segunda-feira, 15 de agosto de 2022

UMA IMAGEM, MIL PALAVRAS: Tear Mineiro

 

🎧 TRAMAS MUSICAIS: Show Brasileirinho - Maria Bethânia

Maracatu do povo nordestino!

O maracatu é uma manifestação do folclore brasileiro que envolve dança e música.

Sua origem remonta a época do Brasil Colonial e consiste em uma mistura das culturas africana, portuguesa e indígena.

É portanto uma expressão genuinamente brasileira e foi criada no estado de Pernambuco, sendo presente, sobretudo, nas cidades de Olinda, Recife e Nazaré da Mata.



Características do Maracatu

  • presença da religiosidade: características de religiões africanas;
  • danças elaboradas;
  • junção de dança e música;
  • figurinos coloridos e extravagantes;
  • mistura das culturas africana, portuguesa e indígena.

A espiritualidade é um traço característico nas manifestações do maracatu, sendo presente a sua relação com as religiões de matriz africana.

As danças, que apresentam semelhanças com o candomblé, são bem elaboradas, especialmente as das baianas e das damas do paço.

Na maior parte das vezes são as baianas que cantam, no entanto, todos podem participar do coro.

Origem: como surgiu o Maracatu?

O maracatu tem origem afro-brasileira e surgiu no estado de Pernambuco no século XVIII. Tem a sua expressão mais antiga datada de 1711.

Suas origens são incertas, mas relacionam-se com o candomblé e com a coroação dos reis do Congo.

O rei do Congo foi uma figura que surgiu para administrar os povos negros trazidos para o Brasil a fim de serem escravizados. Dessa forma, os colonizadores portugueses incentivavam as homenagens prestadas e utilizavam a coroação como técnica de dominação.

Com o seu fim, surge o cortejo, que representa uma corte simbólica e que passa a fazer parte do carnaval de Recife; o mesmo aconteceu com o frevo.

Tipos de Maracatu

Há dois tipos de maracatu: o maracatu nação e o maracatu rural. Conheça sobre essas vertentes e o que as diferencia.


Maracatu Nação ou Baque Virado

A expressão mais antiga de maracatu é o Maracatu Nação, também chamado de Baque Virado. Ele é feito em cortejo, onde são conduzidas bonecas negras feitas de madeira e ricamente vestidas, as chamadas calungas.


Dama do paço carregando uma calunga em Maracatu Nação (Baque Virado)

Essas bonecas místicas são carregadas pelas damas do paço e, apesar da sua importância, o rei e a rainha é que são os seus personagens principais da festa. Isso porque a festa está relacionada à coroação dos reis do Congo.


Personagens do Maracatu Nação

Os dançarinos do maracatu nação representam personagens históricos.

A composição do cortejo, que é formado entre 30 e 50 componentes, segue sempre uma ordem:

Porta-bandeira ou porta-estandarte, que se veste à moda de Luís XV. No estandarte, além do nome da agremiação, também consta o ano da sua criação.

Dama do paço, que são 1 ou 2, e que carregam a calunga.

Calunga, a boneca negra que representa uma rainha morta.

Corte, formada pelo casal de duques, o casal de príncipes e o embaixador. A figura do embaixador não é obrigatória.

Realeza, o rei e a rainha.

Escravo, o qual carrega um pálio ou um guarda-sol que protegem a realeza.

Yabás, conhecidas como baianas.

Caboclo de pena, representa os índios, e também é uma figura facultativa.

Batuqueiros, os que utilizam os instrumentos, sendo assim responsáveis pelo ritmo da dança.

Catirinas ou escravas, dançarinas que puxam a dança.

O rei e a rainha do maracatu são títulos conquistados de forma hereditária.

Maracatu Rural ou Baque Solto

Também conhecido como Baque Solto, esse tipo de maracatu é típico de Nazaré da Mata, município localizado na Zona da Mata de Pernambuco.

Caboclo de lança, personagem de destaque do Maracatu Rural (Baque Solto)

Sua origem apareceu posteriormente ao Maracatu Nação, despontando por volta do século XIX.

Seus participantes são basicamente trabalhadores rurais. Há uma figura bastante importante nesse tipo de vertente, que é o caboclo de lança, sendo o personagem de destaque.

Ele se veste de forma bastante característica, com um grande volume de fitas coloridas na cabeça, uma gola coberta de lantejoulas e uma flor branca pendurada na boca.

Maracatu Nação x Maracatu Rural

O maracatu nação é típico da zona metropolitana de Recife e é o ritmo afro-brasileiro que existe há mais anos. O batuqueiro e os instrumentos usados por ele são muito importantes nesse tipo de maracatu.

Enquanto isso, o caboclo de lança é a figura mais importante do maracatu rural.

Enquanto o maracatu nação surge como o cortejo de uma corte imperial; no maracatu rural o cortejo representa as brincadeiras dos trabalhadores rurais.

Além disso, há distinção nas composições dos cortejos e de seus personagens, o que diferencia ambas manifestações.


Instrumentos do Maracatu

Alguns dos instrumentos de percussão usados no Maracatu

No maracatu são utilizados instrumentos de percussão, como: caixas, ganzás, gonguês, taróis e tambores, conhecidos como alfaias no maracatu.

Também são utilizados instrumentos de sopro como trombones e cornetas.


Texto extraído de: https://www.todamateria.com.br/maracatu/
Fonte Imaem: https://www.todamateria.com.br/maracatu/


Literatura de Cordel: o sertão em rima

 


A literatura de cordel é uma das mais importantes marcas da cultura nordestina. É muito fácil associar a ideia dos livrinhos às ilustrações típicas e lembrar da maneira incrível como ela é capaz de retratar a realidade do sertão e até mesmo divertir com as rimas geniais dos escritores. 


Como surgiu a literatura de cordel?

Junto aos colonizadores portugueses, chegou a tradição dos trovadores e folhetos, que se difundiu pelo interior do Brasil e ganhou força no sertão nordestino. A literatura de cordel está presente no país desde o século XVI, mas somente no final do século XIX começou a ser produzida com as características que conhecemos hoje em dia. Nessa mesma época surgiram os grandes nomes da literatura de cordel, como Ugolino Nunes da Costa e Leandro Gomes de Barros.


Por que o nome ‘cordel’?

O nome ‘cordel’ vem de como os livrinhos eram expostos para serem vendidos. Cordinhas (ou cordéis) eram esticados e neles eram pendurados os livrinhos abertos na página central. Nos dias de vento, os vendedores prendiam os cordéis com pregadores de roupa e, assim, o negócio estava montado!




Técnicas de venda

Como bons vendedores de qualquer mercadoria, aqueles que comercializavam cordéis precisavam de uma maneira de atrair compradores. Para isso, eles declamavam os versos de um livro de sucesso e, quando o ápice da história estava prestes a chegar, a leitura era interrompida. Então, todos corriam para comprar o cordel e descobrir como terminava a trama.


O acróstico

Os autores da literatura de cordel assinam seus nomes através de um acróstico, um nome ou palavra resultante da união das primeiras letras de cada um dos versos de uma estrofe. Então, ao observar os últimos versos do folheto você sabia quem havia escrito a obra.


Como são feitos os desenhos?

Os cordéis tradicionais não trazem ilustrações em seu interior. No entanto, as capas apresentam as famosas xilogravuras. Por meio desta técnica, o artista escava o desenho na madeira e depois o reproduz como um carimbo.


A cultura nordestina é muito rica e não é à toa que fazemos de tudo para desenvolver todo o potencial do povo sertanejo!



Texto extraído de: 
https://www.institutoaguaviva.org.br/post/curiosidades-sobre-a-literatura-de-cordel
Fonte Imagem: 
https://quindim.com.br/blog/literatura-de-cordel-infantil/
https://www.institutoaguaviva.org.br/post/curiosidades-sobre-a-literatura-de-cordel


Trabalhos em pedra e ofício da cantaria na Zona da Mata mineira

 

Ponte da E. F. Dom Pedro II, construída sobre o Rio Paraibuna em Sobragi, município de Belmiro Braga, MG, entre 1873 e 1874

Trabalhos em pedra realizados na Zona da Mata Mineira com ênfase na cidade de Juiz de Fora seus diversos períodos de formação. Apresenta uma perspectiva histórica capaz de propiciar conhecimento de determinadas mudanças e/ou características que aparecem em obras realizadas com diferentes rochas e técnicas, em especial relacionadas ao ofício da cantaria.


 

 Trabalhos de cantaria na escada e varanda da sede da Fazenda Ribeirão das Rosas no município de Juiz de Fora, MG, 1751

 
Igreja Matriz de São José do Rio Preto na Vila de São José das Três Ilhas, município de Belmiro Braga, MG


Fonte Imagem: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistageonomos/article/view/11663

Casas de pau-a-pique: uma memória afetiva

  


As primeiras casas construídas no Brasil foram de taipa, sistema de construção que usa o barro molhado. Isolante térmico e que não pega fogo com facilidade, a taipa é utilizada na construção desde a antiguidade no mundo. Não existe consenso entre os historiadores sobre a origem desse modo de construção no Brasil. Entende-se que possa ser resultado da simbiose de matrizes portuguesas, indígenas e africanas.

No Brasil, esse tipo de construção foi largamente utilizado desde o período colonial até praticamente o início do século 20, e neste último século, notadamente nas áreas rurais. O uso de paredes de pau-a-pique era muito comum por ser um estilo de construção feito com materiais encontrados na própria natureza. São muitas vezes associadas apenas às residências rurais já que a maioria da população vivia no campo.

Existem dois tipos de técnicas de taipa, a taipa de mão, igualmente denominada de pau-a-pique, a taipa de sopapo, a taipa de sebe e o barro armado. É indevidamente denominada de casa de estuque no noroeste fluminense, sendo incorreto, pois no estuque entra outra composição de materiais. Trata-se de uma técnica que consiste no entrelaçamento de madeira ou bambu ou pau roliço ou taquara, na vertical, fixados no solo. Cipós ou outro material amarram a trama.

O barro e a água são amassados com os pés ou com o pilão até se obter uma massa compacta que é misturada a fibras vegetais, a exemplo do capim ou da palha. Alguns acrescentavam sangue e estrume de gado. Os vãos são preenchidos com essa mistura. Em lados opostos, na parede interna e externa, ficavam duas pessoas e ambas atiravam o barro ao mesmo tempo contra a estrutura de madeira formando as paredes da casa.

Quando a massa socada atinge mais da metade da parede recebe, transversalmente, pequenos paus roliços envolvidos em folhas, geralmente de bananeiras, que produzem orifícios cilíndricos para o formato de novas paredes. Essa técnica é usada para formar tanto as paredes internas como as externas. Uma base de pedra é colocada sob a casa, nas extremidades, afastando-a do solo aproximadamente entre 50 a 60 centímetros para evitar a umidade do chão.


O telhado é formado normalmente por palhas de sapê e as paredes não se estendem até o teto, possivelmente para facilitar a circulação do ar. A casa poderia receber acabamento alisado ou ainda caiação. O cal servia para evitar a proliferação de insetos. A construção de pau-a-pique quando mal executada pode se degradar em pouco tempo, apresentar rachaduras e fendas, se tornando alvo de roedores e insetos que se instalam nas aberturas. Por isso, esse tipo de residência é geralmente associado ao barbeiro, inseto transmissor da doença de chagas. Todavia, quando devidamente rebocada não há o perigo da instalação do barbeiro nas paredes.

Encontrei residências de pau-a-pique nas localidades de Galdinópolis e Rio Bonito, no distrito de Lumiar, em Amparo e em São Sebastião do Paraíba, distrito de Cantagalo. Na realidade, realizava outro trabalho, mas esse tipo de residência sempre desperta a minha atenção e parei para fazer o registro delas. Umas são ainda habitadas e outras servem como depósito de materiais. Ainda que estejam assentadas em sítios, havendo muito terreno, seu tamanho é muito pequeno. Arriscaria dizer em torno de 40 metros quadrados. Mas o tipo de vida era outro e não do burguês lar doce lar.

No passado, as pessoas passavam o dia inteiro no campo cuidando da lavoura desde as primeiras horas do dia. Quando retornavam às suas casas faziam uma refeição e iam logo em seguida repousar. Os corpos cansados da labuta no amanho da terra, a ausência de luz, o custo de acender os lampiões, tudo isso contribuía para que essas residências fossem apenas dormitórios.

Curiosamente, esse tipo de construção virou moda e muitas pessoas atualmente optam por casas de pau-a-pique por serem ecologicamente corretas. Não obstante serem providas de algum conforto revela uma memória afetiva de como viveram os nossos antepassados.  




Texto extraído de: https://acervo.avozdaserra.com.br/colunas/historia-e-memoria/casas-de-pau-pique-uma-memoria-afetiva
Fonte Imagem: https://acervo.avozdaserra.com.br/colunas/historia-e-memoria/casas-de-pau-pique-uma-memoria-afetiva

Ofício de cantaria

 Museu Casa dos Contos, em Ouro Preto/MG

A palavra cantaria, no âmbito da arquitetura, tem sua etimologia originada do latim “canthus” com o significado de “aresta”. Há autores que remete o significado à época pré-romana quando designava "pedra grande", ou pedra aparelhada para formar o ângulo de uma construção.

Daí sua ampla utilização nos cunhais ou esquinas das edificações, arrematando o encontro de dois panos de paredes. Seja como for, cantaria refere-se às pedras “aparelhadas”, “lavradas” e “esquadrejadas” segundo as técnicas da estereotomia. A estereotomia refere-se ao estudo minucioso das formas das pedras, através da análise das possibilidades de corte e entalhe pela geometria da peça. 

Canteiro ou cantel é o oficial que corta, desbasta e aparelha as pedras para a construção que irão constituir a cantaria. O étimo de cantel pode ter origem numa corruptela do espanhol “el canto”, que também corresponde à pedra de canto. O termo cantel é utilizado apenas nos estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, cuja presença do técnico José Ferrão Castelo Branco, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – 5aSR/IPHAN, influenciou seu emprego.

Em Recife e em outras cidades coloniais brasileiras como Salvador, Rio de Janeiro e Ouro Preto, os canteiros se organizavam em “Confrarias” sob a denominação geral de pedreiros. Seus conhecimentos eram transmitidos pelos Mestres aos Aprendizes. Tais associações eram assemelhadas aos grêmios europeus medievais de profissionais da construção, embora de caráter pouco rígido e mesclado de religiosidade, onde o ofício era “regulado” e “atestado” por juízes através de “cartas de ofício”. Também, possuíam um Santo protetor (São José) estampado em uma “bandeira”, representativa da Confraria. Esta bandeira era carregada pelos Mestres de Ofício em as procissões e outras atividades públicas.

Os canteiros realizavam uma gama de serviços que ia da confecção de simples pedras para assentamento em muros a elementos escultóricos fossem obras civis, religiosas ou militares.

 Alguns componentes de cantaria, de tão constantes, tipificaria a arquitetura de um lugar como se deu com os “cachorros de pedra”, unicamente encontrados em Olinda e Recife!

Cabe observar que contrário da Metrópole, onde eram comuns edificações inteiramente em cantaria, o seu uso no Brasil Colonial ficou restrito a componentes construtivos como cunhais, pilastras, colunas, molduras de portas e janelas, escadarias e obras decorativas em geral, sempre inseridas em uma alvenaria rebocada. As obras de cantaria expressavam valores de beleza, segurança, durabilidade e status justamente pelos recursos materiais e humanos envolvidos, demandando uma mão de obra muito especializada.

No Brasil a rocha utilizada na cantaria, como era de se esperar, variou de região para região, sendo comum em grande parte do nordeste tanto o arenito dos arrecifes quanto o calcário. Em Minas Gerais, foi corrente o uso da pedra sabão e no Rio de Janeiro, o granito. Tais rochas se diferenciavam pela suas propriedades físico-mecânicas e de “trabalhabilidade” e, consequentemente, pelo seu emprego e até pelas suas possibilidades plásticas.

Subvertendo as características originais da rocha e adotando uma tradição imemorial, foi igualmente comum o uso da cantaria pintada (faiscado), fazendo com que os tons cinzas e amarelados naturais recebessem colorações vivas diversas e manchas, imitando e fingindo os veios de certos mármores.

Na história da Arquitetura Colonial Brasileira se pode constatar o desaparecimento das obras em cantaria desde o final do século XVIII. A partir do século XIX, tanto os componentes exteriores quanto interiores serão paulatinamente substituídos pela alvenaria de tijolo com relevos moldados em argamassa de cal, gesso e areia.

Este fenômeno esteve associado aos fatores econômicos e sociais advindos: a) com a racionalização dos processos construtivos; b) com a extinção das antigas organizações de ofícios mecânicos (decretada pela Constituição de 1822); c) com a intensa imigração de “operários da construção” oriundos da Alemanha e da França, onde a Revolução Industrial já transformara a Arte da Construção.

Finalmente, é necessário dizer que as atividades conservação e restauro sobre a cantaria degradada tanto pelas intempéries quanto pela mão humana, apesar de todos os recursos da tecnologia contemporânea, prescinde hoje, mais do que nunca, de um cuidadoso resgate daqueles antigos modos de fazer de cada Ofício.

O mestre canteiro, responsável pela produção dos modelos reduzidos do acervo do CECI, é o escultor Hamilton Martins de Souza, formado na arte da cantaria desde 1986, quando participou da restauração da portada da Igreja do Monte (Olinda-PE) e especializado na Escola de Mestres de Ofícios em Veneza (Itália).



Texto extraído de: http://www.ceci-br.org/ceci/restauro/oficios-tradicionais/364-oficio-docantel-ou-canteiro.html
Fonte Imagem: http://ilumineoprojeto.com/museu-casa-dos-contos-em-ouro-preto-parte-i-a-maior-construcao-particular-da-vila-rica-de-sua-epoca/