Esta canção, poesia pura e pulsante de Belchior, continua real, como um norte para estes tempos do cólera...
Há
tempo, muito tempo
Que eu estou
Longe de casa
E nessas ilhas
Cheias de distância
O meu blusão de couro
Se estragou
Oh! Oh! Oh!
Ouvi
dizer num papo
Da rapaziada
Que aquele amigo
Que embarcou comigo
Cheio de esperança e fé
Já se mandou
Oh! Oh! Oh!
Sentado
à beira do caminho
Pra pedir carona
Tenho falado
À mulher companheira
Quem sabe lá no trópico
A vida esteja a mil
E
um cara
Que transava à noite
No Danúbio azul
Me disse que faz sol
Na América do Sul
E nossas irmãs nos esperam
No coração do Brasil
Minha
rede branca
Meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde
Que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo saudade
Como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar
Gente
de minha rua
Como eu andei distante
Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar
E
até parece que foi ontem
Minha mocidade
Com diploma de sofrer
De outra Universidade
Minha fala nordestina
Quero esquecer o francês
E
vou viver as coisas novas
Que também são boas
O amor, humor das praças
Cheias de pessoas
Agora eu quero tudo
Tudo outra vez
Minha
rede branca
Meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde
Que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo saudade
Como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar
Gente
de minha rua
Como eu andei distante
Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar
Texto e
contexto, letra e música, gravação e interpretação, história macro da sociedade
brasileira e história micro de um grupo, marginalidade e integração, regional,
nacional e internacional, luta política e indústria cultural, censura, mercado
e Estado, criatividade e padronização, tudo isso aparece muito bem costurado no
livro, revelando o talento da autora para – ao estudar o Clube da Esquina em
geral e alguns discos de Milton Nascimento em particular – dar conta do
movimento contraditório da sociedade brasileira de uma época. Com delicadeza e
elegância, que convivem com a inquietude do texto, são desenvolvidas análises
inovadoras que atiçam o leitor a concordar ou discordar das formulações
propostas.
Pintura: A obra de João Cândido da Silva transborda felicidade
O violonista
virtuoso Marco Pereira lança uma obra completa sobre ritmos brasileiros para
violão. Com CD incluso onde Marco Pereira toca todos os exemplos escritos no
livro, ele aborda ritmos variados como côco, ciranda, maracatu, jongo, frêvo,
samba, choro e bossa nova, e não só mostra os exemplos, mas faz comentários e
análises para maior conhecimento e aproveitamento do mesmo. Este promete ser um
dos mais importantes lançamentos da literatura para violão brasileiro.
O projeto “De
Conversa em Conversa - 2ª Temporada” tem como objetivo principal levar ao
público a arte e o pensamento de nomes representativos da Música Popular
Brasileira. Cada encontro é composto de um debate sob a forma de uma “conversa
ampliada” com uma apresentação de alguns sucessos do artista convidado,
interpretados por ele mesmo, ou, se for o caso, acompanhado por um músico
renomado. A intenção é a de aproximar o público da trajetória de
artistas consagrados por meio de conversas e bate-papos entremeados de performances
e canções.
Este modelo de evento - um talk-show com histórias,
curiosidades e músicas - faz o artista ficar mais próximo da audiência,
revelando segredos da sua vida, suas opiniões e valores, a maneira como cria e
vê a sua arte, possibilitando o diálogo direto, dinâmico e produtivo com o
público. Devido às condições ocasionadas pelo covid-19, o projeto precisou ser
readequado para um formato virtual nesta segunda temporada.
Músico, compositor,
arranjador, cantor e agora também vencedor do Grammy Latino 2020, com o álbum
“Belo Horizonte”. Toninho Horta, uma das principais referências do movimento
musical Clube da Esquina, será o primeiro convidado da estreia da 2ª
temporada do projeto “De Conversa em Conversa”. Com curadoria do decano da
PUC-Rio, Júlio Diniz. Sendo transmitido no dia 10 de junho, as 20h, pelo canal
do Youtube da Prefeitura de Ouro Preto.
As próximas lives, estão marcadas
para o dia:
- 15 Julho (Evandro Mesquita)
- 22 Julho (Wagner Tiso)
- 28 Julho (
Francis Hime) - 29 Julho (Zezé Motta)
A iniciativa conta com patrocínio da
empresa CEMIG, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais
e apoio da Prefeitura Municipal de Ouro Preto.
A primeira versão da Rede Globo para a adaptação da obra de Monteiro Lobato foi ao ar entre 1977 a 1986. Logo no ano de estreia, o Sítio do Picapau Amarelo ganharia uma das melhores trilhas sonoras infantis. O cuidado com o material tinha nome e sobrenome: Dori Caymmi.
O filho mais velho do mestre Dorival dirigiu e produziu uma trilha com grandes compositores da MPB, incluindo o próprio pai. Da primeira à última faixa, o disco é um primor e dá pra ouvir independente da sua intimidade ou não com os personagens da obra e do seriado.
É desnecessário dizer que “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, a música-tema assinada e cantada por Gilberto Gil, nos vem à mente assim que pensamos no Sítio. É o convite para um mundo lúdico, magico, de aventuras e felicidade rural envolvendo Narizinho, Pedrinho, Emília, Visconde de Sabugosa, Dona Benta e Tia Anastácia. Aproveito e faço um convite para conhecer as demais faixas dessa trilha que marcou época e ainda é surpreendente.
Narizinho – Lucinha Lins Ivan Lins e Victor Martins assinam a faixa contando com a voz suave de Lucinha Lins. O tema fala das aventuras de Narizinho no “Reino das Águas Claras”: Narizinho, Narizinho /Sonha sonha com amigos/ É a fada brasileira de agrados e castigos”.
“Ploquet Pluft Nhoque” (Jaboticaba) – Papo De Anjo Sonia Burnier, Claudio Cartier e Tavynho Bonfá formaram um trio Papo de Anjo que registrou “Ploquet Pluft Nhoque (Jaboticaba)” O titulo da composição de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro é uma onomatopeia sobre o barulho característico quando se morde a jaboticaba. “Que a mão do moleque arranca no toque/ O que bate na boca que é jaboticaba/ Faz ploquet pluft nhoc”
Peixe – Doces Bárbaros A composição de Caetano Veloso interpretada pelos Doces Bárbaros (Caetano, Gil, Maria Bethânia e Gal Costa) tem contornos concretistas: “Peixe / Deixa eu te ver, peixe / Peixe/ Deixa eu te ver, peixe/ Peixe/ Deixa eu te ver, peixe/ Verde/ Deixa eu ver o peixe/ Vi o brilho verde / Peixe prata.”
Saci – Papo De Anjo Assinado por Guto Graça Mello, um tema instrumental acompanhada pelas vozes do Papo de Anjo. Grande arranjo.
Visconde De Sabugosa – João Bosco Uma composição de João Bosco e Aldir Blanc não poderia ficar de fora pra falar do sabugo de milho que era uma verdadeira enciclopédia. “Sábio sabugo, Filho de ninguém/ Espiga de milho/ Bobo sabido/ Doido varrido/ Nobre de vintém”. Um samba delicioso.
Dona Benta – José Luís Outra faixa assinada pela dupla Ivan Lins e Vitor Martins. É puro colo de avó. “Que pessoa é essa que tem a liberdade de abrir a janela esbarrando no verde/ Que magia é essa? Que milagre é esse?”. O arranjador e instrumentista Zé Luís dá o toque final nesse bolo caseiro.
Pedrinho – Aquarius Musica de Dori Caymmi com letra de Paulo César Pinheiro. Fala da imaginação e dos sonhos do neto de Dona Benta. “Ele acreditava em dragão, bruxa, Saci, cavalo voador / Via o que queria ver Porque era um sonhador”. O grupo Aquarius era formado por Alberto Arantes, Tavynho Bonfá, Raymundo Bittencourt e Sonia Burnier.
Arraial Dos Tucanos – Ronaldo Malta Malta interpreta a canção de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando em que daria um recado indireto ao regime militar que ainda vigorava no país, em 1977. Seria uma canção de protesto com foco na questão agrária, como comentou o jornalista Penha de Castro (no site Overmundo). Parte da letra diz “Até quando um homem que da terra vive e que da vida arranca o pão diário vai ter tua paz, aparente e pálida paz, aparentemente paz..”
Tia Nastácia – Dorival Caymmi “Sinhá Nastácia que quando nina, acaba por cochilar”, diz um verso da canção de Dorival com aquela interpretação mansa do mestre baiano, tendo como acompanhamento apenas o seu inseparável violão. Quem não queria ser ninado por uma Tia Anastácia nessa vida? Uma pequena joia num baú recheado de tesouros.
Passaredo – MPB4 Chico Buarque conta que, ao colocar letra na música que recebeu de Francis Hime, fez toda ela tendo ao lado o auxílio precioso de uma enciclopédia com nomes de pássaros, uma aula sobre a riqueza de nossa fauna. “Bico calado / Muito cuidado / Que o homem vem aí”, exclama o verso final. Uma das primeiras canções da MPB a focar diretamente na necessidade de preservação de nosso meio ambiente.
Emília – Sérgio Ricardo É Sergio Ricardo em estado puro. Até mesmo para narrar para descrever a saliente boneca Emília. “Mais do que ser passarinho, anjo, boneca, gente, assombração / É ser que nem é Emília, campina, campo, espaço e amplidão / Mais do que ser sabida e ter segredos que fazer magia / É ser que nem é Emília fonte, chama, sopro, ventania, por mais que o sol se esconde/ Cruzes se cravem no raiar do dia..”
Tio Barnabé – Marlui Miranda e Jards Macalé Talvez a maior surpresa da trilha. Aqui temos atabaques e as vozes de Marlui Miranda e Jards Macalé. Obra-prima. “Oi, nessa mata tem flores / Os olhos do Saci / Pula com suas dores / Gentis com seus amores / Os cantos da caapora / E os orixás que nos acudam /Que nos valham nessa hora’.
Texto extraído de: http://nacaixadecd.com.br/wp/sitio-do-pica-pau-amarelo-uma-trilha-antologica/