retomavam suas estruturas culturais. É um modo de escape do desejo de ter a liberdade e a dignidade de volta”.



Texto extraído de:
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/livro-registra-historia-e-tradicao-da-festa-de-nossa-senhora-do-rosario
https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/livro-revela-nuances-da-festa-do-ros%C3%A1rio-do-serro-lan%C3%A7amento-acontece-nesta-ter%C3%A7a-1.678156