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domingo, 3 de julho de 2022

Um olhar sobre as Congadas de Minas Gerais

 

Não se trata de uma publicação densa, na qual a reflexão é instigada pelas palavras. De certa forma, é difícil classificar um livro que explora a eloquência das imagens, mas vai além do ensaio fotográfico. Não é uma obra poética – embora haja poesia e lirismo em muitas imagens; nem tampouco uma obra militante, de discurso social – ainda que a força da tradição afrobrasileira seja quase palpável em cada página. Talvez seja um pouco de cada e algo mais – um diário visual, através do roteiro do olhar de uma pessoa,impulsionada pela curiosidade intelectual e seduzida pela riqueza sensorial, que se aproximou, conviveu e compartilhou a manifestação do Congado em várias comunidades e com uma infinidade de pessoas.

Para acessar o livro na íntegra:
 




O Mineiro Pau de Itamarati de Minas (Zona da Mata MG)


Mineiro-Pau é uma dança guerreira porque nela se usa um bastão como arma de ataque e defesa em simulações de combate. Recebe ainda a denominação de Bateo-Pau-Mineiro. No grupo, formado por cerca de 25 componentes, os homens tocam e as mulheres cantam. Os homens vestem calça comprida e camisa e as mulheres, saia rodada e blusa, seguindo os enfeites o gosto do mestre. O acompanhamento musical se reduz geralmente a um acordeão no centro da roda, ao qual se juntam, por vezes, viola, violão ou violino, triângulo, pandeiro e tamborim. O solista (violeiro ou violinista) canta acompanhando a música com seu instrumento a fim de animar a dança, que começa com moças e rapazes formando um círculo de mãos dadas. A direção cabe ao mestre ou chefe, que comanda, com um apito, as evoluções, as batidas de bastão, o ritmo, a cantoria.

A formação é em fileiras, círculos, pares, com ou sem dançador no centro. Os bastões, com cerca de metro e meio, de madeira roliça e resistente, permitem ao dançador um manejo firme e seguro. Os dançarinos voltam-se ora para a direita, ora para a esquerda, enquanto sapateiam acompanhando o ritmo e o compasso da melodia. É uma das mais populares danças de pares soltos conhecidas no Brasil. Está associada ao ato de corte da cana-de-açúcar, por causa das viradas de um lado para o outro, ou ao Cateretê, por causa das batidas de palmas, ou ainda ao Batuque paulista, no qual se insinua a umbigada.
 

Côco de cacete (Maneiro ou Mineiro Pau)


É uma das típicas e autenticas danças do negro. Foi um côco dançado inicialmente pelos negros escravos, que aproveitavam os raros momentos de folga/descanso para ensaiarem uma dança guerreira de ataque e defesa, para o caso de uma fulga. Quem assistia, no caso dos feitores e senhores de engenho, viam apenas um bailado dançado com dois porretes. 


Enquanto a fuga não acontecia, o côco era dançado ao som dos porretes, temperado com o batuque, lundum e outras danças.

Em alguns Estados é conhecido como maneiro pau, mineiro pau ou manejo o pau. Na Paraíba, é conhecido como CÔCO DE CACETE.
 

Luta? Defesa? Brutalidade? Dança? Arte​


Mas, afinal, o que é o Mineiro Pau? Talvez uma mistura disso tudo. Realizado, na maioria das vezes, por homens, estes empunham seus bastões (como um sinal de virilidade), desafiam os companheiros, que fazem o mesmo, e começa o "confronto". Um bate de cá, outro bate de lá. Viram-se, sempre encontrando bastão com bastão, e realizam uma das mais belas coreografias dos folguedos.

Às vezes associado ao ato do corte da cana verde, por causa das viradas de um para outro lado, ou ao cateretê, por causa das batidas de palmas.


O mineiro-pau é uma festa de cores, coreografias, duelos e (por que não?) poesia. Uma mistura de ritmos e influência, que se difere dos outros folguedos por não ter nenhuma ligação explícita com qualquer ritual religioso ou feitiçaria. A "dança" é sempre acompanhada por um batuque de pandeiro, as vezes sanfona e caixa, e palmas.

Tem cheiro e gosto de interior, de chão de terra batido e casinhas de madeira. As apresentações ocorrem em datas variadas, podendo tanto ser em festas que comemoram a abolição da escravatura ou até mesmo no carnaval. Alguns grupos, como o de Barão de Monte Alto, organizam uma festa, chamada de "micareme" (que nada mais é do que um carnaval fora de época) onde desfilam pelas ruas da cidade mostrando a dança. Muitos grupos têm como parte integrante o boi pintadinho (RJ) ou o boi-lé (MG).

(fonte: Livro “ Folguedos da Mata”  de Oswaldo Giovannini Junior)
O Livro Folguedos da Mata resulta do trabalho de pesquisa realizado na região da Zona da Mata de Minas Gerais, entre 2002 e 2005,sobre grupos tradicionais populares, seus mitos, ritos, músicas, danças, orações, autos e festas. O Mineiro Pau de Itamarati de Minas está registrado neste livro, pag. 182)



Texto extraído de: https://mineiropau.wixsite.com/mineiropau/mineiro-pau
Fonte Imagem: https://mineiropau.wixsite.com/mineiropau/mineiro-pau


Guerreiro recebe título de Patrimônio Imaterial de Alagoas (2019)


Guerreiro se tornou patrimônio imaterial de Alagoas

O Guerreiro recebeu o título de patrimônio imaterial de Alagoas. O Folguedo foi inscrito no Livro de Registro do Patrimônio Cultural de Alagoas - Categoria III “Fontes de expressão, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas”.

Símbolo de resistência, o Guerreiro faz parte do ciclo natalino alagoano, assim como o Reisado, a Chegança, o Fandango e tantos outros. Os pedaços de espelho, miçangas e fitas ornamentam as esculturas de igrejas ou catedrais confeccionadas em chapéus usados por todos os integrantes do grupo. 
No caso das rainhas, são usadas as coroas ou tiaras.

O folguedo é composto por um grupo multicolorido de dançadores e cantores, semelhante aos Reisados, mas com maior número de figurantes e episódios, maior riquezas nos trajes e enfeites e maior beleza nas músicas.

O Auto dos Guerreiros é um folguedo surgido em Alagoas, por volta de 1927 e 1929. É o resultado da fusão de Reisados alagoanos, do antigo e desaparecido Auto do Caboclinhos, da Chegança e dos Pastoris.

Há grupos de Guerreiro nas cidades de Maceió, Anadia, Arapiraca, Atalaia, Cajueiro, Junqueiro, Lagoa da Canoa, Maribondo, Messias, Pilar, União dos Palmares e Viçosa, entre outras. De um valor cultural inestimável, o Guerreiro recebeu o título de Patrimônio Imaterial, inscrito no Livro de Registro do Patrimônio Cultural de Alagoas – Categoria III “Fontes de expressão, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas”.

A proposta foi apresentada pela especialista em cultura popular Josefina Novaes. A decisão unânime foi concedida por meio de última reunião no Palácio dos Palmares, do Conselho Estadual de Cultura de Alagoas.

“Esse reconhecimento alavanca ainda mais a cultura alagoana, que tem um olhar especial para o folguedo facilitando assim a divulgação e apoio de suas atividades no estado”, explica a secretária de cultura, Mellina Freitas.

Guerreiro é um dos mais tradicionais folguedos do estado


Tradição


“A cultura popular pra mim vale mais que ouro. O Guerreiro representa tudo na minha vida”, conta o Mestre Elias. A frente do grupo Guerreiro Asa Branca de Arapiraca, Seu Elias Fortunato de Souza já acompanhava o folguedo desde os 7 anos de idade. Entre os grandes chapéus em formato de igreja, fitas, cores e brilhos que acompanhavam os batuques do tambor, sanfona e pandeiros no município do Coité do Nóia, insistia ali, no meio do terreiro, entre uma pisada e outra, um menino que ainda não sabia que a mistura de dança, teatro e resistência iram colorir, dali em diante, o resto de sua vida.

“No município de Coité do Noia havia um grupo que se apresentava e minha mãe sempre me levava para assistir. Eu sempre insistia em ir para o meio da dança, ignorando os sermões dela. Depois fui aprendendo com o mestre João de Palmeira, Manoel Quirino, Nigoi, Francisco e Zé Pequeno”, conta. Hoje, aos 76 anos, mestre Elias segue participando de apresentações. “Quando dá certo de dançar uma noite eu danço, quando não dá, eu fico no aguardo, saio em outros grupos e por aí vai. Só não consigo ficar parado”.

Mestre Elias, como é conhecido desde 2006, vê o título como um grande incentivo à cultura popular. “Se nós, mais velhos, que carregamos a tradição nas costas, um dia desistirmos, quem apresentará a cultura popular às novas gerações? Me sinto feliz em ver quando crianças e jovens se interessam. A prova é a minha neta, Júlia, de oito anos, que mesmo pequena já diz que ‘vai ser dona do guerreiro do vô’, tem recompensa melhor que essa?”.


Patrimônio Imaterial


O patrimônio imaterial ou intangível é aquele que se relaciona com a maneira como os diferentes grupos sociais se expressam por meio de suas festas, saberes, fazeres, ofícios, celebrações e rituais. As formas tradicionais e artesanais de expressão são classificadas, por serem importantes formadoras da memória e da identidade dos grupos sociais brasileiros, contendo em si, os múltiplos aspectos da cultura cotidiana de uma comunidade, bem como o caráter não formal de transmissão dos saberes, ou seja: a oralidade.

Palhaço do grupo conduz jovens figuras durante apresentação



Texto extraído de: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2019/08/31/guerreiro-recebe-titulo-de-patrimonio-imaterial-de-alagoas.ghtml
Fonte Imagem: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2019/08/31/guerreiro-recebe-titulo-de-patrimonio-imaterial-de-alagoas.ghtml

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Folias e Folguedos do Brasil - Ciclo Junino

E Viva São João!

Folias e Folguedos do Brasil (ciclo junino), do brincante, músico e pesquisador de folclore Inimar dos Reis (acompanhado de CD), apresenta cantos e danças associados a um dos ciclos festivos do calendário popular brasileiro, o ciclo junino. /nFolias e Folguedos do Brasil é um projeto para divulgar a cultura popular brasileira em suas raízes: Bendito de São João, Folia de São João, Catira, Cana-verde, Dança do café, Coco, Ciranda, Cururu, Siriri, Fandango, Vilão, Carimbó, Araruna, Jongo, Bumba meu boi e Quadrilha são as folias e folguedos apresentados pelo autor.

domingo, 23 de maio de 2021

Viva o Boi: análise comparada das manifestações culturais dos trabalhadores catarinenses e pernambucanos no século XIX e início dos XX

 


Neste artigo Beatriz Busantin propõe uma análise comparada do folguedo Bumba meu Boi dos estados de Pernambuco e de Santa Catarina que tinha como sujeitos trabalhadores negros, brancos e mestiços. Cada um com sua particularidade, a intenção é uma investigação em História social sobre a cultura dos trabalhadores do século XIX e início do XX que seja atenta às realizações festivas dos trabalhadores escravos e livres como indícios da ação de resistência cultural, social e política.

Para acessar o artigo completo: 


Fonte Figura: https://www.greenmebrasil.com/viver/arte-e-cultura/8954-bumba-meu-boi-patrimonio-humanidade/

domingo, 9 de maio de 2021

Cadernos do Patrimônio: Folias de Minas

 



A Festa do Rosário do Serro e a complexidade da fé retratadas em livro

“O que não está escrito, o vento leva”. Foi pensando nessa sábia frase de sua mãe, Dona Lucinha, que a historiadora Márcia Clementino Nunes resolveu contar a história da fé de negros escravos em Nossa Senhora do Rosário. A santa faz parte de uma tradição cristã e branca, mas é considerada protetora dos pretos de Minas Gerais.



A narrativa construída pela historiadora explica a concretização de um antigo rito, a tricentenária Festa do Rosário, que hoje é patrimônio cultural da história de Minas e do Brasil. O livro Festa do Rosário do Serro ilustra a complexidade dessa fé, traduzida em danças, batidas de tambor, fantasias e música.
A comemoração, que surgiu como uma forma de resistência à escravidão, é um teatro que narra a história colonizadora do estado e do país. A tradição reúne catopês, caboclos e marujos, grupos que dançam por devoção a Nossa Senhora do Rosário.

 “Como um rio, o negro foi se adaptando e achando caminhos, até desaguar num mar de superação da tamanha desumanidade gerada pela escravidão”. A reflexão é da historiadora Márcia Clementino Nunes, que há mais de 30 anos investiga a complexidade de um dos festejos mais antigos do povo negro no Brasil. A pesquisa resultou em “Festa do Rosário do Serro”, que trata da celebração tricentenária na cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

Com 224 páginas, o livro ilustra em imagens e texto a fé dos negros escravos na Nossa Senhora do Rosário, santa de tradição cristã e branca, que se transformou em protetora dos pretos em Minas Gerais. “A historiografia trata a festa como uma expressão do negro que se adaptou ao sistema, que encontrou uma santa branca. Quando fui estudar história, fiquei me perguntando: ‘será que a festa tem algo mais a dizer que essa leitura de cima para baixo?’”, diz a serrana, ressaltando que o livro traz fotos de Miguel Aun. 

A partir daí, Nunes passou a pesquisar a representação teatral do festejo, que narra a história colonizadora de Minas e do Brasil. Nela, três grupos dançam pela devoção à santa – catopês, caboclos e marujos, representando negros, índios e brancos, etnias básicas da formação brasileira. 

“O negro escravizado foi apartado de sua terra natal e separado dela por um mar atlântico. Um caminho sem volta, cujas possibilidades eram apenas o suicídio, a fuga para os quilombos ou a adaptação”, explica. “Então, pelos que tentaram se adaptar, foi criado esse ritual complexo e maravilhoso, uma expressão da voz do escravizado”. 

Nunes destaca que, por meio de danças, tambores arcos e flechas, a Festa do Rosário retrata o mundo colonial em que os negros escravizados viviam – colocando-os, porém, como protagonistas. “É um ritual que recupera as estruturas sociais rompidas pela escravidão, recompondo simbolicamente famílias e costumes de uma forma subliminar e sutil, já que não havia outra saída”, afirma. “Sendo reis e rainhas, buscavam recuperar sua dignidade; dançando e batendo tambores retomavam suas estruturas culturais. É um modo de escape do desejo de ter a liberdade e a dignidade de volta”.



Texto extraído de:
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/livro-registra-historia-e-tradicao-da-festa-de-nossa-senhora-do-rosario
https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/livro-revela-nuances-da-festa-do-ros%C3%A1rio-do-serro-lan%C3%A7amento-acontece-nesta-ter%C3%A7a-1.678156

 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Congada do Serro de Minas ganha livro para se manter viva durante a pandemia

Texto extraído de:
https://www.pressenza.com/pt-pt/2020/07/congada-do-serro-de-minas-ganha-livro-para-se-manter-viva-durante-a-pandemia/

Crédito da Imagem: Tiago Geisler)


No momento em que o debate sobre o racismo, a intolerância e a ameaça do fascismo dão a tônica das manifestações populares em todo mundo, no Serro, cidadezinha do interior de Minas Gerais, o povo se ressente de não poder se juntar para celebrar a união – de brancos, negros e índios – em torno do rosário de Maria.

A festa do Rosário se tornou a manifestação cultural mais forte no Vale do Jequitinhonha, no interior mineiro e é uma página viva da história da formação do povo brasileiro.

Conta a lenda, que a Virgem do Rosário apareceu sobre as águas, e que os caboclos e os marujos cantaram em seu louvor e pediram para que ela viesse até eles. No entanto não foram atendidos. Mas, quando os negros foram até a praia  dançaram e rezaram, conseguiram que ela viesse até eles. Desde então, de acordo com a crença, a Santa passou a ser a protetora do povo negro.

A partir daí, todos os anos, entre os meses de junho e julho, a negrada, a caboclada e a marujada se juntam em festa para celebrar o Rosário de Maria.

Organizada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, é na congada, composta exclusivamente por homens, que se dividem em quatro grupos,  com seus elementos, para fazer a leitura de cada povo sobre sua fé. Todas as representações são carregadas de simbolismos, como a caixa de assovios, pífaros e caixas de couro, representando os gemidos dos negros.  A marujada  com as cores azul e branco e os instrumentos harmônicos, como violões, violas e banjos representando os portugueses.

Já os caboclos com seus saiotes de penas, pulseiras, fitas e arco e flechas inserem o elemento indígena na manifestação. E, há também os catopês, os homens negros e pobres com suas roupas de chita multicor e que tocam o reco-reco, tamborins e caixas de de couro.

É uma história de união, através da fé, que mais parece uma grande utopia, mas que é real e que há 181 anos, encanta moradores, peregrinos e visitantes da região. Os congadeiros são pessoas simples, como motoristas, serventes, agricultores, pedreiros, babás – essa gente, de um Brasil profundo, que merece e precisa ser reconhecida.

E foi mergulhando nesse universo, que a pesquisadora, ativista cultural e cantora, Daniela Passos, construiu o livro “Contas e Cantos do Rosário”. A publicação, ainda não lançada, reúne histórias e símbolos da festa, mas, fundamentalmente, memórias e afetos desse importante encontro social das pessoas da região do Serro.


Esse ano, em decorrência da pandemia da Covi-19, não haverá festa. Os cânticos e danças  dos congadeiros, no entanto, não ficarão em silêncio, pois, o livro é uma forma de dar eco à manifestação e manter a chama acesa para que tudo volte a ser como era, quando o perigo passar.

Daniela Passos é carioca e mora há sete anos no Vale do Jequitinhonha, próximo das nascentes da cidade do Serro – “o que me trouxe para o sertão mineiro foi justamente a Festa do Rosário, uma paixão arrebatadora e à primeira vista”.

Para manter viva a cultura e a tradição da festa, a autora decidiu publicar o material, justamente nesse momento tão importante e tão difícil para os congadeiros do Serro e, para isso criou uma campanha para arrecadar os recursos necessários para  a publicação. Os recursos serão usados para os custos de impressão do material e outra parte será revertida para os Congadeiros do Serro.

Quem quiser participar e adquirir o material pode contribuir até o dia 15 de agosto de 2020. Todas as informações sobre como participar podem ser acessadas nessa página ou no instagram.