domingo, 20 de junho de 2021

Uma árvore da música brasileira

Livro analisa as influências negra e europeia na produção musical nacional, apontando expoentes e conexões de tempos passados aos mais atuais


Fruto de uma longa pesquisa que foge ao caráter acadêmico, o livro Uma árvore da música brasileira nasce da paixão de seus organizadores pelo tema. Partindo da ideia de uma árvore genealógica que cresce e se ramifica, o músico Guga Stroeter e a pesquisadora Elisa Mori analisam as influências negra e europeia na produção musical nacional, trazendo seus principais expoentes e as conexões entre artistas contemporâneos ou entre aqueles que sucederam uns aos outros.

O livro discorre sobre diferentes representações musicais brasileiras, indo desde a modinha, o lundu, o maxixe, o choro, o samba, o baião, o caipira, o sertanejo, a bossa nova, passando por movimentos como a jovem guarda, a tropicália e o mangue beat, até chegar no rock, no hip hop e na música eletrônica.

Composto por 23 artigos, a publicação apresenta as reflexões de diferentes profissionais da música – como artistas, pesquisadores e produtores musicais – a respeito das impressões e experiências vividas por esses autores em relação ao gênero sobre o qual se propuseram discutir. Temos, assim, “MPB” por Fernando Faro, “Caipira e sertanejo” por Paulo Freire, “Festivais” por Solano Ribeiro, “Música instrumental” por Nelson Ayres e “Tropicália” por Júlio Medaglia, entre outros.

O trabalho é acompanhado por um pôster encartado que reproduz uma árvore e expõe as múltiplas ramificações da música brasileira. O leitor encontrará também uma linha do tempo em que é possível acompanhar a evolução de cada gênero musical. Ambos podem ser visualizados e baixados gratuitamente:




Texto extraído de: 
https://www.sescsp.org.br/online/edicoes-sesc/930_UMA+ARVORE+DA+MUSICA+BRASILEIRA#/tagcloud=lista


Os Pilares da Música Popular Brasileira e Cabo-Verdiana: Modinha, Lundu e Morna

 

Pintura de Rugendas, A Dança do Lundu, 1835 

Trataremos neste artigo de comparações entre a Morna caboverdiana e os gêneros poético-musicais brasileiros do século XVIII, a Modinha e o Lundu. A partir da teoria do musicólogo cabo-verdiano Vasco Martins, presente na obra A Música Tradicional Cabo-Verdiana (1988) delinearemos o percurso que teria sofrido a Morna desde seu primeiro registro no século XVIII, discutindo os possíveis traços em comum entre ela e as cantigas populares brasileiras mencionadas. A obra de Martins demonstra que a Morna é o resultado da adaptação do Lundu e da Modinha brasileiros à sociedade mestiça de Cabo Verde.

Para acessar o artigo na íntegra: 

sábado, 19 de junho de 2021

Selo Marcus Pereira

 


 
A gravadora Discos Marcus Pereira foi o mais importante projeto fonográfico nacional. Hoje seus discos estão praticamente todos fora de catálogo, apodrecendo nos porões da gravadora EMI. Este texto conta sua história, que de tão brasileira, parece uma alegoria de nosso país.

A gravadora foi a primeira no país a adotar uma política de produção alternativa, fora da indústria cultural, de grandes grupos fonográficos e do mecenato estatal. É a inspiradora da saudável proliferação de pequenas gravadoras voltadas para a qualidade e diversidade da música brasileira. Se hoje tempos Rob Digital, Núcleo Contemporâneo, Acari, Biscoito Fino e CPC-Umes, a ela devemos.

Quando a gravadora acabou, seu precioso acervo foi parar com a gravadora Copacabana, que também encerrou suas atividades, terminando tudo em posse da pequena distribuidora ABW, que chegou a lançar muita coisa da Marcus Pereira em CD. Há alguns anos a EMI comprou todo o acervo nas mãos da ABW. Eles estavam interessados no vasto catálogo de jovem guarda da Copacabana, pois boa parte dos dirigentes das grandes gravadoras são oriundos deste movimento musical.

Enquanto os fonogramas de iê-iê-iê começaram a ser relançandos pela multinacional, o acervo da Marcus Pereira foi imediatamente esquecido. Se quando estava nas mãos da ABW era possível encontrar em CD dezenas de seus discos, hoje os discos em catálogo não completam os dedos de uma mão e os demais apodrecem nos porões da EMI. Um verdadeiro atentado à memória nacional.

A história da Discos Marcus Pereira mistura variadas doses de paixão, dificuldades financeiras e políticas, amizade, descaso e muito idealismo, tudo ao som da melhor trilha sonora que este país já produziu. Sua história é tão brasileira, mas tão brasileira, que mais parece uma alegoria sobre nosso país. A começar pelo lugar onde surgiu.



Bares e botequins são templos de cultura nacional. Um grupo de amigos e amantes de música brasileira frequentava o bar Jogral na cidade de São Paulo. Entre eles estavam o publicitário Marcus Pereira e o dono do bar Luis Carlos Paraná. O Jogral era o grande ponto de encontro da boa música brasileira na cidade. Em 1967, reunindo amizades e afetos para homenagear o compositor Paulo Vanzolini, lançavam o disco “Onze Sambas e uma Capoeira”.

O LP, que também marcava a estréia artística de Cristina Buarque, trazia a marca “Jogral”. No ano seguinte gravavam com gente da casa algo que há muito não acontecia: um disco de choro. Era o “Flauta, Cavaquinho e Violão”. O pretexto era dar os discos como brinde de fim de ano da empresa de Marcus. Outros discos foram saindo, um melhor do que o outro. Em 1973, a coleção de 4 discos “Música Popular do Nordeste” vale a Marcus o prêmio Estácio de Sá do MIS do Rio. Era o pretexto que faltava para abandonar sua rentável agência de publicidade e cuidar de uma nova empresa, a Discos Marcus Pereira.

Se você for fazer uma listagem sobre os melhores discos brasileiros de todos os tempos, a Marcus Pereira marcará presença com um número impressionante para uma pequena gravadora. Não faltarão na lista os dois primeiros do Cartola, o “Na Quadrada das Águas Perdidas” de Elomar, a Orquestra Armorial dirigida pelo Maestro Guerra Peixe, o “Violão Brasileiro Tocado pelo Avesso” de Canhoto da Paraíba e muitos outros. Se hoje aparecem projetos que visam mapear a música feita no Brasil, eles copiam a sua série de 16 LPs com músicas de cada região brasileira. Eles abriram espaço para a música de estilos tão diversos quanto a Banda de Pífanos de Caruaru ao experimentador Walter Smetak.



A década de 70 viu um ressurgimento do choro e a gravadora foi o principal suporte fonográfico do movimento, gravando discos sensacionais de Abel Ferreira, Raul de Barros, Canhoto da Paraíba, Carlos Poyares, Altamiro Carrilho e tantos outros. Gravou uma série de discos de samba, onde cada um era dedicado a uma das mais tradicionais escolas, Salgueiro, Portela, Mangueira e Império Serrano.

Neles era contada sua história artística através dos grandes nomes de cada uma. Só o disco da Portela pode ser considerado o quinto disco da sua Velha Guarda, com participações de Monarco, Alcides Malandro Histórico e Alvaiade. Os demais reuniam gravações de baluartes de cada agremiação, como Tio Hélio, Mano Décio da Viola e Padeirinho.

A mais alta estirpe da música brasileira gravou ou participou de seus discos. Muitos entraram em estúdio pela primeira vez. Foram 144 discos em menos de 10 de anos de existência. Passaram por lá Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, Arthur Moreira Lima, Banda de Pífanos de Caruaru, Canhoto da Paraíba, Carlos Poyares, Carmem Costa, Cartola, Celso Machado, Chico Buarque, Chico Maranhão, Clementina de Jesus, Dercio Marques, Dona Ivone Lara, Donga, Elba Ramalho, Elomar, Evandro do Bandolim, Jane Duboc Luperce Miranda, Nara Leão, Orquestra Armorial, Papete, Paulo Marquez, Paulo Vanzolini, Quinteto Armorial, Quinteto Villa-Lobos, Raul de Barros, Renato Teixeira, Roberto Silva, Tia Amélia e muitos outros.

Só que os negócios eram dureza. Alegando que seu trabalho estava voltado para a pesquisa, Marcus conseguiu um financiamento da FINEP que bancou boa parte de seus discos, como o resto da coleção que mapeou a música do Brasil e os de Cartola e Donga. Chegou a hora de pagar os juros. A dificuldade de distribuição (sempre ela!) o sujeitou a um contrato leonino com a gravadora Copacabana. Marcus conseguia tirar leite de pedra para manter seu sonho.

Em fevereiro de 1982, após a grave recessão de 79, a gravadora enfrentava sérias dificuldades financeiras. Suas dívidas acumulavam. A gravadora que levava seu nome estava indo à falência. Neste momento difícil que passava o trabalho e sonho de uma vida, problemas pessoais agravara a situação. Marcus Pereira então se suicidou.


Texto extraído de: http://www.discotecapublica.com.br/site/materias/discos-marcus/

Discos Marcus Pereira: Uma história musical do Brasil

 

 
Este projeto de Trabalho de Conclusão de Curso é um livrorreportagem sobre a Discos Marcus Pereira, gravadora independente de vida curta (1973-1981), mas de fundamental importância na história da música popular brasileira. Fundada pelo publicitário paulistano Marcus Pereira, o selo, além de lançar trabalhos de artistas como Cartola, Paulo Vanzolini, Donga, Elomar e Quinteto Armorial, dedicou-se a registrar em disco manifestações culturais e folclóricas de todas as regiões do país. Com projetos ambiciosos, mas de baixo retorno financeiro, a Discos Marcus Pereira foi somando dívidas ao longo de sua existência, abreviada pelo suicídio de seu fundador, em 1981. Para contar essa história, o TCC une entrevistas e pesquisa realizada em estudos acadêmicos, reportagens da época, livros sobre música brasileira e nos próprios discos da gravadora.

TRAMAS MUSICAIS: LUIZ CLAUDIO - CANTIGAS (1973) (Selo Marcus Pereira)


01 Amo-te muito 
02 Mucama 
03 Cantigas
04 É a ti flor do céu 
05 Sereno da madrugada 
06 Menina das tranças 
07 Estrada branca 
08 Elvira escuta 
09 O galo cantou na serra 
10 Gavião de penacho
11 Correnteza


TRAMAS MUSICAIS: Minas Sempre-Viva – Pesquisa Histórica Do Folclore Mineiro (1982) - Luiz Cláudio

 

Lembrança sempre-viva... Sempre-viva minha mãe dizia chamando minha madrinha... Era menino e me encantei com aquele grande livro de capa dura da casa de minha tia. O livro abraçava dois discos com músicas que cantávamos na fazenda nas férias de oitenta e pouco... Tratei de pegá-lo emprestado e maquinei com meu pai a gravação com recurso disponível no momento: tocá-lo na vitrola e gravá-lo em fita k7 na boca da caixa de som. Viva, finalmente tinha aquele som imaginário comigo...

Livro, obra de arte de Luiz Cláudio, lançado em 1982 pela Léo Christiano Editorial. Hoje fora de catálogo, se tornou peça cobiçada entre colecionadores. Reúne em um único objeto, música, artes plásticas e cultura popular. Uma pesquisa histórico-musical do folclore de Minas Gerais, ilustrado com as próprias pinturas e desenhos de Luiz Cláudio. 





Décadas se passaram e finalmente consegui adquirir um exemplar do livro através da internet. Outros tempos... E agora compartilho com todos este sentimento sempre-vivo, pois como diz o poeta: 

"Ah meu Curvelo, 
vontade de ser agora
Menino ainda,
 não tendo que ir embora..."


1 Elvira, Escuta

2 A Sempre-Viva

3 É a Ti, Flor do Céu

4 Meiga Virgem

5 Zum-Zum – Peixe Vivo (DP)

6 Amo-te Muito

7 Alecrim Dourado (DP)

8 Sereno da Madrugada

9 A Perpétua – Tim-Tim (DP)

10 O Gondoleiro do Amor

11 Acorda, minha Beleza

12 Mucama

13 Varrer-te da Memória

14 Gavião de Penacho (DP)

15 Papagaio – Periquito (DP)

16 Viola de Bolso

17 Monjolo

18 Lugar tão Lindo

19 Cantigas (DP)

20 O Galo cantou na Serra (DP)