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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

As lendas da Amazônia que mexem com imaginário popular

 


O folclore brasileiro é rico em histórias. Quem nunca ouviu de seus avós ou pais, as fantásticas lendas que cercam o imaginário do amazônida?

O folclore brasileiro é rico em histórias. Quem nunca ouviu de seus avós ou pais, as fantásticas lendas que cercam o imaginário do amazônida?  O Portal Amazônia selecionou 10 lendas bastante populares na região. 


Lenda de Iara

É uma das histórias mais conhecidas da Amazônia. A Iara é descrita como uma linda mulher morena, de cabelos negros e olhos castanhos. Ela exerce grande fascínio nos homens e aqueles que a vêem banhar-se nos rios não conseguem resistir aos seus encantos e atiram-se nas águas. Eles nem sempre voltam vivos e os que sobrevivem, ficam assombrados, falando em castelos, séquitos e cortes de encantados.É preciso muita reza e pajelança para quebrar o encantamento. Alguns descrevem Iara com uma cintilante estrela na testa, que funciona como chamariz que atrai e hipnotiza os homens.Acredita-se também que ela tem forma de peixe na parte inferior do corpo, outros dizem que é apenas um vestido, ou uma espécie de saia que ela veste por vaidade e para dar a ilusão de ser metade mulher, metade peixe. Em certos locais, dizem que a Iara é um boto-fêmea. Em outros lugares dizem ser a própria boiúna (cobra grande).


Lenda da Cobra Grande

A Cobra Grande, ou Boiúna, é uma lenda amazônica que fala de uma imensa cobra que cresce de forma desmensurada e ameaçadora, abandonando a floresta e passando a habitar a parte profunda dos rios. Ao rastejar pela terra firme, os sulcos que deixa se transformam nos igarapés.Conta a lenda que a Cobra Grande pode se transformar em embarcações ou outros seres. Ela está presente em diversos contos indígenas, um deles conta que em uma certa tribo, uma índia, grávida da Boiúna, deu à luz a duas crianças gêmeas. Uma delas, má, atacava os barcos, naufragando-os. A história tornou-se célebre no poema Cobra Norato, de Raul Bopp, sendo encenado inclusive, em teatros de vários países.No mundo real, a verdadeira cobra grande é na verdade a sucuriju, ou sucuri, a temida anaconda. O animal pode atingir mais de 10 metros de comprimento. Ela mata as presas por constrição, apertando-as até a morte.Celebrizada em filmes de terror, é temida pela população ribeirinha, pois habita as áreas inundáveis e é dotada de grande força, sendo capaz de neutralizar qualquer tentativa de defesa da vítima.



Lenda do Mapinguari

Os caboclos contam que dentro da floresta vive o Mapinguari, um gigante peludo com um olho na testa e a boca no umbigo. Para uns, ele é realmente coberto de pelos, porém usa uma armadura feita do casco da tartaruga. Para outros, a sua pele é igual ao couro de jacaré.Há quem diga que seus pés têm o formato de uma mão de pilão. O Mapinguari emite um grito semelhante ao grito dado pelos caçadores. Se alguém responder, ele logo vai ao encontro do desavisado, que acaba perdendo a vida.A criatura é feroz e não teme nem caçador, porque é capaz de dilatar o aço quando sopra no cano da espingarda. Os ribeirinhos amazônicos contam muitas histórias de grandes combates entre o Mapinguari e valentes caçadores.O Mapinguari sempre leva vantagem e os caçadores que conseguem sobreviver, muitas vezes ficam aleijados ou com terríveis marcas no corpo para o resto da vida. Há quem diga que o Mapinguari só anda pelas florestas de dia, guardando a noite para dormir.Quando anda pela mata, vai gritando, quebrando galhos e derrubando árvores, deixando um rastro de destruição. Outros contam que ele só aparece nos dias santos ou feriados.Dizem que ele só foge quando vê um bicho-preguiça. O que ninguém explica é porque ele tem medo justamente do seu parente, já que é considerado um bicho-preguiça pré-histórico.



Lenda do Curupira

O Curupira é o guardião das florestas e dos animais. Possui traços indígenas, cabelo de fogo e os pés virados para trás. Dizem que possui o dom de ficar invisível.O curupira é o protetor daqueles que sabem se relacionar com a natureza, utilizando-a apenas para a sua sobrevivência. O homem que derruba árvores para construir sua casa e seus utensílios, ou ainda, para fazer o seu roçado e caçar apenas para alimentar-se, tem a proteção do Curupira. Mas aqueles que derrubam a mata sem necessidade, os que caçam indiscriminadamente, estes têm no Curupira um terrível inimigo e acabam caindo em suas armadilhas. Para vingar-se, o Curupira se transforma em caça. Pode ser uma paca, onça ou qualquer outro bicho que atraia os caçadores para o meio da floresta, fazendo-o perder a noção de seu rumo e ficar dando voltas no mato, retornando sempre ao mesmo lugar. Outra forma de atingir os maus caçadores é fazendo com que sua arma não funcione ou fique incapaz de acertar qualquer tipo de alvo, principalmente a caça. Na realidade, a lenda do Curupira revela a relação dos índios brasileiros com a mata. Não é uma relação de exploração, de uso indiscriminado, mas de respeito pela vida.



Lenda do Pirarucu

Pirarucu era um índio que pertencia à tribo dos Uaiás. Era um bravo guerreiro, mas tinha um coração perverso, mesmo sendo filho de Pindarô, um homem de bom coração, chefe da tribo. Egoísta e cheio de vaidades, Pirarucu adorava criticar os deuses. Um dia ele aproveitou a ausência do pai para tomar índios da sua tribo como reféns e executá-los sem nenhum motivo.Tupã, o deus dos deuses, decidiu puni-lo chamando Pólo para que espalhasse o seu mais poderoso relâmpago. Também convocou Iururaruaçu, a deusa das torrentes, e ordenou que provocasse a mais forte tempestade sobre Pirarucu quando estava pescando com outros índios às margens do Rio Tocantins.O fogo de Tupã foi visto por toda floresta. Pirarucu tentou escapar, mas foi atingido no coração por um relâmpago fulminante. Todos que estavam com ele correram para a selva assustados.O corpo de Pirarucu, ainda vivo, foi levado para as profundezas do Rio Tocantins e transformado em um gigante e escuro peixe. Acabou desaparecendo nas águas e nunca mais retornou, mas por um longo tempo aterrorizou toda a região.



Lenda do Guaraná

Um casal de índios pertencente a tribo Maués vivia junto por muitos anos sem ter filhos. Um dia eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar suas vidas. Tupã, sabendo que o casal era bondoso, lhes atendeu o desejo dando a eles um lindo menino. O tempo passou e o menino cresceu bonito, generoso e querido por todos na aldeia. No entanto, Jurupari, o deus da escuridão e do mal, sentia muita inveja do menino e decidiu matá-lo. Certo dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari aproveitou a ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa que atacou e matou o menino. A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que deveriam plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos. Assim foi feito e os índios plantaram os olhos da criança. No lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras rodeadas por uma película branca, muito semelhante ao olho humano.



Lenda do Monte Roraima


Os índios Macuxi contam que antigamente, no local onde hoje existe o Monte Roraima, existiam apenas terras baixas e alagadiças, cheias de igapó. As tribos que viviam naquela área não precisavam disputar comida, pois a caça e a pesca eram fartas. Uma vez, nasceu um belo pé de bananeira. A estranha planta cresceu muito rápido e deu belíssimos e apetitosos frutos. Os pajés avisaram a todos que aquele vegetal era um ser sagrado e que como tal seus frutos eram proibidos para qualquer pessoa da tribo. Eles disseram ainda que caso alguém desobedecesse a regra e tentasse comer uma fruta daquelas, desgraças terríveis aconteceriam: a caça se tornaria rara, as frutas secariam e até a terra iria tomar um formato diferente. Era permitido comer de tudo, menos os frutos da bananeira sagrada. Todos passaram a temer e a respeitar as ordens dos pajés. Mas houve um dia em que, ao amanhecer, todos correram para ver com espanto a primeira desgraça de muitas que ainda estavam por vir: um cacho da bananeira havia sido decepado. Todos se perguntavam, mas ninguém sabia dizer quem poderia ter feito aquilo. Antes que tivessem tempo para descobrir o culpado, a previsão dos mais velhos começou a acontecer. A terra começou a se mover e os céus tremiam em trovões. Todos os animais, da terra ou do céu, bateram em retirada. Um dilúvio começou a despencar e um enorme monte começou a brotar rasgando aquelas alagadas terras. E foi assim que nasceu o Monte Roraima. É por tudo isso que, até os dias de hoje, acredita-se que o monte Roraima chora quando de suas pedras caem pequenas gotas de água cristalina.



Lenda dos rios Xingu e Amazonas


A origem dos rios Xingu e Amazonas também faz parte do imaginário indígena. Dizem que antigamente era tudo seco. Na Floresta Amazônica não tinha água nem rio. A ave Juriti era a dona da água e a guardava em três tambores. Certo dia, os três filhos de Cinaã estavam com sede e foram pedir água para o passarinho. Ele não deu e disse: - Seu pai é Pajé muito grande, por que não dá água para vocês? Eles voltaram para casa chorando muito. Cinaã perguntou porque estavam chorando e eles contaram. Cinaã disse para eles não irem mais lá que era perigoso, tinha peixe grande dentro dos tambores. Mas eles foram assim mesmo e quebraram os tambores. Quando a água saiu, Juriti virou bicho. Os irmãos pularam longe, mas o peixe grande que estava lá dentro engoliu Rubiatá (um dos irmãos), que ficou com as pernas para fora da boca do peixe. Os outros dois irmãos começaram a correr e foram fazendo rios e cachoeiras com a corrida. O peixe grande foi atrás levando água e fazendo o rio Xingu. Continuaram a correr até chegar no Amazonas. Lá os irmãos pegaram Rubiatá, que estava morto. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. Rubiatá virou gente novamente. Depois eles sopraram a água no Amazonas e o rio ficou muito largo. Voltaram para casa e disseram que haviam quebrado os tambores e que teriam água por toda a vida para beber.



Lenda da Matinta Perera


Conta a lenda, que à noite, um assobio agudo perturba o sono das pessoas e assusta as crianças, ocasião em que o dono da casa deve prometer tabaco ou fumo. Ao ouvi-lo, o morador diz: - Matinta, pode passar amanhã aqui para pegar seu tabaco. No dia seguinte uma velha aparece na residência onde a promessa foi feita, a fim de apanhar o fumo. A velha é uma pessoa do lugar que carregaria a maldição de 'virar' Matinta Perera, ou seja, à noite transformar-se neste ser indescritível que assombra as pessoas. A Matinta Perera pode ser de dois tipos: com asa e sem asa. A que tem asa pode transformar-se em pássaro e voar nas cercanias do lugar onde mora. A que não tem, anda sempre com um pássaro, considerado agourento, e identificado como sendo 'rasga-mortalha'. Dizem que a Matinta, quando está para morrer, pergunta: "Quem quer? Quem quer?". Se alguém responder "eu quero", pensando em se tratar de alguma herança de dinheiro ou jóias, recebe na verdade a sina de 'virar' Matinta Perera.



Lenda da Vitória Régia


Há muitos anos, nas margens do majestoso rio Amazonas, as jovens e belas índias de uma tribo, se reuniam para cantar e sonhar seus sonhos de amor. Elas ficavam por longas horas admirando a beleza da lua branca e o mistério das estrelas sonhando um dia ser uma delas. Enquanto o aroma da noite tropical enfeitava aqueles sonhos, a lua deitava uma luz intensa nas águas, fazendo Naiá, a mais jovem e mais sonhadora de todas, subir numa árvore alta para tentar tocar a lua. Ela não obteve êxito. No dia seguinte, ela e suas amigas subiram as montanhas distantes para sentir com suas mãos a maciez aveludada da lua, mas novamente falharam. Quando elas chegaram lá, a lua estava tão alta que todas retornaram à aldeia desapontadas. Elas acreditavam que se pudessem tocar a lua, ou mesmo as estrelas, se transformariam em uma delas. Na noite seguinte, Naiá deixou a aldeia esperando realizar seu sonho. Ela tomou o caminho do rio para encontrar a lua nas negras águas. Lá, imensa, resplandescente, a lua descansava calmamente refletindo sua imagem na superfície da água. A índia, em sua inocência, pensou que a lua tinha vindo se banhar no rio e permitir que fosse tocada. Naiá mergulhou nas profundezas das águas desaparecendo para sempre. A lua, sentindo pena daquela jovem vida perdida, transformou a índia em uma flor gigante - a Vitória Régia - com um inebriante perfume e pétalas que se abrem nas águas para receber em toda sua superfície, a luz da lua.



Texto extraído de: 
https://portalamazonia.com/cultura/conheca-as-lendas-da-amazonia-que-mexem-com-imaginario-popular
Fonte Imagem:
https://portalamazonia.com/cultura/conheca-as-lendas-da-amazonia-que-mexem-com-imaginario-popular

A relação dos povos da Amazônia com as lendas

 


As lendas têm influência no modo de vida da população, trazem ainda o respeito com a natureza e fazem parte da identidade cultural de um povo.

Lendas e estórias (narrativas de cunho popular), fazem parte da cultura dos povos, e ao longo dos anos, é comum que todos já tenham se deparado com as lendas, que passam de geração em geração. Esses contos fazem parte da construção da memória e da identidade cultural de um povo.

Na Amazônia, principalmente em cidades do interior, as lendas têm forte influência até mesmo no modo de vida da população e através dessas histórias, é possível estabelecer uma relação de respeito com a natureza e o meio no qual estão inseridos.

 As lendas fazem parte da vivência de quem mora na Amazônia, por isso, o Tapajós de Fato ouviu o trabalhador rural Claudionor Sales, de 60 anos, morador de Monte Alegre, que relatou que durante sua infância e adolescência um tio já falecido reunia as crianças para contar histórias, entre as histórias contadas ele contava a história de “ - um certo homem que caçava todo dia de domingo, durante um domingo enquanto ia para a caça a esposa dele falou para ele não ir caçar, que domingo era dia de descanso, então o homem respondeu: domingo também era dia de comer. Até que certa vez apareceu o famoso Jurupari (personagem das lendas da Amazônia), quando o jurupari apareceu para o homem a cada pedaço dele que comia, Jurupari falava que domingo também se comia”. Claudionor relata que desde que ouviu essa história, contada pelo seu tio e gostar de caçar no interior onde vive, passou a respeitar os domingos, entende que a lenda traz consigo a lição do domingo como um dia de descanso.

 Para Claudionor, “a geração atual perdeu a crença nas lendas, mas eu sou do período que sempre acreditou”, e diante disso ele sempre buscou o respeito pela natureza e repassou para seus filhos, que “antes de entrar na mata, nos rios é preciso pedir licença (...) pois a natureza é cheia de mistérios”. 

A história dos personagens místicos da Amazônia se confundem com a história dos povos que nela residem, através dessas lendas é possível conhecer um pouco mais da relação do homem com a natureza e fazer a manutenção do saber popular. 

O Tapajós de Fato entrevistou o professor Itamar Rodrigues, que estuda povos tradicionais, quilombolas e ribeirinhos, e fez um resgate sobre o folclore e a cultura dos povos da Amazônia.

De acordo com o professor, “o folclore é o conhecimento total que um povo tem sobre si mesmo, seu mundo, suas relações com a natureza”, enquanto a cultura “é a manifestação prática desse onhecimento (...) que pode ser manifestada através da música, dança, festas populares e festivais folclóricos".

 Para Itamar Rodrigues, no norte, região sustentada pelo bioma amazônico, interfere na vida das pessoas, fazendo com que as mesmas desenvolvam seus modos de vida a partir do convívio com a floresta, e essas práticas culturais estão vinculadas ao conhecimento popular, cujo valor é de sustentar a importância dessas manifestações, ainda de acordo com o professor, a diversidade cultural na Amazônia é uma característica fundamental e deve ser reconhecida, incentivada e protegida.

 Segundo Itamar Rodrigues, as manifestações culturais na Amazônia são diferentes e por vezes divergentes e, são essas manifestações que ganham significados à medida que seus agentes vivenciam, subvertem e transformam suas experiências cotidianas. 

Na Amazônia, há exemplos de manifestações culturais de diversas formas que remontam a um passado que percebia a natureza como lugar mítico e sagrado, a exemplo da lenda do Muiraquitã, amuleto oferecido como presente pelas guerreiras nativas Konduris - que a literatura chama de Icamiabas, o amuleto era dado pelas indígenas aos indígenas guerreiros, na região do rio Nhamundá, entre os estados do Amazonas e Pará.

 As histórias também resgatam a lenda da Caapora, também chamada de Curupira, duende protetor da floresta, que pune caçadores que matam os bichos por puro prazer. O Curupira é uma espécie de espírito da floresta, que cuida genialmente de manter a floresta intacta e reage a toda e qualquer maldade humana, segundo o professor. 

Na Amazônia encontram-se diversos festejos culturais que dão identidade cultural à região, como o Festribal de Juruti - PA, o festival dos botos no município de Santarém - PA, o festival dos bois em Parintins - AM. Todos esses festivais são alimentados pelas lendas da região Amazônica, de acordo com o professor Dr. Itamar Rodrigues.

 Das lendas encontradas na Amazônia, destacam-se algumas que fazem parte do resgate e da memória cultural dos povos, as histórias que a maioria ouviu de alguém mais velho ou na escola quando era criança. 

A lenda da Vitória-régia que retrata o amor entre Naia e Jaci, a lenda da Matinta Pereira, que retrata a história de uma senhora idosa que a sabedoria popular costuma afirmar ser uma Bruxa que durante a noite se transforma em um pássaro agourento. Entre as lendas, a lenda do Boto não pode ser esquecida, talvez essa seja a lenda mais contada por moradores da região Amazônica, principalmente para quem vem de fora, a lenda do Boto diz que ele sai do rio durante a noite e encanta a mulher solteira, que depois aparecerá grávida.

As lendas da Amazônia recentemente tiveram uma grande produção cinematográfica através da série Cidade Invisível, na Netflix, que fez alusão aos saberes populares brasileiros, manifestados fortemente nas práticas culturais amazônicas, onde contou com personagens que são conhecidos na cultura popular, como o Curupira, a Iara, o Boto, Saci-pererê, a Cuca, Matinta Pereira, entre outros.

 A conservação da memória cultural através das lendas, estórias, festivais folclóricos e apresentações culturais, reforçam a importância do imaginário popular, do respeito pela ancestralidade e vivência dos povos que residem na Amazônia.



Texto extraído de: https://www.tapajosdefato.com.br/noticia/807/a-relacao-dos-povos-da-amazonia-com-as-lendas
Fonte Imagem: https://www.tapajosdefato.com.br/noticia/807/a-relacao-dos-povos-da-amazonia-com-as-lendas

 

sexta-feira, 29 de julho de 2022

A lenda da Mãe d'Água e Yara no imaginário da arte popular

 

O objetivo deste trabalho é analisar as semelhanças entre a lenda da “Mãe d’Água” e da “Yara” através da arte, ambas sendo, versões africanas e europeias. Este é um mito baseado no modelo de sereias dos contos gregos, difundido entre indígenas brasileiros no século XVIII. Para alguns, são intituladas, como: deusas das águas, protetora dos navegantes e da pesca; meio peixe, meio mulher. A lenda da “Mãe d’Água” possui proximidades em alguns pontos, e afastam-se em outros da “Yara”. Tais analogias mostram-nos que os contos populares brasileiros são carregados de diversas influências culturais, perpassando no tempo e espaço.


Imaginário popular e Geografia do Brasil

  

Ainda está para ser realizada pesquisa em âmbito acadêmico que investigue a contribuição de Luis da Câmara Cascudo ao estudo de Geografia no Brasil. Neste artigo limitar-meei a algumas notas e observações a partir da leitura de Geografia dos Mitos Brasileiros, livro extraordinário publicado em 1948, cuja originalidade deve ser posta em destaque por ter estabelecido as

conexões entre o fabulário popular e os espaços geográficos do país. Destarte, o grande escritor e infatigável pesquisador potiguar sempre enfatizou que a coordenada geográfica era fundamental em sua reflexão sobre o Brasil nos 150 livros que escreveu, justificando com isso o motivo de nunca ter deixado a cidade de Natal para ir morar alhures, embora não Ihe tivessem faltado convites sedutores.



Se escutar um canto à tarde e ficar hipnotizado, é a Iara

 

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Cronistas dos séculos XVI e XVII registraram que, no princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem-peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio. No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Pescadores de toda parte do Brasil, de água doce ou salgada, contam histórias de moços que cederam aos encantos da bela Iara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no leito das águas no fim da tarde. Surge sedutora à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.[4]

 

Referências:
 Portal do Planalto (10 de agosto de 2011). «Espelho d'água». Palácio do Planalto. Consultado em 8 de junho de 2016
 «Protetora das águas». TV Brasil. Consultado em 8 de junho de 2016
 BRANDAO, Toni. A Iara. Studio Nobel, 1998. pp. 16. ISBN 8585445688
 IaraSite Arte e Educação Arquivado em 15 de agosto de 2011, no Wayback Machine.
«A Iara - Olavo Bilac». Portal São Francisco. Consultado em 8 de junho de 2016


Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/
Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Quem maltrata a natureza desperta toda a ira do Curupira

 

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

O Curupira é caracterizado como uma entidade das matas que se manifesta na forma de um menino de cabelos compridos e vermelhos cuja característica principal são os pés virados para trás.[1]


Etimologia

Os termos "curupiral" e "curupira" procedem do tupi kuru'pir, que significa "o coberto de pústulas"[2]. Segundo o folclorista ítalo-brasileiro Ermanno Stradelli, procedem de curu, contração de corumi, "menino", e pira, "corpo", significando, então, "corpo de menino". Já segundo Eduardo Navarro, especialista em tupi antigo, o termo se origina da contração entre kuruba, "sarna" ou "verruga", e pira, "pele", significando, portanto, "pele de sarna" ou "pele de verrugas".[3]


História

Um dos mais populares e espantosos entes fantásticos das matas brasileiras, o curupira é um anão de cabeleira ruiva, pés ao inverso, calcanhares para a frente. A mais antiga menção de seu nome é de José de Anchieta, em São Vicente, em 30 de maio de 1560:

É cousa sabida e pela bôca de todos corre que ha certos demonios, a que os Brasis chamam corupira, que acometem aos Indios muitas vezes no mato, dão-lhes de açoites, machucam-os e matam-os. São testemunhas disto os nossos Irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. Por isso, costumam os Indios deixar em certo caminho, que por asperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras cousas semelhantes como uma especie de oblação, rogando fervorosamente aos curupiras que não lhes façam mal.[4]

Demônio da floresta, explicador dos rumores misteriosos, do desaparecimento de caçadores, do esquecimento de caminhos, de pavores súbitos, inexplicáveis, foi lentamente o Curupira recebendo atributos e formas físicas que pertenciam a outros entes ameaçadores e perdidos na antiguidade clássica. Sempre com os pés voltados para trás e de prodigiosa força física, engana caçadores e viajantes, fazendo-os perder o rumo certo, transviando-os dentro da floresta, com assobios e sinais falsos.

Do Maranhão para o sul até o Espírito Santo, seu apelido constante é Caipora. Eduardo Galvão informa: "Curupira é um gênio da floresta. Na cidade ou nas capoeiras de sua vizinhança imediata não existem currupiras. Habitam mais para longe, muito dentro da mata. A gente da cidade acredita em sua existência, mas ela não é motivo de preocupação porque os currupiras não gostam de locais muito habitados."

"Gostam imensamente de fumo e de pinga. Seringueiros e roceiros deixam esses presentes nas trilhas que atravessam, de modo a agradá-los ou pelo menos distraí-los. Na mata, os gritos longos e estridentes dos Currupiras são muitas vezes ouvidos pelo caboclo. Também imitam a voz humana, num grito de chamada, para atrair vítimas. O inocente que ouve os gritos e não se apercebe que é um Currupira e dele se aproxima perde inteiramente a noção de rumo."

O estado de São Paulo, pela lei de 11 de setembro de 1970, assinada pelo governador Roberto Costa de Abreu Sodré, "institui o Curupira como símbolo estadual do guardião das florestas e dos animais que nela vivem." No município de Olímpia, nesse estado, por mais trinta anos consecutivos, não são assinados quaisquer documentos oficiais durante a semana em que ocorre o Festival de Folclore, no mês de agosto, período em que a autoridade municipal é representada pelo Curupira, que exerce seu poder protegendo a população local e os visitantes que ali comparecem, pássaros, matas, etc. No Horto Florestal da capital paulista há um monumento ao Curupira, inaugurado no Dia da Árvore21 de setembro.


Referências:
Instituto Butantan. «Conheça a história do curupira, o defensor das árvores e dos animais». Consultado em 30 de Junho de 2022
FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 513.
NAVARRO, Eduardo de Almeida. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 245
«Caderno nº 7, CARTA DE SÃO VICENTE, 1560» (PDF). São Paulo: Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Série Cadernos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica: 32. Primavera 1997. Consultado em 9 de fevereiro de 2021
CASCUDO, Luís da CâmaraDicionário do Folclore Brasileiro. 9º edição. São Paulo, Global, 2000.


Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/
Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Se ouvir algum zunido no quintal de sua casa, pode ser Saci

  

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

O saci, também conhecido como saci-pererê, saci-cererê, matimpererê, matita perê, saci-saçurá e saci-trique tem sua origem presumida entre os indígenas da Região das Missões, no Sul do país, de onde teria se espalhado por todo o território brasileiro.

A figura do saci surge como um ser maléfico, como somente brincalhão ou como gracioso, conforme as versões comuns ao sul.

Etimologia

Três termos são importantes: "saci" é oriundo do termo tupi "sa'si". "Matimpererê" é oriundo do termo tupi "matintape're"[6]. O termo "pererê" é oriundo do termo tupi "pererek-a", que significa "ir aos saltos".


Representação

O saci é um negro jovem de uma perna só, portador de uma carapuça sobre a cabeça que lhe concede poderes mágicos. Sobre este último caractere, é de notar-se que, já na mitologia romana, registrava Petrônio, no Satíricon, cujo píleo também conferia poderes ao íncubo e recompensas a quem o capturasse.

Considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas, fazendo pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assovios – bastante agudos e impossíveis de serem localizados. Assim é que faz tranças nos cabelos dos animais, depois de deixá-los cansados com correrias; atrapalha o trabalho das cozinheiras, fazendo-as queimar as comidas, ou ainda, colocando sal nos recipientes de açúcar ou vice-versa; ou aos viajantes se perderem nas estradas. Lhe é atribuída também a capacidade de ser carregado por redemoinhos.

Selo brasileiro de 1974 com a representação do Saci 

O mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII ou começo do XIX.


Influências históricas



Indígena

As entidades protetoras da floresta Jaci Jaterê da cosmololgia guarani e o Kambaí da cosmologia caingangue são possíveis influências na concepção do Saci.


Africana

Uma lenda iorubá descreve Aroni, um gnomo de uma perna só que ensina a Oçânhim sobre o uso de ervas medicinais pode ter influenciado a concepção do Saci. Outros relatam Oçânhim e Anoni como a mesma entidade.


Portuguesa

Da mitologia portuguesa, o saci herdou o píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo. Trasgo é um ser encantado do folclore do norte de Portugal, especialmente da região de Trás-os-Montes. Rebeldes, de pequena estatura, os trasgos usam gorros vermelhos e possuem poderes sobrenaturais.

De Portugal para o Brasil veio a crença da explicação sobrenatural sobre redemoinhos, de que seriam guiados por uma "coisa ruim" e que poderiam arremessar pessoas. Foi documentada essa crença no Brasil, paralelamente a crença da ligação entre o Saci e redemoinhos.

"Retrato do Saci-pererê" (2007) por J. Marconi

Dia do Saci

Saci-pererê, pintura em nanquim por Monteiro Lobato, do livro "O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito" de 1918

Em 2005, foi instituído o Dia do Saci no Estado de São Paulo, a data também é celebrado em Vitória (Espírito Santo)Poços de Caldas e Uberaba (Minas Gerais); Fortaleza e Independência (Ceará) comemorado no dia 31 de outubro, a fim de restaurar as figuras do folclore brasileiro, em contraposição a influências folclóricas estrangeiras, como o Dia das Bruxas.

"Saci evita entrar na água", de Renato Bender





Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/
Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Boitatá - Assombrando rios e matas com seus olhos de gigante

 

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Boitatá é um termo tupi-guarani, usado para designar, em todo o Brasil, o fenômeno do fogo-fátuo, e deste derivando algumas entidades míticas,[1] das primeiras registradas no país.[2]


Etimologia e variantes nominais

O termo mais difundido é boitatá. O termo é a junção das palavras tupis boi e tatá, significando cobra e fogo, respectivamente, ou ainda de mboi — a coisa ou o agente. Significa, assim, cobra de fogo, fogo da cobra, em forma de cobra ou coisa de fogo.[2]

Sobre a etimologia, escreveu Couto de Magalhães que "como a palavra o diz, boitatá é cobra-de-fogo'" (in: O Selvagem, Rio de Janeiro, 1876 [2]).

No Sul, é chamado de baitatá ou batatá e até mesmo de boitatá. Na Bahia, aparece como biatatá. Em Minas Gerais chamam-no de bata. No Nordeste, é comum o termo batatão. Nos estados de Sergipe e Alagoas, recebem os nomes de Jean de la foice ou Jean Delafosse.[2]


Primeiros registros

Em 1560 registrou o Padre José de Anchieta:

"Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer coisa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra coisa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza." (in: Cartas, Informações, Framentos Históricos, etc. do Padre José de Anchieta, Rio de Janeiro, 1933[2])

O Boitatá é uma gigantesca cobra-de-fogo que protege os campos contra aqueles que o incendeiam. Vive nas águas e pode se transformar também numa tora em brasa, queimando aqueles que põem fogo nas matas e florestas.

A origem deste mito está ligada a um fenômeno chamado fogo-fátuo. A decomposição de matéria orgânica, seja de vegetação ou animais mortos, libera gases que inflamam-se espontaneamente em contato com ar. Correntes de ar causadas pela passagem de uma pessoa nas proximidades podem deslocar as chamas fazendo com que pareçam uma cobra de fogo que a persegue.

Na obra Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto, há um conto com esse nome que descreve bem a lenda. A ideia era de uma luz que se movimentava no espaço, daí "veio a imagem da marcha ondulada da serpente". Foi essa imagem que se consagrou na imaginação popular. Descreve-se o Boitatá como uma serpente com olhos como dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas, nas beiras dos rios. Em Santa Catarina, a figura aparece como um touro de "pata como a dos gigantes e com um enorme olho bem no meio da testa, a brilhar que nem um tição de fogo".

No Rio Grande do Sul, narra-se a lenda de que houve um período de noite sem fim nas matas. Além da escuridão, houve uma enorme enchente causada por chuvas torrenciais. Assustados, os animais correram para um ponto mais elevado a fim de se protegerem. A boiguaçu, uma cobra que vivia numa gruta escura, acordou com a inundação e, faminta, decidiu sair em busca de alimento, com a vantagem de ser o único bicho acostumado a enxergar na escuridão. Decidiu comer a parte que mais lhe apetecia: os olhos dos animais. De tanto comê-los, foi ficando toda luminosa, cheia de luz de todos esses olhos. Seu corpo transformou-se em ajuntadas pupilas rutilantes, bola de chamas, clarão vivo, boitatá, cobra de fogo. Ao mesmo tempo a alimentação farta deixou a boiguaçu muito fraca. Ela morreu e reapareceu nas matas serpenteando luminosa. Quem encontra esse ser fantástico nas campinas pode ficar cego, morrer e até enlouquecer. Assim, para evitar o desastre, os homens acreditam que têm que ficar parados, sem respirar, e de olhos bem fechados. A tentativa de escapar da cobra apresenta riscos porque o ente pode imaginar fuga de alguém que ateou fogo nas matas. No Rio Grande do Sul, acredita-se que o "boitatá" é o protetor das matas e das campinas. A verdade é que a ideia de uma cobra luminosa, protetora de campinas e dos campos aparece frequentemente na literatura, sobretudo nas narrativas do Rio Grande do Sul.

Ainda hoje, essa lenda folclórica impressiona adultos e crianças, sendo citada, inclusive, como personagem de destaque em várias obras contemporâneas como, por exemplo, “Quem tem medo do Boitatá?”[3], de Manuel Filho, lançada em 2007. Nesta história infanto-juvenil, o avô do protagonista, Sandrinho, é cego pelo próprio Boitatá. A serpente também é relembrada na história de José Santos, “O casamento do Boitatá com a Mula-sem-cabeça”,[4] onde o autor descreve de forma lúdica a união de vários seres de nosso folclore. O mito, em sua versão sincrética, aparece ainda no livro "A lenda do Batatão"[5], de Marco Haurélio, escrito em sextilhas de cordel. O Batatão, embora conserve sua característica ígnea, se aproxima das almas penadas. Nas referidas obras, assim como em muitas outras, o ser fantástico é citado como “o Boitatá”, mas é possível encontrar citações como “a Boitatá” tal como ocorre na obra recente de Alexandra Pericão, "Uaná, um curumim entre muitas lendas",[6] em que a serpente, também comedora de olhos, é descrita de um jeito bem contemporâneo, com citações divertidas, como “Mas ninguém, até hoje, e isso é o mais espantoso de tudo, conseguiu colocar uma foto sua na internet. Apesar do tamanho gigante, a serpente é tão discreta, que só conseguem vê-la aqueles que ela mesmo captura”. Também João Simões Lopes Neto, em obra supramencionada, refere-se ao ser no feminino, valendo citar o trecho: “Foi assim e foi por isso que os homens, quando pela primeira vez viram a boiguaçu tão demudada, não a conheceram mais. Não conheceram e julgando que era outra, muito outra, chamam-na desde então, de boitatá, cobra do fogo, boitatá, a boitatá!”.


Referências:
FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Dicionário Aurélio
Ir para:a b c d e CASCUDO, CâmaraDicionário do Folclore Brasileiro
Filho, Manuel. Quem tem medo do Boitatá?. Editora Escala, 2007, 1ª ed.
Santos, José. O casamento do Boitatá com a Mula-sem-cabeça. Companhia Editora Nacional, 2007, 1ª ed.
Haurélio, Marco. A lenda do Batatão. SESI-SP Editora, 2012, 1ª ed.
Pericão, Alexandra. Uaná, um curumim entre muitas lendas. Editora do Brasil, 2011, 1ª ed.

Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/

Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Deve ser coisa do Boto, que na água desaparece

  

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

A lenda do boto é uma lenda da Região Norte do Brasil, geralmente contada para justificar a gravidez de uma mulher solteira.

Os botos são carnívoros cetáceos que vivem nos rios amazônicos. Dizem que, durante as festas juninas, o boto rosado aparece transformado em um rapaz elegantemente vestido de branco e sempre com um chapéu para cobrir a grande narina que não desaparece do topo de sua cabeça com a transformação. Esse rapaz seduz as moças desacompanhadas, levando-as para o fundo do rio e, em alguns casos, as engravidando. Por essa razão, quando um rapaz desconhecido aparece em uma festa usando chapéu, pede-se que ele o tire para garantir que não seja um boto. Daí deriva o costume de dizer, quando uma mulher tem um filho de um pai desconhecido, que ele é "filho do boto".


Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/

Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Mapinguari, o verdadeiro rei da mata

  

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

O mapinguari (ou mapinguary) é uma criatura lendária (criptídeo) descrito como sendo coberta de um longo pelo vermelho, e vivendo na floresta amazônica do Brasil e Bolívia.

Os cientistas ainda desconhecem essa criatura. Uma hipótese que explicaria a existência do Mapinguari, sugerida pelo paleontólogo argentino Florentino Ameghino no fim do século XIX, seria o fato da sobrevivência de algumas preguiças gigantes (Pleistoceno, 12 mil anos atrás) no interior da floresta amazônica.

Entre muitos, o ornitólogo David Oren chegou a empreender expedições em busca de provas da existência real da criatura. Não obteve nenhum resultado conclusivo. Pelos recolhidos mostraram ser de uma cutia, amostras de fezes de um tamanduá e moldes de pegadas não serviriam muito, já que, como declarou, “podem ser facilmente forjadas”. O mapinguari seria semelhante ao pé-grande.[1]


Referências
«Cientistas tentam encontrar "monstro da Amazônia"». Terra Notícias - The New York Times. 2007. Cópia arquivada em 9 de julho de 2019

Bibliografia
Martin, Paul S. 2007. Twilight of the Mammoths: Ice Age Extinctions and the Rewilding of America. University of California PressISBN 9780520252431
Oren, David C. "Does the Endangered Xenarthran Fauna of Amazonia Include Remnant Ground Sloths?," Edentata (2001) p. 2-5
Rohter, Larry (8 de julho de 2007). «A Huge Amazon Monster Is Only a Myth. Or Is It?»The New York Times. Consultado em 30 de dezembro de 2009
Shepard, G. H. 2002. "Primates and the Matsigenka" in Agustín Fuentes & Linda D. Wolfe. Primates Face to Face: The Conservation Implications of Human-nonhuman Primate Interconnections. Cambridge University PressISBN 9781139441476
Velden, Felipe Ferreira Vander. (2009) Sobre cães e índios: domesticidade, classificação zoológica e relação humano-animal entre os Karitiana, Avá Revista de Antropología. n. 15, p. 125-143.
Velden, Felipe Ferreira Vander (2016). «Realidade, ciência e fantasia nas controvérsias sobre o Mapinguari no sudoeste amazônico». Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas. 11 (1): 209–224. ISSN 1981-8122doi:10.1590/1981.81222016000100011


Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/

Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Soltando fogo dos olhos, pela boca e narinas, a terrível criatura sai em busca dos traquinas - O Cabra Cabriola

 

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

A Cabra Cabriola é um ser imaginário da mitologia infantil portuguesa, mas também surge no resto da península Ibérica, foi depois levada para o Brasil pelos portugueses. A Cabra Cabriola é a personificação do medo, um animal em forma de cabra, um animal frequentemente de aspecto monstruoso comedor de crianças, um papa-meninos.[1][2] No século XIX a Cabra Cabriola era tema de uma canção de embalar:

"Cabra cabriola

Corre montes e vales,

Corre meninos a pares

Tamêm te comerá a ti

Se cá chegares"[3]

A Cabra Cabriola no Piauí e Pernambuco data do século XIX e XX.

Conta-se que que a Cabra Cabriola era um animal monstruoso que comia crianças travessas. Ela invadia casas para pegar e comer as crianças que não obedeciam os pais. De acordo com a lenda no Brasil, ela cantava este verso:

Eu sou a Cabra Cabriola
Que como meninos aos pares
Também comerei a vós
Uns carochinhos de nada

No Brasil quem contava dizia que quando uma criança começa a chorar de repente, a Cabra Cabriola estava fazendo outra vítima. Quando isso acontecia, as pessoas começavam a rezar.

 

Referências

Gazeta de Lisboa,1824. Issues 153-309 pg 931
Cascudo, Camara.Literatura oral no Brasil pg 173]
Revista Lusitana.Volume X. Canções do berço. Imprensa Nacional, Lisboa 1907

Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/

Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

O Papa-Figo atraía os inocentes na sala das escolas com doces e brinquedos

 

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Papa figo é uma figura lendária do folclore brasileiro, conhecida principalmente em Pernambuco, Bahia e na Paraíba[1].

Há relatos que ele se parece com uma pessoa normal; para outros, teria unhas de ave de rapina, e orelhas e dentes de vampiro.[2]

Ele matava meninos e meninas mentirosos para chupar-lhes o sangue e comer-lhes o fígado (daí o nome, corruptela de papa-fígado). Isso porque ele sofria de uma doença rara (para alguns, o mal de Hansen, o que explicaria sua aparência grotesca), e acreditava que sangue e fígado de crianças o curariam. O mal de Hansen (também chamado de lepra) foi uma doença que matou muita gente no início do século XX, e talvez daí venha a lenda.

Outros relatos dão conta de que pessoas acometidas do mal de Chagas eram confundidas com o papa-figo, por causa do inchaço em algumas partes do corpo e no fígado.[3]

Inspirado nesse personagem folclórico, foi lançado em 2008 o filme “Papa-Figo” dirigido por Menelau Júnior. O longa metragem tem como enredo a história de um serial killer que remove o fígado de suas vítimas.


Referências
«Mitos e Lendas de Pernambuco»
Guia dos Curiosos[ligação inativa]
«Recando das Letras». Consultado em 24 de setembro de 2008. Arquivado do original em 5 de abril de 2008

Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/

Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

É impossível domá-la, não há quem a lace. A Mula-sem-Cabeça dá coices enfurecida

 

BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.

Na maioria dos contos, é um fantasma de uma mulher que foi amaldiçoada por ter se entregado com um padre e foi condenada a se transformar em uma mula sem cabeça que tem fogo ao invés de uma cabeça, galopando através dos campos desde o por do sol de quinta-feira até o nascer do sol de sexta-feira. O mito tem várias variações em relação ao pecado que transformou a mulher amaldiçoada em um monstro.

É a forma que toma a concubina do sacerdote. Transforma-se em um forte animal, de identificação controvertida na tradição oral, e galopa, assombrando quem encontra. Lança chispas de fogo pelo buraco de sua cabeça. Suas patas são como calçadas com ferro. A violência do galope e a estridência do relincho são ouvidas ao longe. Às vezes soluça como uma criatura humana.

O encanto desaparecerá quando alguém tiver a coragem de arrancar-lhe da cabeça o freio de ferro ou se alguém tirar uma gota de sangue com uma madeira não usada. Dizem-na sem cabeça, mas os relincho são inevitáveis. Quando o freio lhe for retirado, reaparecerá despida, chorando arrependida, e não retomará a forma encantada enquanto o descobridor residir na mesma freguesia. A tradição comum é que esse castigo acompanha a manceba do padre durante o trato amoroso (J. Simões Lopes Neto, Daniel Gouveia, Manuel Ambrósio, etc.). Ou tenha punição depois de morta (Gustavo Barroso, O Sertão e o mundo).

A Mula sem cabeça corre sete freguesias em cada noite, e o processo para seu encantamento é idêntico ao do Lobisomem, assim como, em certas regiões do Brasil, para quebrar-lhe o encanto bastará fazer-lhe sangue, mesmo que seja com a ponta de um alfinete. Para evitar o bruxedo, deverá o amásio amaldiçoar a companheira, sete vezes, antes de celebrar a missa. Manuel Ambrósio cita o número de vezes indispensável, muitíssimo maior (Brasil Interior). Chamam-na também Burrinha de padre ou simplesmente Burrinha. A frase comum é "anda correndo uma burrinha".

E todos os sertanejos sabem do que se trata. Em um dos mais populares livros de exemplos na Idade Média, o Scala Celi, de Johanes Gobi Junior, há o episódio em que a hóstia desaparece das mãos do celebrante porque a concubina assiste à missa (Studies in the Scala Celi, de Minnie Luella Carter, dissertação para o doutorado de Filosofia na Universidade de Chicago, 1928). Gustavo Barroso supõe que a origem do mito provenha do uso privativo das mulas como animais de condução dos prelados, com registros no documentário do século XII


Bibliografia
CASCUDO, Luís da CâmaraDicionário do Folclore Brasileiro. 4º edição. Rio de Janeiro, Tecnoprint, 1972.

Texto extraído de: https://pt.wikipedia.org/

Fonte Imagem: BAG, Mario. Mitos e Lendas do Folclore do Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2013.