quinta-feira, 5 de março de 2026

Resistência negra: Ingredientes típicos de África se tornam base da culinária brasileira

 Dos terreiros e das senzalas, saberes ancestrais de mulheres escravizadas construíram paladar do país


Ingredientes trazidos de África por pessoas escravizadas são hoje parte fundamental e cotidiana da culinária do país | Crédito: Divulgação/ Prefeitura de Juiz de Fora

Quiabo, coentro, inhame, leite de coco, pimenta malagueta, noz moscada, café, gengibre, jiló, amendoim e azeite de dendê. Não importa em que lugar do país você esteja, se procurar na sua cozinha certamente vai encontrar pelo menos um desses ingredientes.

O que eles tem em comum? São uma pequena parte dos alimentos típicos de África que foram trazidos para o Brasil nos navios negreiros e hoje são fundamentais na culinária do país, provando a importância da resistência negra na nossa cultura.

E não são apenas ingredientes, mas muitas das receitas e dos modos de fazer que fazem parte do dia a dia dos brasileiros tem como origem os saberes ancestrais de africanos escravizados, em especial das mulheres. Afinal, eram elas que cozinhavam nas casas grandes a partir de seus conhecimentos tradicionais. Assim, elas introduziram na culinária brasileira receitas saboreadas em diversas regiões, como cocada, angu, cuzcuz, pamonha, quindim, mungunzá, moqueca e vatapá.

Vale lembrar que as pessoas de África escravizadas encontraram também ingredientes nativos do Brasil e modos de preparo típicos da Europa e de diferentes etnias indígenas. Elas souberam incorporar esses sabores e aprimorar receitas, conquistando diferentes paladares e dando origem a chamada gastronomia afro-brasileira.

“No lugar o inhame começaram a usar mandioca, para substituir o sargo passaram a usar o milho, para compensar algumas faltas de pimentas, começaram a utilizar condimentos que já tinham no Brasil”, exemplifica o chefe de cozinha Marcelo Reis, que se dedica a culinária afro-brasileira. “Os negros observaram os pratos preparados pelos indígenas, como o pirão, a moqueca e o bobó e os enriqueceram com produtos africanos, como o leite de coco. Eles também entraram em contato com os animais criados pelos colonizadores e assim surgiram receitas como vatapá, o sarapatel o xinxim de galinha. Se os traficantes de escravos traziam ingredientes, os escravizados traziam na memória os usos e os gostos de suas terras, segredos de nossos ancestrais.”

Acarajé começou a ser vendido por mulheres negras alforriadas e hoje é principal prato da culinária baiana / Divulgação/ Fundaj

Parte importante da gastronomia afro-brasileira tem origem nos terreiros de candomblé, criados como as chamadas comidas de santo, que eram entregues a entidades espirituais como oferendas. É o caso do famoso acarajé, tombado como patrimônio cultural do Brasil. Ele começou a ser vendido em tabuleiros, em Salvador, por mulheres negras alforriadas e hoje é o carro-chefe da culinária baiana, ao lado do vatapá, do caruru e do abará.

Quem apendeu a cozinhar nos terreiros é cozinheira Solange Borges, de Camaçari, na Bahia, que é filha e neta de baianas de tabuleiro, que vendiam alimentos típicos da cultura afro-brasileira pelas ruas das cidades. “O povo de terreiro, no qual eu me incluo, e os terreiros são responsáveis por savalguardar este patrimônio que é a culinária afro-brasileira. Um dos exemplos mais incríveis é o caruru de Cosme e Damião. O quiabo é da descendência, é um alimento que a gente trouxe para a mesa. Mesmo sempre santos católicos, com o sincretismo a gente fez essa comemoração, que é uma oportunidade de homenagear os inquices como um todo.”

Hoje, Solange trabalha no projeto Culinária de Terreiro, fundado por ela mesma, que tem o objetivo de preservar e valorizar os alimentos típicos da culinária afro-brasileira. Ela mesma produz a farinha de mandioca e o dendê-de-pilão que usa nas receitas, ambos feitos no fogão a lenha.

“Minha mãe era condomblecista e eu com seis anos frequentava os terreiros. Eu vi essa efervescência que é a cozinha, esse ambiente colorido, festivo, alegre, de muita afetividade, com muitos cheiros e afetos. A gente foi aprendeu nesse espaço sem nem perceber que estavam passando informações, era tipo uma brincadeira”, lembra.

Feijoada, prato símbolo do país, é um dos principais exemplos de pratos da culinária afrobrasileira / Divulgação/ Ministério do Turismo

Mas, sem dúvida, um dos pratos mais típicos da culinária afro-brasileira é a famosa feijoada, um símbolo da gastronomia nacional. Com diferentes versões, que variam de opções vegetarias àquelas apenas carnes nobres, o prato é tradicionalmente um cozido de feijão com carne de porco, que acompanha arroz, farofa de mandioca, couve, fatias de laranja e pimenta.

Ela é servida em geral às quartas e sábados nos restaurantes do país, mas cada família tem sua receita, desenvolvida a partir de sabores e saberes africanos, como lembra do chefe Marcelo Reis. “São receitas que não só alimentam os Orixás mas também minha essência. É todo um receituário que faz do comer uma ancestralidade que vem do meu povo, que foi escravizado.”

Assim, a resistência negra se faz presente diariamente na mesa dos brasileiros, como um símbolo de luta por justiça social e como marca da formação da cultura brasileira.


Texto extraído de: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/11/16/resistencia-negra-ingredientes-tipicos-de-africa-se-tornam-base-da-culinaria-brasileira/

Fonte Imagem: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/11/16/resistencia-negra-ingredientes-tipicos-de-africa-se-tornam-base-da-culinaria-brasileira/


 

Das hortas de quintal ao milho guarani, livro resgata as raízes da cozinha caipira no Brasil

A Culinária Caipira da Paulistânia mistura o processo de formação da cultura caipira com receitas nunca antes divulgadas 


Culinária caipira é retratada em livro escrito por Carlos Alberto Dória e Marcelo Corrêa Bastos | Crédito: Estúdio Arado

Um modo de se alimentar que faz parte da identidade brasileira, mas ficou marginalizado durante muito tempo. Essa é a história contada no livro "A culinária caipira da Paulistânia", que acabou de ser relançado pela Editora Fósforo.

"A culinária caipira é uma culinária de pobres, essencialmente de pobres. Essa informalidade, digamos assim, essa precariedade, é a base da culinária caipira e por isso mesmo ela foi esquecida, reprimida", explica o sociólogo Carlos Alberto Dória, um dos autores. 

O escritor conta que durante a pesquisa para a produção do livro ele foi percebendo como, de fato, a culinária caipira Paulistânia não é só coisa de São Paulo. Todo esse conhecimento culinário adentra o Brasil e tem raízes diversas

"Aos poucos eu fui vendo que a abrangência era muito maior do que São Paulo e Minas Gerais. Incluía Goiás, Mato Grosso, etc. E o trabalho foi nessa área, fui vendo o que ela tinha em comum no seu processo de formação, que é a basicamente a penetração dos bandeirantes e a presença forte dos índios Guaranis, resultando em uma sociedade baseada na produção de subsistência em pequenos sítios e tal. Então esse foi o enquadramento geral", completa.

Quase totalmente baseada na utilização do milho, a culinária caipira tem influência indígena. Exótico, o alimento foi trazido ao Brasil pelo povo guarani, vindo de outros países da América do Sul.

O ingrediente é uma das estrelas no restaurante do chef Marcelo Corrêa Bastos, que também é coautor do livro. Ele redescobriu sua raiz caipira no processo de escrita da obra.

"É uma cozinha baseada na horta de subsistência, na horta do quintal, nas carnes, a princípio as carnes de caça, depois é assimilado a carne suína e de aves, e principalmente no milho. O milho está em praticamente todas as refeições da dieta caipira ou do ideal da dieta caipira. O milho em suas várias formas, principalmente na forma de farinha de milho", explica Marcelo.


Texto extraído de: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/12/28/das-hortas-de-quintal-ao-milho-guarani-livro-resgata-as-raizes-da-cozinha-caipira-no-brasil/

Fonte Imagem: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/12/28/das-hortas-de-quintal-ao-milho-guarani-livro-resgata-as-raizes-da-cozinha-caipira-no-brasil/

 


Mitologia da Mineiridade: O Imaginário Mineiro na Vida Política e Cultural do Brasil Capa comum, de Maria Arminda do Nascimento Arruda

 


“Minas é a melhor invenção dos mineiros – depois do seu doce de leite, é claro. […] A graça de Minas, percebe Maria Arminda do Nascimento Arruda, são seus paradoxos. Este livro precioso, que nasceu como tese de doutoramento, visita-os todos, num passeio pela literatura, cultura e política. A obrigação acadêmica, que cobra rigor e minúcia, não exclui o enlevo e a realidade histórica que é aqui estudada pode, assim, ajudar a entender o mito sem ter a compulsão de sufocá-lo. Ou seja, Maria Arminda consulta o enigma Minas mas, ao decifrá-lo, dá um jeito de, mineiramente, não comprometer todo seu mistério.” [Nirlando Beirão] 



Noites Circenses: Espetáculos de Circo e Teatro em Minas Gerais no Século XIX, de Regina Horta Duarte


O livro de Regina Horta Duarte nos oferece uma instigante discussão sobre o teatro e o circo no século XIX, em Minas Gerais. Minas é ponto de partida de uma análise que estabelece um intenso diálogo com o Rio de Janeiro, sede da Corte. Historiadora de “mão cheia”, Regina percorreu o interior mineiro no lombo dos burros, acompanhando os atores de teatro e deliciando-se com palhaços nos circos. Apoiada numa intensa pesquisa documental, e demonstrando grande vigor teórico, construiu uma interpretação atenta ao imprevisto e ao inusitado. A sensibilidade da autora e a riqueza da análise nos remetem a um século XIX de sonhos, cavalinhos, melodramas e dramatizações. Contrastando com estudos que apontam para a fixidez, a autora nos leva a perceber o caráter dinâmico da cultura oitocentista." - Diana Gonçalves Vidal, Universidade de São Paulo (USP).


terça-feira, 3 de março de 2026

🎧 TRAMAS MUSICAIS: Nosso Xote - Grupo Bicho de Pé




🎧 TRAMAS MUSICAIS: Feira de Magaio - Mariana Aydar e Mestrinho (Ao Vivo no Sesc Pompeia)

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Garça Branca Pananeira

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Renato Borghetti Quartet at Music of the Americas

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Soy el Chamamé - Grupo Canto da Terra

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Merceditas (Chamamé) - Choro das 3 e Seiferts

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Laguna Totora (Chamamé)

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Show Oswaldo Montenegro & Renato Teixeira (2005)


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Rolando Boldrin & Renato Teixeira (2005)

 

🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Imaginário Roseano (2008) - Rodrigo Delage, João Araújo e Geraldo Vianna

 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Pantanal 2 (1990)

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Pantanal 1(1990)

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum O rei do Gado 2 (1996)

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Grande Sertão: Veredas (obra musical de Rafael Duarte baseada na obra de Guimarães Rosa)


 

🎧 TRAMAS MUSICAIS: Tema Principal de O Tempo e o Vento (2013)


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum O Tempo e o Vento (1985)


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Dona Beija (1986)


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Xica da Silva (1996)

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Direito de Amar (1987)


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Tenda dos Milagres (1985)

 


🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Gabriela (1975)


 

🎧 TRAMAS MUSICAIS: Álbum Tereza Batista Cansada de Guerra (1992)


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Da violência ao axé: a verdadeira história da Lavagem do Bonfim

 

A imagem que hoje corre o mundo é de paz, cor e sincretismo: mulheres vestidas de branco, baldes de água de cheiro, flores, cânticos e o perfume da alfazema escorrendo pelas escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador. A Lavagem do Bonfim é celebrada como símbolo da religiosidade baiana, da convivência entre catolicismo e candomblé, da alegria como expressão da fé. Mas por trás dessa cena consagrada existe uma história menos conhecida — marcada por violência, segregação racial, escravidão e resistência cultural.

A origem da devoção ao Senhor do Bonfim remonta ao século XVIII e começa com um homem que, embora hoje associado à fé, estava profundamente ligado à engrenagem do tráfico de pessoas escravizadas. Teodósio Rodrigues de Faria, oficial da Marinha portuguesa e traficante de escravos, teria escapado de um naufrágio em alto-mar e feito uma promessa: se sobrevivesse, levaria para Salvador uma imagem do Senhor do Bonfim, devoção já popular em Setúbal, Portugal.

Teodósio cumpriu a promessa em 1745. A imagem chegou à Bahia e, pouco depois, iniciou-se a construção do templo no alto da Colina Sagrada, na península de Itapagipe. A igreja foi erguida com trabalho majoritariamente escravizado — mãos negras que cortaram pedra, levantaram paredes, carregaram madeira e moldaram um dos principais símbolos do catolicismo baiano. O mesmo chão que hoje recebe flores e água perfumada foi, um dia, pisado por corpos acorrentados.

Ironia da história: o homem cuja fé deu origem ao templo — e cujo túmulo até hoje está dentro da igreja — construiu sua fortuna traficando seres humanos. A devoção que se tornaria símbolo de mistura religiosa nasceu, portanto, dentro da lógica colonial que explorava, catequizava e silenciava.

Com o passar do tempo, os escravizados não apenas construíram o espaço físico da igreja, como também passaram a se apropriar dele espiritualmente. Para além da liturgia católica oficial, eles levaram para dentro do templo seus próprios ritos, saberes e tradições. No Senhor do Bonfim, muitos reconheceram Oxalá, o orixá da criação, da paz, da ancestralidade e do branco — aquele que veste o mundo de calma e equilíbrio.

O ritual das águas, central nas cerimônias dedicadas a Oxalá, passou a ser praticado dentro da igreja. A lavagem simbólica do chão não era apenas limpeza: era oferenda, era reza, era memória africana sobrevivendo em território hostil. Durante anos, essa prática coexistiu de forma tolerada — ou ignorada — pelas autoridades eclesiásticas. Até que deixou de ser.

Quando a Igreja Católica percebeu que o espaço sagrado estava sendo usado para rituais que escapavam ao controle doutrinário europeu, veio a interdição. Os mesmos corpos que haviam erguido o templo foram proibidos de exercer ali sua fé. A água de Oxalá, antes derramada no interior da igreja, foi vetada. O chão que aceitara o suor do trabalho escravizado não podia mais receber sua espiritualidade. A exclusão não foi apenas religiosa: foi racial, cultural e simbólica. Aos negros, restava assistir de fora. Literalmente.

Foi então que ocorreu o grande ponto de virada da história — o verdadeiro plot twist que transformaria violência em festa, exclusão em celebração pública. Se não podiam lavar o interior do templo, lavariam o que estava do lado de fora. As escadarias.

Nascia ali, não por concessão, mas por resistência, a Lavagem do Bonfim como é conhecida hoje. O gesto era simples e profundamente político: levar para a frente da igreja aquilo que lhes fora negado dentro. A água, o branco, os cânticos, o axé — tudo permanecia, agora exposto à rua, ao povo, à cidade inteira. A festa ganhou cores de Oxalá, sons de atabaque, cheiros de ervas sagradas. Tornou-se pública, coletiva e impossível de silenciar. Aquilo que a Igreja tentou conter, a fé popular expandiu.

Ao longo dos séculos XIX e XX, a Lavagem do Bonfim cresceu, foi incorporada ao calendário oficial da cidade e, não sem conflitos, passou a ser tolerada — depois celebrada — pelo poder público e pela própria Igreja. Ainda assim, as tensões nunca desapareceram completamente. Em diversos períodos, padres tentaram proibir a entrada das baianas no templo, fechar portas, conter excessos. Em resposta, a festa sempre se reinventou, mantendo seu caráter híbrido e popular.

Hoje, a Lavagem do Bonfim é considerada uma das maiores manifestações religiosas do Brasil. Reúne milhares de pessoas, mistura fé, cultura, turismo e política. É palco de promessas, protestos silenciosos, pedidos de justiça, agradecimentos e memórias ancestrais. Políticos disputam espaço, artistas acompanham o cortejo, e o mundo fotografa o espetáculo.

Mas compreender a Lavagem apenas como festa é apagar sua origem mais profunda. Ela não nasceu do consenso, mas do conflito. Não foi criada pela instituição, mas pela exclusão. É filha direta da segregação racial e da tentativa de apagar práticas africanas — e, justamente por isso, tornou-se um dos mais poderosos símbolos de permanência da cultura negra no Brasil.

Quando as baianas jogam água nas escadarias, não estão apenas limpando pedra. Estão lavando a história. Estão lembrando que aquele espaço foi erguido por mãos escravizadas, que a fé negra foi expulsa para fora e que, ainda assim, resistiu. Cada balde derramado é um gesto de memória contra o esquecimento.

No alto da colina, dentro da igreja, repousa o túmulo de Teodósio Rodrigues de Faria — o traficante que prometeu, construiu e morreu. Do lado de fora, a vida pulsa em branco, dança, canta e transforma dor em axé. É ali, nas escadarias, que a história brasileira se revela com mais verdade: marcada pela violência, mas também pela capacidade extraordinária de reinventar a fé como forma de sobrevivência.

A Lavagem do Bonfim não é apenas uma festa. É um testemunho. Um rito nascido da proibição. Um altar erguido fora dos muros. E talvez por isso mesmo seja tão poderosa: porque lembra, todos os anos, que quando a fé é expulsa, ela não desaparece — ela ocupa a rua e vira povo.


Texto extraído de: https://revistaforum.com.br/brasil/da-violencia-ao-axe-a-verdadeira-historia-da-lavagem-do-bonfim/
Fonte Imagem: https://revistaforum.com.br/brasil/da-violencia-ao-axe-a-verdadeira-historia-da-lavagem-do-bonfim/