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sábado, 6 de janeiro de 2024

A festa de Santos Reis e o fenômeno da estrela dos Magos

 


Dia 6 de janeiro é dedicado a Santos Reis. Mais propriamente, é o dia da festa de Santos Reis, com bandeiras, instrumentos musicais, hinos religiosos, cantadores e rezadores, recitação e terço cantado, tudo a serviço da manifestação expressiva de religiosidade do povo em geral. As comemorações seguem o seu ritual próprio e se popularizam sempre mais, tanto na zona rural quanto nas comunidades periféricas urbanas.

São festejos de tal forma interligados à nossa cultura popular que nem passa pela nossa cabeça das pessoas mais sensatas tecerem qualquer questionamento a respeito. Sabe-se que é sempre bom aprender um pouco mais do manancial da história, não só para simples e proveitoso conhecimento, como também para enfatizar valores intrínsecos, até mesmo da espiritualidade, que nos fazem tão bem.

Em diversos Estados brasileiros, e em muitos países, os Santos Reis são homenageados com as famosas Folias de Reis. Trata-se de uma festa católica que reproduz e celebra a visita dos Três Reis Magos ao Deus Menino, que nasceu em Belém.

Uma vez fixado o nascimento de Jesus Cristo na data de 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro, que, em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser das mais importantes datas comemorativas do catolicismo, ao lado do próprio Natal.

No Brasil, as festividades apresentam-se com poucas variações, dependendo dos costumes de cada região. Normalmente, a linha mestra do ritual é preservada em todas as localidades. No Estado do Rio de Janeiro, os grupos realizam folias até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. É a tradição do lugar.

Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas, tocando músicas alegres em louvor aos Santos Reis e ao nascimento de Cristo. Essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Reis Magos: 6 de janeiro.

Sabe-se que tais festejos são uma tradição originária da Espanha e que, em nosso País, ganhou força especialmente no século XIX, mantendo-se viva a prática festiva em muitas localidades, sobretudo nas pequenas cidades dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás.

As rezas são quase sempre cantadas, oportunidade em que os foliões rogam a Deus pelo bem das famílias, dos moradores do lugar, das crianças, dos adultos, tudo com fervoroso pedido a Deus para que nunca falte nada aos donos da casa acolhedora do Pouso da Folia.

Há também efusivos agradecimentos. Os foliões cantam agradecendo aos moradores que ofereceram a hospedagem e a Deus pela comida, pela fartura da mesa, pelas criações do terreiro e pela vida de todos.

Observam-se dois momentos que chamam bastante atenção na Folia: a chegada e a saída. Os foliões, quando chegam, pedem licença para entrar pela casa adentro e cantar em homenagem ao Menino Jesus, exibindo a bandeira do Deus Menino para todos os presentes reverenciarem. Terminada a cantoria, é servida a refeição com muita fartura, normalmente o jantar. Mais tarde, à noite, acontecem os festejos sociais, com dancinha e catira, tudo com muito respeito. No outro dia, após o café, é a hora da cantoria de agradecimento e de despedida, seguindo-se a comitiva para outro pouso já programado.

Quanto aos Santos Reis e a origem da espiritualidade popular, narra o evangelista Lucas (2, 8-10) que havia uns pastores (Gaspar, Baltazar e Melchior), apascentando o seu rebanho, durante a vigília da noite. Nisso, apareceu-lhes um anjo, momento em que a glória de Deus refulgiu ao redor deles. E anunciou-lhes que havia nascido o Salvador, na cidade de Davi. E lhes deu um sinal: “achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura” (2,12).

Os magos, homens guerreiros, estudiosos da ciência e conhecedores dos astros, empreendiam viagem como de costume. Um deles, Gaspar, eterno observador do céu estrelado, percebeu o destaque de uma estrela que brilhava com grande esplendor. De acordo com os conhecimentos astrológicos do mago, aquela estrela era desconhecida de todos os astrólogos caldeus. Apresentava movimentação irregular e dirigia-se para o ocidente.

Em Jerusalém, indagaram aqui e ali, mas ninguém soube informar onde havia nascido o Salvador. Tão logo saíram da cidade, a estrela reapareceu. Eles seguiram-na. “E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou” (Mt 2,9). Os reis acompanharam-na, atraídos por uma força misteriosa. “Foram com grande pressa e acharam Maria e José e o menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores. Maria conservava todas essas palavras, meditando-as em seu coração” (Lc 2,16-19).

Ao encontrarem o Recém-nascido, ajoelharam-se e adoraram-No como os príncipes do oriente adoravam os seus deuses. E ofereceram ao Filho de Maria, como tributo de vassalagem, ouro, incenso e mirra.

Concluída a visita, informa o texto bíblico que “Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto” (Lc 2,20), atitude que deve ser copiada por todo cristão, quando, recebida uma graça, jamais se esquecer de glorificar e louvar a Deus por tudo o que lhe fora concedido pelo Senhor.

São numerosas as tentativas dos cientistas de explicar o fenômeno da estrela dos Magos: fenômeno sobrenatural, cometa ou a aproximação dos planetas Júpiter e Saturno ocorrida no ano 7 a. C. Uma via desses estudos pretende revelar que os estudiosos daquela época (sábios, magos e sacerdotes), da antiga Babilônia, há bastante tempo já estudavam a posição dos astros, interpretando a vontade dos deuses e fazendo previsões. Para eles, Júpiter era a Estrela dos Povos Orientais e Saturno, a Estrela dos Povos Ocidentais. A constelação dos Peixes era o símbolo da região do Mediterrâneo. A constante movimentação desses dois planetas, no céu, mereceu observação especial, e sua conjugação recebeu deles a seguinte interpretação: “Júpiter e Saturno, representando toda a humanidade, se reúnem e migram para a constelação dos Peixes (o país dos judeus); permanecem algum tempo no arco oriental, retornam ao arco ocidental, e permanecem quase estáticos sobre Belém, anunciando o novo soberano. Depois prosseguem seu caminho” (Artigo de Maurus Schneider, publicado na revista Cidade Nova, Vargem Grande Paulista-SP, edição de jan/fev 2000).


domingo, 24 de dezembro de 2023

A Bandeira e a Máscara: estudo sobre a circulação de objetos rituais nas Folias de Reis

 


Esta tese aborda o lugar que certos objetos ocupam em sistemas de trocas de natureza ritual. Adotando os objetos materiais como ponto de vista para observar essas relações, enfatiza-se o modo como eles estabelecem mediações entre domínios sociais e cosmológicos diversos, desencadeando transformações sociais e simbólicas. O foco da descrição e análise é a circulação da bandeira e da máscara no contexto social e ritual das folias de reis, empreendimento festivo que ocorre em grande parte do território brasileiro. Trata-se de grupos de cantores e instrumentistas que realizam anualmente visitas rituais às casas de devotos, distribuindo bênçãos em troca de donativos destinados à festa dedicada aos Reis Magos. Etnograficamente, a bandeira e a máscara se insinuam enquanto símbolos dominantes, apresentando-se de forma complementar e produzindo reflexos no plano das ações sociais e rituais. Procura-se mostrar como esses objetos, ligados entre si pelas pessoas que coletivamente os manipulam, materializam vínculos fundamentais, pondo o sistema em movimento e permitindo a emergência de novas idéias e sentidos. Acompanha-se o deslocamento das folias de reis por contextos multiculturais, quando os objetos passam, então, a ser vistos a partir de “enquadramentos” particulares, ganhando novos significados.



Também disponível no formato livro:


“Hoje é Dia de Santo Reis” – Os “Três Reis Magos” e a piedade luso-brasileira

 

A Folia de Reis, uma das festas mais conhecidas da cultura popular brasileira, tem origem portuguesa, e é encontrada especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste do país como parte dos festejos natalinos, ou seja, no fim de um ano e no princípio do seguinte. A Folia de Reis ocorre principalmente em regiões campesinas com a participação da comunidade, por meio de danças, rezas e músicas. O presente artigo apresenta a festa da Folia de Reis, típica do catolicismo popular brasileiro, como sendo uma forma de recepção e interpretação visual e auditiva da perícope de Mateus 2, que narra a visita dos “magos do Oriente” (Mt 2.1) ao menino Jesus. A pesquisa em questão utilizou o método bibliográfico descritivo, baseada em teóricos especialistas na cultura popular brasileira, como exemplo, Carlos Rodrigues Brandão. Esta pesquisa trouxe como resultado, a ampliação do conhecimento acerca da força popular na preservação da cultura religiosa.

Para ler o texto na íntegra: https://seer.pucgoias.edu.br/index.php/fragmentos/article/view/8814/5709

O Dia de Reis e a Folia para a Igreja Católica

  


A festa da Epifania do Senhor é marcada em algumas regiões do Brasil por uma antiga celebração popular herdada da colonização e agora marcada pela riqueza da miscigenação. O dia 6 de janeiro é a data dedicada no calendário brasileiro aos Reis Magos, que visitaram Jesus no presépio após serem conduzidos pela estrela.

Nesta quinta-feira, Festa da Epifania, o Papa Francisco presidiu a celebração da Santa Missa na Basílica de São Pedro. Na sua homilia disse que a viagem dos Magos para Belém nos leva a interpelarmo-nos:


“O que é que levou estes homens do Oriente a porem-se em viagem?” “Eram e sábios e astrólogos – continuou – tinham fama e riqueza; de posse de uma tal segurança cultural, social e econômica, podiam acomodar-se no que tinham e sabiam, deixando-se estar tranquilos. Mas não; deixam-se inquietar por uma pergunta e um sinal: “Onde está [Aquele] que nasceu?”.


Como no caso dos Magos, Francisco também afirma que a nossa viagem da vida e o nosso caminho da fé têm necessidade de desejo, de impulso interior”. E salienta que precisamos disso como Igreja:


“Será bom perguntar-nos: a que ponto estamos nós na viagem da fé? Não estaremos já há bastante tempo bloqueados, estacionados numa religião convencional, exterior, formal, que deixou de aquecer o coração e já não muda a vida?”. “Na nossa vida e nas nossas sociedades, a crise da fé tem a ver também com o desaparecimento do desejo de Deus”, recordou o Papa. “Tem a ver com a sonolência do espírito, com o hábito de nos contentarmos em viver o dia a dia, sem nos interrogarmos acerca daquilo que Deus quer de nós”.


Concluindo o Papa disse: “Aqui, como os Magos, teremos a certeza de que, mesmo nas noites mais escuras, brilha uma estrela. É a estrela de Jesus, que vem cuidar da nossa frágil humanidade. Ponhamo-nos a caminho rumo a Ele”. “Como os Magos, levantemos a cabeça, ouçamos o desejo do coração, sigamos a estrela que Deus faz brilhar sobre nós. Como pesquisadores inquietos, permaneçamos abertos às surpresas de Deus. Sonhemos, procuremos, adoremos”.

 

Folia de Reis

Junto com a celebração litúrgica, as folias ou reisados enriquecem a comemoração do nascimento de Jesus e a sua manifestação entre os povos.

Em artigo publicado no portal da CNBB, o arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani João Tempesta, recordou a tradição de peregrinar no tempo do Natal realizada pelos grupos de Companhia de Reis ou Folia de Reis, cuja missão é anunciar de porta em porta o nascimento do Salvador.

“Os foliões são para nós a imagem do discípulo missionário que marca a vida de uma Igreja em saída, levando a todos sem distinção a grande mensagem: o Menino Deus nasceu e veio trazer para sua família, sua casa a paz e as bênçãos para que vivas feliz e colabore na missão de evangelizar”, escreveu o cardeal.

Também conhecidos como “Santos Reis”, os magos do Oriente foram reconhecidos como santos pelo sensu fidei (o senso dos fiéis), de acordo com o bispo emérito de Bauru (SP), dom Caetano Ferrari, em artigo de 2018 publicado no portal da CNBB. “Ainda hoje o povo católico os venera como santos e o dia de sua festa é dia santo de guarda, o primeiro do calendário civil”, pontuou dom Caetano.

O arcebispo de Montes Claros (MG), dom João Justino de Medeiros Silva, ressaltou em 2019 que a tradição da Folia de Reis tem forte apelo popular e que o clima natalino se estende por dias entre os foliões que peregrinam, cantam, rezam e dançam em torno do Deus Menino. “Recria-se o imaginário da busca e do encontro do Rei Menino, da estrela-guia que conduz em meio às dificuldades da travessia, do ardor de quem viu a luz e por ela se deixou guiar”, recorda.

Essa narrativa da busca dos Magos pelo Menino Deus conduz toda a dinâmica das folias, as quais “revestem-se de grande beleza, com músicas, cantos, orações, recitação dos Evangelhos, especialmente das passagens que relatam o nascimento de Jesus, em Belém, desde o anúncio do anjo Gabriel, passando naturalmente pela vinda dos Reis Magos, a fuga da sagrada família ao Egito e a sua volta do exílio e a infância de Jesus”, resgata dom Caetano Ferrari.

“As folias caminham de casa em casa, fazendas, vilas, bairros, convidando os fiéis a descobrirem a estrela da graça que leva a Deus como o fizeram os Reis do Oriente. Os foliões vão vestidos com roupas coloridas, personificando figuras bíblicas. Há os palhaços que distraem os carrancudos soldados de Herodes, para facilitar a fuga da Sagrada Família ao Egito”, enumerou.

“Há os que carregam a bandeira do Divino e a dos santos Reis, há os cantadores, os instrumentistas, os leitores e os recitadores de versos. As famílias, com alegria e emoção, recebem à porta da casa ou no quintal os foliões; oferecem alguma coisa de comer, como café e bolo de fubá, e fazem a sua oferta de uma prenda como um frango, um leitão. Estas prendas serão preparadas e servidas no final da peregrinação da Folia a todos os que a receberam pelo caminho durante a jornada de fé e oração”, partilhou dom Caetano Ferrari.


Bem imaterial

As Folias de Reis são consideradas Bens culturais imateriais da Igreja de acordo com o professor da PUC/Minas e dourando em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, Dener Chaves. A classificação diz respeito ao modo de fazer, de festejar, de preparar, de cantar que são particulares a um determinado grupo ou região.


“Esses bens culturais fazem parte da nossa história, são formas de melhor compreender nossa identidade, são parte da nossa cultura preservada pelos fiéis e membros da Igreja, muitas obras, que mesmo sendo únicas, apontam para as especificidades de um período histórico e nos auxiliam para melhor compreendê-lo ou admirá-lo”, destaca Dener.


Dom Leomar Brustolin, bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), sublinhou, em 2018, que este patrimônio imaterial da cultura brasileira é resultado da influência portuguesa e cristã, “e traduz importantes dimensões que estão no imaginário da fé e da cultura das pessoas”.

Em seu artigo, dom Leomar apontou algumas características das folias, que ainda recebem o nome de “Terno de Reis”.


“O grupo da folia de reis é formado pelo mestre ou embaixador, o contramestre, os três reis magos, os palhaços, os alfeires e os foliões. Além disso, ocorrem desfiles pelas ruas dos grupos dedicados ao festejo. Eles usam fantasias coloridas, tocam músicas típicas com diversos instrumentos (violas, reco-reco, tambores, acordeões, sanfonas, pandeiros, gaitas, etc.) e dançam”, enumerou.


As Folias contam com diversas barracas com comidas, bebidas, jogos e lembranças que enchem as cidades com a tradição. Dom Leomar pondera que a comemoração segue tradições e particularidade de cada região do país. As comidas típicas, músicas, brincadeiras e danças variam de acordo com o local que ocorrem. No Brasil, a festa é celebrada em diversas regiões, sendo mais presente, segundo dom Leomar, no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia, em Minas Gerais, no Espírito Santo e em Goiás.



Texto extraído de: https://www.cnbb.org.br/conheca-a-origem-e-tradicao-do-dia-de-santos-reis/
Fonte Imagem: https://www.cnbb.org.br/conheca-a-origem-e-tradicao-do-dia-de-santos-reis/

sábado, 23 de dezembro de 2023

O presente dos Reis Magos


Por que os Reis Magos deram a José e Maria ouro, incenso e mirra?

Muitos acham que a intenção é o que mais conta quando se trata de oferecer presentes. Isso talvez se deva ao fato de que o pensamento por trás do presente o torna mais do que simplesmente um objeto útil ou interessante — faz do presente um símbolo do amor de quem o oferece ou de consideração por quem o recebe. Alguns presentes também vão além do pensamento que os antecedem: esse tipo de presente tem um simbolismo amplamente aceito que lhe confere ainda mais significado. Quando um presente tem todas as três características — utilidade prática, valor pessoal e significado simbólico — é sério candidato a tornar-se o presente mais significativo e apreciado de todos.

Pensemos no que inspirou os presentes levados pelos Reis Magos ao menino Jesus: ouro, incenso e mirra (ver Mateus 2:11). A Bíblia não menciona por que os Reis Magos ofereceram especificamente esses presentes, mas todos os três tinham valor prático e talvez significado simbólico para o Filho de Deus e para Seus pais terrenos.


Ouro

Uso prático: Para um casal jovem que logo teria despesas com a viagem ao Egito para fugir da ira de Herodes, o ouro seria um presente de valor inestimável.

Significado simbólico: O ouro é o presente típico oferecido aos reis (ver I Reis 9:14, 28), pois simboliza a monarquia e a realeza — um presente mais que adequado para o “Rei dos reis” (I Timóteo 6:15).


Incenso

Uso prático: Além de seu considerável valor monetário, o incenso era usado para exalar odores agradáveis e perfumados.

Significado simbólico: O incenso provém de uma resina vegetal doce e era usado em ordenanças do sacerdócio, em ofertas de alimentos (ver Levítico 2:1) e em óleo para ungir sacerdotes. Assim, ele pode representar o sacerdócio do Senhor e Seu papel como o Cordeiro de Deus que seria sacrificado em nosso favor (ver João 1:29).


Mirra

Uso prático: A mirra, um óleo amargo de uma resina vegetal, também tinha valor econômico, mas talvez fosse mais útil a Maria e José por seus usos medicinais.

Significado simbólico: No Novo Testamento, a mirra costuma estar associada ao ato de embalsamar e ao sepultamento, devido a suas propriedades de conservação (ver João 19:39–40). Os usos medicinais da mirra podem simbolizar o papel de Cristo como o Grande Médico, e sua utilização em enterros pode simbolizar “a amarga taça” que Ele tomaria ao sofrer por nossos pecados (ver D&C 19:18–19).

 

Texto extraído de: https://www.churchofjesuschrist.org/study/liahona/2011/12/youth/thoughtful-gifts?lang=por

Qual é a origem da história dos Reis Magos

O trio de personagens é lembrado anualmente todo dia 6 de janeiro e tem papel importante dentro das crenças do cristianismo.

Um mosaico bizantino da cidade de Ravena, na Itália, representando os Reis Magos visitando o menino Jesus Cristo após seu nascimento em Belém.
FOTO DE NINA ALDIN THUNE ENCYCLOPAEDIA OF WORLD HISTORY, (CREATIVE COMMONS ATTRIBUTION-SHAREALIKE)

Os Reis Magos são figuras que fazem parte da crença católica e se tornaram relevantes durante o nascimento de Jesus, de acordo com o que é contado pela bíblia cristã. 

A Enciclopédia Católica apresenta duas teorias sobre a origem e a existências dos Reis Magos, que são lembrados anualmente no dia 6 de janeiro, data importante dentro do cristianismo. Segundo o site de consulta religiosa, os católicos apontam que a existência dos Reis Magos se trata de uma narrativa factual, baseada em manuscritos. 

Na Bíblia, o trio de reis é narrado em Evangelhos como o de Mateus e o Apócrifo Armeno da Infância. Os escritos do Evangelho Apócrifo descrevem no capítulo 5, versículo 10, que “os reis magos eram três irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes”.

Já uma teoria de corrente racionalista, a qual acredita que os relatos sobre os reis magos é algo ficcional, se firma em explicar a origem da palavra “mago”, que vem do grego “magoi”. De acordo com a Enciclopédia Católica, o historiador grego Heródoto indicava os magos como provenientes da Pérsia, e com forte influência religiosa. 


Quando se celebra o Dia de Reis

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) define o Dia dos Reis Magos como a festa da Epifania do Senhor, celebrada no dia 6 de janeiro. A Enciclopédia Católica lembra que a Epifania se trata do dia em que o trio de reis chegou a Belém, para visitar Jesus, exatos 13 dias após o nascimento dele. 

No Brasil, a comemoração segue tradições e particularidades de cada região do país, com comidas típicas, músicas, brincadeiras e danças. A celebração está presente em diversas partes, sendo mais comemorada – de acordo com a CNBB – nos Estados de Rio de Janeiro, São Paulo, na Bahia, em Minas Gerais, no Espírito Santo e em Goiás.

Na América Latina e na Espanha, a comemoração do Dia de Reis é diferente, de acordo com a Enciclopédia Católica. As crianças têm o costume de escrever cartas ao trio de magos e o dia 6 é considerado o momento adequado para distribuir presentes – algo que acabou se perdendo na tradição, já que a troca de lembranças se tornou mais comum no dia 25 de dezembro. 

Na tarde anterior, ou seja, em dia 5 de janeiro, as cidades espanholas realizam as “cavalgadas de Reis”, em que doces são atirados nas ruas desde carros alegóricos e devem ser dados à crianças.

 

Texto extraído de: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/qual-e-a-origem-da-historia-dos-reis-magos

Fonte Imagem: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/12/quais-sao-os-presentes-dos-tres-reis-magos-segundo-a-tradicao-crista

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

No Caminho de Reis - Entre Cores e Cantos

 






Folia de Reis em Minas Gerais: entre símbolos católicos e ambiguidades africanas

 

O presente artigo busca compreender as relações de estreitamento religioso entre a Folia de Reis, manifestação relacionada ao catolicismo popular (ou santorial) e a religiosidade de matriz africana. No campo a se pesquisar, o município de Leopoldina, Minas Gerais, está a Folia da Maú, formada por uma família negra e umbandista, devotos de São Sebastião. Entre os diversos rituais, está a entrega da bandeira em um centro de umbanda, realizado no dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião no calendário litúrgico católico. Portanto, essa Folia se caracteriza tanto como uma prática do catolicismo santorial, quanto expressão religiosa da umbanda. O palhaço por sua vez, o brincante de tanta expressão e popularidade, entendido pelo viés católico como o Rei Herodes, ou até mesmo o próprio diabo, simbolicamente possui analogias com Exu. Orienta essa comunicação, a ideia de que os traços da religiosidade afro-brasileira e do catolicismo santorial estão imbricados intimamente. Por meio de conversas e entrevistas, análise das imagens rituais no centro de umbanda e na casa de Dona Maú, e da chula dos palhaços, procura-se entender a relevância do mascarado da Folia como produto desse processo de síntese cultural. Portanto, nesse contexto sua posição marginal dá lugar à eminência como representante dessa síntese e como brincante de grande notoriedade e simpatia junto à assistência.



Fonte Imagem: https://arquidiocesejuizdefora.org.br/folia-de-reis-dia-de-reis-na-devocao-popular/


terça-feira, 19 de julho de 2022

Festa Brasileira - Folias, Romarias e Congadas

 

O Brasil é um território de paisagens geográficas e culturais diversas. Seu patrimônio cultural imaterial é o resultado de um processo rico e dinâmico de apropriação, recriação e reorganização de elementos herdados de matrizes africanas, europeias e indígenas.

Em mais de uma década de trabalho, o fotógrafo Eraldo Peres pesquisou, em todo o país - registrando mais de 10 mil imagens, foliões e pessoas envolvidas com ritos religiosos. A obra faz um retrato da vida de foliões, mestres, guias, romeiros e promesseiros, os quais transformam nossa cultura num riquíssimo universo de saberes e fazeres.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

RELEITURAS: Governo de Minas Gerais reconhece Folia de Reis como Patrimônio Imaterial do Estado (06/01/2017)

Integrantes de diversos grupos foram recebidos pelo governador Fernando Pimentel, que prestou homenagem à tradição mineira

O governador de Minas Gerais,Fernando Pimentel, recebeu na sexta-feira (6/1), no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, integrantes de grupos mineiros de Folias de Reis. No dia que marca a comemoração do Dia de Reis, o Conselho Estadual de Patrimônio de Minas Gerais (Conep) reconheceu as Folias de Minas como Patrimônio Imaterial do Estado.

“É um momento importante para nós. Não por coincidência hoje é Dia de Reis, dia 6 de janeiro, e esse é um dos ativos culturais mais importantes de Minas Gerais. A Folia de Reis tem mais de 300 anos que a gente comemora, festeja e que a gente participa. É uma tradição muito cara a todos os mineiros e mineiras. Por isso é com muita alegria que recebo vocês aqui hoje para prestar uma homenagem do povo de Minas Gerais, representado aqui pelo Governo, a todos os grupos de Folia de Reis”, disse o governador Fernando Pimentel.

OInstituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha)apresentou o resultado de uma extensa pesquisa que revelou mais de 50 tipos de devoção e uma grande diversidade de folias no estado. Após o encontro com o governador, cerca de 200 integrantes das Folias de Minas se reuniram no Museu Mineiro e saíram em cortejo pelos espaços do Circuito Liberdade.

“Esta tradição vai lá no fundo da alma de Minas Gerais. Desde o início da colonização mineira, do ciclo do ouro, nós temos manifestações ligadas aos Reis Magos. Esse registro é uma documentação completa. O Iepha trabalhou nos últimos dois anos e levantou mais de 1.500 folias em Minas Gerais. Esse reconhecimento é uma chancela, uma espécie de selo de qualidade que se dá a um bem cultural, para que todos prestem atenção a ele”, explicou o secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo.

Durante a cerimônia, o Governo do Estado também homenageou o professor Affonso Furtado Silva e o presidente da Comissão Mineira de Folclore, José Moreira de Souza, ambos pesquisadores da cultura popular e que contribuíram para a documentação sobre os grupos de Folias de Reis, o que culminou no reconhecimento dessas manifestações como patrimônio imaterial de Minas Gerais.

Esse procedimento, além de propiciar maior visibilidade a essas manifestações da cultura popular, fará com que o poder público se torne responsável pelo estabelecimento de medidas para incentivar e garantir sua perpetuação.
 

Três séculos de Folias de Minas

As folias possuem mais de três séculos de prática e forte representatividade na religiosidade e cultura mineiras. Em geral, são organizadas por um grupo de devotos, saindo na chamada “jornada” ou “giro”, que passa pelas casas da comunidade, cantando e festejando para o santo de devoção do grupo. 

Estas manifestações culturais acontecem em todo o território mineiro e se revelam de diferentes formas e com várias nomeações. Chamadas também de “terno”, “charola” e “companhia”, os grupos se organizam para homenagear diversos santos, e não apenas os Reis Magos, como acontece nas Folias de Reis no dia 6 de janeiro.

Estiveram presentes à cerimônia os secretários de Estado de Educação, Macaé Evaristo; do Trabalho e Desenvolvimento Social, Rosilene Rocha; de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda; de Desenvolvimento Agrário, Neivaldo de Lima Virgílio; além da presidente do Iepha, Michelle Arroyo, entre outras autoridades.
 

 
Texto extraído de: http://www.cultura.mg.gov.br/
Fonte Imagem:  http://www.cultura.mg.gov.br/

Cadernos do Patrimônio: Folias de Minas Gerais

 




quarta-feira, 7 de julho de 2021

Cultura Popular e Comunicação: A Folia de Reis em Bairros Populares de Juiz de Fora

 






A bandeira e a máscara: estudo sobre a circulação de objetos rituais nas Folia de Reis

 

Esta tese aborda o lugar que certos objetos ocupam em sistemas de trocas de natureza ritual. Adotando os objetos materiais como ponto de vista para observar essas relações, enfatiza-se o modo como eles estabelecem mediações entre domínios sociais e cosmológicos diversos, desencadeando transformações sociais e simbólicas. O foco da descrição e análise é a circulação da bandeira e da máscara no contexto social e ritual das folias de reis, empreendimento festivo que ocorre em grande parte do território brasileiro. Trata-se de grupos de cantores e instrumentistas que realizam anualmente visitas rituais às casas de devotos, distribuindo bênçãos em troca de donativos destinados à festa dedicada aos Reis Magos. Etnograficamente, a bandeira e a máscara se insinuam enquanto símbolos dominantes, apresentando-se de forma complementar e produzindo reflexos no plano das ações sociais e rituais. Procura-se mostrar como esses objetos, ligados entre si pelas pessoas que coletivamente os manipulam, materializam vínculos fundamentais, pondo o sistema em movimento e permitindo a emergência de novas idéias e sentidos. Acompanha-se o deslocamento das folias de reis por contextos multiculturais, quando os objetos passam, então, a ser vistos a partir de “enquadramentos” particulares, ganhando novos significados.

Giro das saias: o embrionário empoderamento feminino na manifestação artística e cultural da Folia de Reis

 



Esta pesquisa foi guiada pelo desejo de mostrar e analisar a trajetória de mulheres no contexto androcêntrico das Folias de Reis da cidade de Leopoldina – MG. No transcorrer da pesquisa foi possível compreender que a mulher não se inseriu tardiamente nesse universo, como possa supor um observador descontextualizado e apressado. Na verdade ela sempre esteve intrinsecamente inserida, envolvida e absorvida pelas demandas da manifestação em honra aos Santos Reis, porém em lugares e funções invizibilizados. Por um viés interdisciplinar, tangendo perspectivas etnográfica, sociológica, antropológica, histórica e com um olhar sensível para o contexto artístico que se desvela, o desafio foi lançado com a necessidade de análise das relações de poder existentes em uma encruzilhada onde se encontram religião, mulher e folia. Como se estruturou essa relação no passado, que desdobramentos tal relação contemplam as mulheres hoje e como sua agência atual, suas possibilidades de liderança que já se legitimam, projetam um futuro feminino nas Folias de Reis se expressam como demandas essenciais desta pesquisa. Para refletir sobre isso se tomou por base 4 grupos de folias leopoldinenses: Folia da Serra, Folia dos Colodinos, Folia da Maú e Folia da Luíza. Quais caminhos as líderes de folia traçaram ou lhes foram oferecidos que não se desvelaram para as outras que continuam à margem das esferas de visibilidade e poder da folia? Teriam esses caminhos tão diversos base religiosa? Quais legitimações e proibições mitológicas, representantes de uma estrutura de pensamento, se impuseram no refreamento ou impulsionamento da agência autônoma das mulheres nesse cenário? Tais questionamentos suscitaram uma investigação rizomática, que demandaram uma análise balizada pela categoria de gênero que só se anuncia plenamente na interseccionalidade. Assim, foram perscrutadas religiosidades, estruturas míticas, submissão e liderança femininas em contextos diferentes unidos somente pela lógica da devoção aos Santos Reis. Esteticamente e artisticamente é possível perceber semelhanças profundas entre os grupos, porém a dinâmica de poder que se articulam em seu interior e a pertença religiosa que possui relação íntima com as esferas de poder, diferenciam de maneira sensível suas identidades, atitudes, escolhas e caminhos a seguir e trilhar. São as tensões e ressignificações desses caminhos que nos debruçamos a percorrer e perscrutar suas causas e consequências, que se desvelam e se expressam em uma tradição cultural cambiante devotada a santos peregrinos.

As Folias de Reis: uma leitura da cultura mineira mediada pela comunicação

 


O objeto de estudo dessa pesquisa é a Folia Estrela do Oriente, de Juiz de Fora, Minas Gerais, no período entre 2010 e 2011. Nosso objetivo principal é inserir o estudo das Folias de Reis no contexto das pesquisas recentes da comunicação. Por meio das simbologias constituintes das Folias, investigamos as re-significações e as readaptações, elaboradas no seio das comunidades que produzem e reproduzem as festas. Procuramos, principalmente, compreender de que forma tal ritual popular dialoga com os meios massivos. Para tal, foram investigados os aspectos comunicacionais dos rituais. Suas mitologias sobrevivem por meio (e apesar) da sociedade industrial e digital. Nossa questão-problema é: de que maneira o ritual das Folias de Reis dialoga com a comunicação de massa? A pesquisa mostrou que, em culturas mestiças, flexíveis e móbeis, o popular e o massivo, o oral e o escrito, o aberto e o fechado, o centro e a periferia dialogam em tensão, incorporando elementos alheios e rompendo com oposições. Foi analisado, portanto, o diálogo entre o popular e o massivo, questão de suma importância em nossa cultura, constantemente reelaborada a partir da incorporação do alheio, formando novos textos em rede e mosaico. Nosso suporte teórico principal está nos estudos da comunicação que investigam as mediações entre cultura popular e de massa; como as manifestações populares e folclóricas são incorporadas e reelaboradas pela indústria cultural, que propiciam projeções e recriações simultaneamente? Outro ponto do trabalho é a figura do Palhaço, personagem importante da Folia, e suas máscaras que, carregadas de representatividade, disfarçam, amedrontam e escondem, permitindo ao homem apresentar a sua condição de ser e não ser . Nestas máscaras estão presentes o lendário, o sagrado e o profano, em estampas do grotesco que se apropriam de um barroco traduzido em exuberantes fantasias, desenhando o território do mestiço. Assim encontramos os mascaramentos atuais que, numa apropriação simbólica, mostram as experiências cotidianas que deixam marcas , ou máscaras sociais , criando possibilidades de camuflagem. Contribuem, para nossa fundamentação, pensadores da teoria das mediações, como Néstor García Canclini e Jesús Martín-Barbero. Das teorias da mestiçagem, podemos citar, Amálio Pinheiro, Serge Gruzinski, Peter Burke, Iuri Lotmam, Laplantine

Para acessa a tese na íntegra: