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quinta-feira, 5 de março de 2026

Das hortas de quintal ao milho guarani, livro resgata as raízes da cozinha caipira no Brasil

A Culinária Caipira da Paulistânia mistura o processo de formação da cultura caipira com receitas nunca antes divulgadas 


Culinária caipira é retratada em livro escrito por Carlos Alberto Dória e Marcelo Corrêa Bastos | Crédito: Estúdio Arado

Um modo de se alimentar que faz parte da identidade brasileira, mas ficou marginalizado durante muito tempo. Essa é a história contada no livro "A culinária caipira da Paulistânia", que acabou de ser relançado pela Editora Fósforo.

"A culinária caipira é uma culinária de pobres, essencialmente de pobres. Essa informalidade, digamos assim, essa precariedade, é a base da culinária caipira e por isso mesmo ela foi esquecida, reprimida", explica o sociólogo Carlos Alberto Dória, um dos autores. 

O escritor conta que durante a pesquisa para a produção do livro ele foi percebendo como, de fato, a culinária caipira Paulistânia não é só coisa de São Paulo. Todo esse conhecimento culinário adentra o Brasil e tem raízes diversas

"Aos poucos eu fui vendo que a abrangência era muito maior do que São Paulo e Minas Gerais. Incluía Goiás, Mato Grosso, etc. E o trabalho foi nessa área, fui vendo o que ela tinha em comum no seu processo de formação, que é a basicamente a penetração dos bandeirantes e a presença forte dos índios Guaranis, resultando em uma sociedade baseada na produção de subsistência em pequenos sítios e tal. Então esse foi o enquadramento geral", completa.

Quase totalmente baseada na utilização do milho, a culinária caipira tem influência indígena. Exótico, o alimento foi trazido ao Brasil pelo povo guarani, vindo de outros países da América do Sul.

O ingrediente é uma das estrelas no restaurante do chef Marcelo Corrêa Bastos, que também é coautor do livro. Ele redescobriu sua raiz caipira no processo de escrita da obra.

"É uma cozinha baseada na horta de subsistência, na horta do quintal, nas carnes, a princípio as carnes de caça, depois é assimilado a carne suína e de aves, e principalmente no milho. O milho está em praticamente todas as refeições da dieta caipira ou do ideal da dieta caipira. O milho em suas várias formas, principalmente na forma de farinha de milho", explica Marcelo.


Texto extraído de: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/12/28/das-hortas-de-quintal-ao-milho-guarani-livro-resgata-as-raizes-da-cozinha-caipira-no-brasil/

Fonte Imagem: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/12/28/das-hortas-de-quintal-ao-milho-guarani-livro-resgata-as-raizes-da-cozinha-caipira-no-brasil/

 


terça-feira, 26 de julho de 2022

Empório Brasil - Rolando Boldrin

  

Este livro traz histórias que retratam o rico universo do Brasil interiorano, povoado de personagens engraçadíssimos como o caipira esperto, o padre da roça, o bêbado e o moleque safado, sem contar as ´otoridades´ e as ´cumadris´, cheias de histórias para contar.


domingo, 24 de julho de 2022

Casos de Minas


As memórias de um homem do interior. A memória de Minas Gerais recuperada em histórias e "causos" populares. Um texto gostoso, bem-humorado e fluente. Olavo vai com saúde no fundo de sua memória e de lá resgata certas coisas que ele gostaria que não morressem: um som particular, um cheiro impregnado na pele, bicho, gente, nossa gente, situações. Ele não cai nunca na arapuca das descrições, narra apenas. O estilo é limpo, sem maquilagem, e se casa perfeitamente com as histórias. A manha, a picardia, a sabedoria de um homem de interior – está tudo aqui, inteiro e intacto.





Exposição Café e Folclore Caipira - Museu do Café

 


A mostra educativa Café e folclore caipira leva ao público um pouco do que é popularmente conhecido como folclore caipira, revelando os costumes e o cotidiano do “caipira”, personagem tão importante para a história do café em São Paulo. Seus painéis e jogos permitem ao público conhecer algumas tradições da cultura, como superstições, simpatias, receitas, cantigas e técnicas medicinais caseiras à base de café.

Clique aqui para realizar o download da exposição em formato PDF.



Leréias

 

 Considerado um dos fundadores do regionalismo, Valdomiro Silveira notabiliza-se por ter, nos contos sobre o mundo rural, o foco dirigido para o homem caipira. Em 'Leréias' um narrador caipira conta a história a um interlocutor culto, que, entretanto, é apenas referenciado no texto. Essa técnica permite a homogeneidade na linguagem utilizada: não há distância entre o falar culto e o dialetal da personagem. Além disso, ou por causa disso mesmo, não se tem o olhar superior do narrador sobre o mundo narrado. Os contos deste livro atestam o profundo humanismo do autor.

Histórias caipiras

 



O volume "Histórias Caipiras reúne sete textos que retratam a cultura caipira, assinados por grandes escritores: Cornélio Pires, Afonso Arinos, Hugo de Carvalho Ramos, Valdomiro Silveira, Mário de Andrade, João Alphonsus e Bernardo Élis. Originárias de três estados brasileiros – São Paulo, Minas Gerais e Goiás – as histórias dão ao leitor uma amostra significativa de como a figura do caipira, tão estereotipada, mas de importância central na formação do povo brasileiro, apareceu nas páginas de nossa literatura.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Livro digital de acesso gratuito lança olhar contemporâneo sobre o fandango Caiçara de Cananeia

  

Quando um mestre do fandango caiçara pede a benção de São Gonçalo, o padroeiro dos violeiros, e começa a cantar ao som de violas, rabecas e adufes em bailes animados, uma tradição secular está se renovando em Cananeia, cidade mais meridional do litoral do estado de São Paulo. Com a missão de difundir esta que é uma das mais ricas manifestações populares brasileiras, acaba de ser lançado para download gratuito pela internet o livro “Amanhece! Patrimônio, Memória e História do Fandango Caiçara em Cananeia”, iniciativa da organização social Ponto de Cultura Povos da Mata Atlântica e primeiro lançamento digital da editora independente Same Same.

Com raízes ibéricas e identidade genuinamente caiçara fortalecida no litoral Sul e Sudeste do Brasil nos últimos três séculos, o fandango caiçara é reconhecido, desde 2012, como Patrimônio Cultural Imaterial nacional. Em Cananeia, primeira vila fundada pelos portugueses no Brasil, em 1531, o fandango encontrou um terreno fértil para se desenvolver como prática festiva de integração comunitária ao final de mutirões nas comunidades tradicionais caiçaras do município. O livro “Amanhece!” revisita essa trajetória ao longo de 124 páginas com links para vídeos, áudios e até histórias em quadrinhos que buscam aproveitar o melhor das ferramentas online disponíveis para livros digitais.

Idealizado pelo educador Cleber Rocha Chiquinho e escrito por ele, pela jornalista caiçara Catharina Apolinário de Souza e pelo também pesquisador de cultura caiçara Fernando Oliveira Silva, “Amanhece! Patrimônio, Memória e História do Fandango Caiçara em Cananeia” revela a mais importante manifestação popular da cidade também pela sua faceta contemporânea. As participações crescentes de jovens e de mulheres nas apresentações musicais, poéticas e coreográficas evidenciam a renovação do fandango em meio a um cenário que conta com sete grupos em atividade no município, em uma mistura criativa de mestres e aprendizes.

Das canções passadas de pai para filho nas famílias Pereira e Neves aos desafios para manter viva a tradição no quilombo do Mandira, das diferenças entre as danças à incorporação de novos instrumentos musicais, uma série de histórias curiosas faz do livro uma referência inédita no universo da cultura popular. Tanto as entrevistas quanto as belas fotos de Maurício Velloso que se somam ao acervo do grupo foram produzidos em meio aos desafios da pandemia de Covid-19 com verba aprovada em edital pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) 2020, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

“Amanhece!” é uma iniciativa multiplataforma da organização social Ponto de Cultura Povos da Mata Atlântica e faz parte do Programa Puxirão, que desde 2009 trabalha para salvaguardar, registrar e disseminar o fandango caiçara. Para o fandangueiro Beto Pereira, “esse trabalho vale ouro. Esta turma merece um troféu por fazer este trabalho, em plena pandemia, para valorizar o fandango, que é a minha vida e a maior alegria que tenho”, afirma. O fundador do Ponto de Cultura Povos da Mata Atlântica, Fernando Oliveira, credita todo o mérito aos fandangueiros. “O fandango é uma cultura viva que precisa ser valorizada. Nosso objetivo era lançar o livro presencialmente, com um grande baile caiçara, mas decidimos adiar devido à pandemia. Esperamos que no segundo semestre possamos realizar esse evento”, continua Fernando.

“Amanhece!” celebra a parceria do Ponto de Cultura com os jornalistas Catharina Apolinário de Souza, coautora dos textos, e Daniel Nunes Gonçalves, editor da Same Same, editora independente voltada para temas sobre diversidade cultural. O design é assinado pelo diretor de arte Ricardo Godeguez, finalista do Prêmio Jabuti em 2020, na categoria projeto gráfico, pelo livro anterior da Same Same, “Paisagens Gastronômicas”, sobre pequenos produtores de alimento do estado de São Paulo. Quem assina o prefácio é a educadora Maria Rita Basso, radicada em Cananeia. Por fim, as ilustrações ficaram por conta do criativo artista visual Bruno Romão, que tem um trabalho de pesquisa sobre cultura popular brasileira, cultura urbana e memória. Este coletivo multidisciplinar acredita na cultura, na arte e na educação como ferramentas de transformação da sociedade.

Para acessar o livro: https://bit.ly/livroamanhece



Texto extraído de: https://www.kleberpatricio.com.br/arte-cultura/livro-digital-de-acesso-gratuito-lanca-olhar-contemporaneo-sobre-o-fandango-caicara-de-cananeia/

Vivências Caipiras - Pluralidade Cultural e Diferentes Temporalidades na Terra Paulista

  

Caipira, no senso comum e preconceituoso, é o habitante de nosso interior atrasado, de instrução precária e costumes ultrapassados. Para os especialistas, contudo, caipira é a parcela de nossa população que resultou da miscigenação original entre brancos, índios e, mais tarde, negros, principalmente em São Paulo, e cuja cultura rústica, embora transformada e ressignificada, permanece como parte integrante da cultura nacional. É impossível, sustentam esses especialistas, compreender nossa formação histórica e nossa realidade atual sem incorporar as contribuições culturais dessa população, costumeiramente esquecida e marginalizada. A obra da professora Maria Alice Setúbal sobre os modos caipiras de vida no estado de São Paulo é, por isso, valiosa para desfazer preconceitos e ampliar o conhecimento de nossa história e da complexidade estrutural de nossa sociedade. Mesmo num estado desenvolvido, como São Paulo, mas caracterizado por sensíveis diferenças demográficas e culturais entre a capital e o interior, e entre os municípios de cada uma de suas regiões, “como pensar a formação de cidadãos”, indaga provocativamente a autora, “sem levar em conta esses aspectos simbólicos que norteiam a vida de grande parte da população?”


Empório Brasil - Rolando Boldrin

  

Este livro traz histórias que retratam o rico universo do Brasil interiorano, povoado de personagens engraçadíssimos como o caipira esperto, o padre da roça, o bêbado e o moleque safado, sem contar as ´otoridades´ e as ´cumadris´, cheias de histórias para contar.


domingo, 4 de julho de 2021

“Calango tango no calango da lacraia" - Intelectuais, Cidadania e Cultura Política

 


 O  presente  texto  trata  de  uma  manifestação  cultural   que  recebeu  pouquíssima  atenção  da bibliografia  especializada,  denominada  Calango.  No Calango,  os  agentes  sociais  que  o  praticam vêem  uma  oportunidade,  através  de  muita  irreverência,  de  ação  e  contestação  política,  cantando  o seu  cotidiano  e  dando  a  sua  opinião  sobre  a  situação  da  comunidade  através  de  versos  cantados  e desafios. O artigo é ao todo divido em cinco partes. Uma introdução, onde serão colocadas algumas considerações iniciais e questões que perpassarão por todo ele. A segunda parte (Mas, enfim, o que é o Calango?) apresenta uma breve descrição de como se caracteriza um Calango. Na terceira parte (O Calango  pelo  olhar  folclorista)  demonstraremos  como  o  Calango  foi  percebido  e  estudado  por folcloristas  e  intelectuais.  A  quarta  parte  (Versos,  Linhas  e  Rimas) faremos  uma  análise  de  alguns versos  e  rimas.  E,  por  fim,  uma  quinta  parte  (Afinal,  Calango  Rima  com  cultura  política?)  onde encerramos  o  artigo  através  de  uma  indagação:  será que  o  Calango  rima  com  os  conceitos  de cidadania e cultura política?